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terça-feira, 2 de agosto de 2016

A VINGANÇA DOS TUDOR


Autor: C.W.Gortner

Título original: The Tudor vendetta




Sinopse: Em 1558, após a morte da Rainha Maria, Isabel Tudor ascende ao trono.
Brendan Prescott, o espião privado de Isabel, é chamado à corte inglesa, depois de um exílio de quatro anos na Suíça. A rainha incumbe-o então de investigar o desaparecimento de uma das suas aias, Lady Parry, que tinha ido visitar a família a uma aldeia distante e nunca mais foi vista.
Ao chegar ao destino, e após conhecer os familiares de Lady Perry, Prescott apercebe-se de que estes escondem um segredo que poderá pôr fim ao reinado de Isabel. O desenrolar dos acontecimentos leva-o também a ter a certeza de que alguém se quer vingar. Resta saber se o alvo da vingança é Isabel ou ele próprio.
Numa atmosfera repleta de segredos, Prescott lutará até ao fim para cumprir a sua missão, procurando nunca pôr em causa aquilo por que sempre lutou: a sua lealdade à rainha.


O terceiro e último livro da saga dos Tudor, focado em Brendan Prescott, o espião da Rainha, é em alguns aspetos o melhor livro da saga, mas no global é um livro ao nível dos outros e que completa bastante bem uma trilogia viciante.

O autor continua a manter um ritmo de altos e baixos que encaixa bem no enredo e nos personagens principais. Devido à necessidade de entregar algumas respostas ao leitor, este último livro apresenta diálogos mais extensos mas também mais objetivos e que nos levam a revelar os segredos que impulsionaram as conspirações dos últimos livros, levando-nos para um novo nível no jogo político e religioso que se desvenda pela espionagem.

Com uma escrita suave e uma boa mistura de descrições e ação, o autor continuou a prender-me com facilidade. Algumas personagens que estão presentes nos três livros ganham maturidade e, em alguns casos, ficamos a perceber decisões que foram tomadas nos livros anteriores, ficando uma sensação de coerência que melhora toda a saga. De realçar ainda a atmosfera criada pelo autor. Com facilidade voltamos a entrar nesta era, sendo fácil assimilar a mentalidade e os costumes desta realidade sem que o autor tenha de nos massacrar com demasiadas descrições.

De um ponto de vista global, este é um livro ao nível da saga. O seu fim é bem conseguido mas o livro não se destaca dos restantes. Inteligente e viciante esta é uma trilogia que agradará aos fãs do romance histórico com uma boa mistura de ação e espionagem que procurem uma boa intriga.

Luís Pinto

terça-feira, 7 de junho de 2016

A CONSPIRAÇÃO DOS TUDOR


Autor: C. W. Gortner

Título original: The Tudor conspiracy



Sinopse: No inverno de 1554, Maria Tudor é a rainha de Inglaterra e os seus inimigos estão aprisionados na Torre de Londres. O seu iminente noivado com Filipe de Espanha, com o objetivo de assegurar o catolicismo no reino, coloca os súbditos protestantes em perigo. Então, os rumores de uma conspiração para levar ao trono a sua irmã, a princesa Isabel, adensam-se.
O tempo de refúgio do espião Brendan Prescott chega ao fim quando inquietantes notícias o fazem partir numa arriscada missão e ajudar Isabel em cativeiro. Prescott regressa assim ao palácio, onde quase perdeu a vida, sob a identidade de Daniel Beecham, e enceta um jogo mortal de gato e rato com um perigoso e enigmático adversário.
Numa corrida contra o tempo para recuperar um maço de cartas cujo conteúdo pode conduzir Isabel ao trono ou condená-la à morte, Prescott descobre que, num submundo de traições e intrigas, os amigos e os inimigos facilmente se confundem e o poder é de tal maneira supremo que pode levar uma irmã a voltar-se contra outra.



Este é o segundo livro da saga e em alguns aspetos consegue ser melhor do que o anterior. Agora que muito da trama e personagens já são conhecidas dos leitores, o autor começa a aprofundar conceitos, principalmente os motivos e medos de cada personagem. O enredo é bom, bem pensado e capaz de agarrar, levando-nos a vários momentos de surpresa. No entanto são as personagens que fazem a diferença, porque terão decisões que não esperava.

O autor tenta constantemente criar uma narrativa cheia de suspense. Na grande maioria das páginas consegue-o com facilidade, prendendo o leitor ao não concretizar algumas ideias na fase inicial do enredo e também por deixar a noção de que muito não está a ser dito. É fácil perceber que os personagens estão a esconder algo, mas é complexo perceber realmente os seus planos, e é aí que o autor consegue triunfar.

Em termos de escrita e de ambiente, o autor mantém o nível do livro anterior. Facilmente entramos nesta era, nestes cenários e na mentalidade das pessoas. Apesar de nunca ser exaustivo, a imagem dada do que rodeia este enredo é bem conseguida. Percebemos o porquê de algumas decisões e vemos o peso que política e religião têm a cada instante, levando a um ambiente ainda mais pesado.

