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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O SILÊNCIO DOS INOCENTES

Autor: Thomas Harris

Título original: The Silence of the Lambs

Pouco tempo após acabar Dragão Vermelho peguei neste livro, o segundo da saga de Lecter (se não tivermos em conta que o último livro a ser publicado é na realidade o primeiro cronologicamente). Tal como acontecera no anterior, ainda não tinha visto o filme, e devorei estas páginas com a esperança de conhecer mais de Hannibal Lecter e tal aconteceu para enorme satisfação.
Lecter passa de personagem muito secundária do livro anterior para a personagem que é o grande motor deste livro. Uma vez mais será pedida ajuda ao Canibal na procura de um serial-killer, desta vez de nome Buffalo Bill. Começando pelo serial killer, achei-o pior do que a Fada dos Dentes, serial-killer do anterior livro. O autor dá-lhe menos importância, menos detalhe e acho que os motivos se perderam um pouco, mas devo salientar que a descrição da suposta transformação desta personagem em certa altura do livro está muito bem conseguida. Outro aspecto que me desagradou ligeiramente foi o facto de este serial-killer também ter como objectivo a “transformação” para algo mais belo ou superior, tal com acontecera no anterior livro. Contudo é um pequeno detalhe que não estraga o livro.
A personagem principal deixa de ser Will e passa a ser Clarice, e aqui há uma evolução (e reparem que apreciei bastante Will, principalmente pelos traumas inerentes à captura de Lecter). Clarice foi uma personagem que me fascinou, pelo seu passado, pelos seus medos e traumas de infância. De Will pouco sabíamos enquanto passado, e os seus medos eram quase todos ligados a Lecter, que apesar de muito bem construídos, deixam algum vazio. Com Clarice o medo a todo o mito "Lecter" está presente mas são os seus anteriores traumas que ganham magnitude e ajudam-nos a conhecer esta mulher e a perceber as suas acções durante o livro.  
Mas o que torna este livro imperdível é Hannibal. É na minha opinião uma das melhores personagens que já li, diferente de todas as que conheço, e pelo que vejo, será sempre o grande trunfo da escrita de Thomas Harris. Falando um pouco da escrita de Harris, no livro anterior achei-a um pouco básica, apesar de se notar conhecimento na área em que escrevia, mas sentia que faltava aquela capacidade de criar um verdadeiro terror no leitor. Claro que é apenas uma opinião pessoal. Neste livro Harris evolui muitíssimo, criando momentos de puro suspense, que quase nos fazem não respirar e ler à velocidade da luz. Não é fácil esquecer o momento em que Clarice percorre o corredor até encontrar Hannibal pela primeira vez. Aqui sim, senti o medo da personagem, bem vivo e vincado, o terror sufocante que tanto me agradou. Os diálogos entre Hannibal e Clarice são fantásticos, bem criados e com significado escondido, tudo graças às palavras de Lecter. Esta é daquelas personagens que partilha a capacidade clarividente que apenas um autor pode dar a uma personagem.
Tentando não estragar qualquer momento de suspense a quem ainda não leu o livro, devo apenas dizer que há realmente momentos que ficam marcados na nossa memória, desde o início até ao fim, como o quase interrogatório de Hannibal a Clarice, feito por pura curiosidade que nos leva a suspeitar do futuro entre os dois, enquanto Clarice revela pormenores da sua infância que dão o nome ao livro.
Depois de ler o livro acabei por ver o filme. A adaptação está muito boa, com uma ou outra mudança que não retiram qualidade. No entanto o livro prima por nos dar mais a conhecer de Clarice, muito mais (e aqui aplaudo Thomas Harris por entrar de forma brilhante dentro da mente feminina), ficarmos a saber muito mais sobre Jack Crawford e principalmente de Hannibal. Um livro recomendado mesmo a quem já tenha visto o filme.
Voltarei um dia a ler este livro, agora com a voz e olhar de Anthony Hopkins na minha memória. Quem sabe se não voltarei a arrepiar-me quando ler a frase: “Hello Clarice”. Voltarei certamente a tirar prazer da leitura, irei provavelmente descobrir novos significados das falas de Hannibal, que irá sempre espantar-me.
Se gostam de thrillers e de personagens marcantes, com personalidades únicas, então este livro não pode ser perdido.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

DRAGÃO VERMELHO

Autor: Thomas Harris

Título original: Red Dragon

Quando comecei a ler este livro já a personagem Hannibal Lecter era mundialmente famosa, não só pelos livros que foram publicados antes de eu nascer, como também graças aos filmes, principalmente com o sucesso de O Silêncio dos Inocentes. Li-o antes de ver qualquer um dos filmes e portanto não sabia o que esperar desta personagem.
Dragão Vermelho é o primeiro livro da saga de Hannibal, contudo preparem-se para quase não terem qualquer vislumbre  do Cannibal. Lecter aparece umas três vezes no livro, apesar de ser imensamente mencionado por outras personagens e de graças a ele o ritmo da acção aumentar durante partes da história. Este livro é na realidade sobre Will Graham, homem do FBI que capturou Lecter anos antes e que quase morreu para o conseguir.
Não revelando o essencial da história, devo dizer que Will volta ao activo para ajudar a prender a Fada dos Dentes, um serial-killer que aparecera nos últimos dois meses e já matara duas famílias. Will demonstra uma capacidade rara de assumir o ponto de vista de outras pessoas, principalmente daquelas que o assustam e isso ajuda-o a perceber não só o método mas também o porquê de tais massacres. Este livro é no meu entender verdadeiramente interessante por vermos o que capturar Lecter fez à mente de Will, o medo que sente sempre que o vê, o respeito misturado com repugnância. Tal facto deixa-nos a desejar ler mais sobre aquela personagem enjaulada e Lecter terá em cada livro cada vez mais preponderância, para satisfação de quem lê. 
 O serial-killer deste livro é bem criado e os seus capítulos atrasam ligeiramente a acção para percebermos os verdadeiros motivos deste personagem. Tais capítulos agradaram-me e são bem conseguidos pelo autor, tirando-nos daquele ritmo frenético com que o FBI o tenta prender.
Sem uma escrita que fique na memória, Thomas Harris parece, em alguns momentos do livro, não ser um escritor nato, mas a sua criatividade de acção e personagens é de louvar. Hannibal Lecter é uma das minhas personagens de eleição no mundo dos livros, ao lado de Gollum, Tyler Durden, entre outros… mas também a personagem de Will se torna fascinante em certos momentos, o que me agradou bastante pela sua natureza, mas mais nada irei revelar.
Apreciei bastante este livro e ainda mais o últimos capítulos que são lidos há velocidade da luz. O fim é muito bem planeado pelo autor e mal acaba queremos pegar no próximo livro na esperança de termos mais Lecter.
Pode não ser um grande clássico enquanto livro, mas apresenta-nos uma personagem, Hannibal, que nunca poderá ser perdida por ninguém, o que torna este livro obrigatório para quem quiser ficar de boca aberta com a mente arrogante, culta e louca de Lecter.