Em relação às personagens, prefiro não falar de nomes, mas existem duas que me agradaram bastante, principalmente porque neste livro fiquei a conhecê-las muito melhor. Se o autor conseguir manter a coerência até ao fim da trilogia, então teremos aqui personagens com as quais é fácil criar interesse para ver como irão terminar a narrativa.

Globalmente este livro está ao nível do anterior. O seu ritmo é menos constante, mas nunca perde o rumo. A sensação de que estamos a ser enganados faz a diferença, o ambiente é realista e o autor demonstra um bom conhecimento da época com detalhes interessantes. Pelo meio existe um aprofundamento das personagens e acredito que o leitor que chegue até aqui já não consiga largar esta trilogia sem a ler até ao fim.

Luís Pinto

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

O SEGREDO DOS TUDOR


Autor: C.W.Gortner

Título original: The Tudor secret



Sinopse: No verão de 1553, Brendan Prescott é chamado à corte inglesa dos Tudor para se tornar escudeiro de Robert Dudley. Na mesma noite em que chega à corte, Lorde Robert encarrega-o de entregar secretamente um anel à princesa Isabel.
Frente a frente com a emblemática princesa, e depois de ela se recusar a aceitar a joia, o jovem escudeiro percebe que se encontra no meio de uma trama de conspirações e mentiras. Os Dudley planeiam uma traição mortal contra o rei Eduardo VI e as suas duas irmãs Maria e Isabel com um único fim: chegar ao trono.
Destemido e convicto de que o que vai fazer é o melhor para Inglaterra, Brendan Prescott alia-se a Isabel e aos seus protetores. Torna-se assim um agente duplo em defesa da coroa, contra a ambição desmedida dos Dudley.
Num enredo misterioso envolto em intrigas, perseguições, assassínios e corrupção, Prescott acaba por descobrir também as suas verdadeiras origens e a sua própria história. Uma história que esconde um segredo muito mais perigoso e mortal do que ele alguma vez poderia imaginar.



A Corte dos Tudors é, certamente, dos temas mais escritos dentro do género "Romance histórico". Época que mudaria a componente política e social da Europa, é famosa pelas intrigas, vinganças, loucuras de amor e traições. É nessa base que assenta o enredo deste livro que é, essencialmente, um livro com um bom rigor histórico.

O que devo destacar no início da leitura é a escrita simples de Gortner que, apesar de formal, encaixando nos padrões da época, é capaz de nos convidar a entrar no enredo com grande facilidade. Todavia, o enredo não me agarrou de imediato, pois tudo parecia demasiado simples, forçado em alguns pormenores que estavam a fazer a diferença. Esta sensação passou quando o autor começa a explorar a intriga, começando a oferecer detalhes, mas as perguntas, derivadas de alguns acontecimentos que pareciam forçados, permaneceram durante muito tempo, levando a que a leitura fosse rápida, mas também "desconfiada" porque sentia que o autor me estava a esconder algo.

E aos poucos tudo começou a fazer sentido. A intriga começa a revelar-se mas, mais importante, o autor consegue criar uma sábia mistura entre ficção e factos que nos levam a ler sem sentirmos que o enredo não encaixa. Este é o ponto alto do livro: o rigor histórico do autor que nos empurra para dentro do enredo sem nos cansar. A isso junta-se um bom conjunto de personagens, grande, por vezes complexo, com algumas personagens que não marcam o livro, mas com outras que o definem, principalmente Isabel.

E é suportado por estas personagens que o enredo começa a ganhar peso, sendo cada vez mais abrangente em relação aos principais temas da sociedade. É verdade que dentro dos temas "política", "religião" ou "tradições sociais", alguns factos são mais explorados do que outros, mas também é verdade que este livro tem continuação, e por isso nem tudo terá de ser demonstrado no primeiro livro. 

No fim a sensação é que tudo encaixou e pormenores que no início não faziam sentido, ou que não tinham sido revelados, no fim conseguem encaixar. É verdade que algumas respostas ficam para o próximo livro e alguns temas estão em aberto, mas no global este é um livro que se aguenta sozinho. O que Gortner tentou criar neste livro foi uma leitura que tem rigor histórico sem perder o ritmo necessário para não ser difícil de ler e o resultado é um romance histórico que não é exaustivo, que poderá não agradar aos leitores que gostem de leituras muito pesadas em termos de detalhes históricos, mas compensa isso com um bom ritmo e no fim ganhamos um livro equilibrado com bom rigor histórico e sem momentos exaustivos. Se gostam do género, este livro pode ser uma boa escolha, porque apesar de não ser do melhor do género, está bem estruturado e pensado ao ponto de não nos largar. Fico à espera para ver como serão os próximos!

Luís Pinto