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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

CLUBE DE PATIFES


Autor: Dan Simmons

Título original: The Crook factory


Sinopse: Cuba. 1942. Ernest Hemingway descobre um segredo tão perigoso que só há uma fuga possível: o suicídio. Um thriller soberbo baseado em factos verídicos e com uma versão arrepiante para a verdadeira razão da morte do escritor. No Verão de 1942, Joe Lucas, agente do FBI, chega a Cuba por ordens de J. Edgar Hoover para manter Hemingway debaixo de olho. O famoso escritor reunira um grupo, a que chamara Clube de Patifes, para se envolver num perigoso jogo amador de espionagem. Mas é então que Lucas e Hemingway, contra todas as expectativas, descobrem informações secretas vitais... e o jogo torna-se verdadeiramente mortal. Em Clube de Patifes, Dan Simmons desenvolve os factos conhecidos e transforma-os numa grande obra de suspense histórico nas paisagens sensuais da Cuba dos anos quarenta.



Dan Simmons é mundialmente conhecido pela sua saga Hyperion, mas em Portugal são outros os livros que o tornam famoso. Simmons consegue agarrar um facto histórico e com facilidade criar um enredo empolgante e com inteligência, levando-me a querer descobrir que final o autor nos preparou. 

Tal como em "O Terror", que já comentei há uns anos no blog, Simmons apresenta um notável trabalho de pesquisa que tem como resultado conseguir criar um enredo onde é difícil perceber onde acabam os factos e começa a ficção. Este é o maior elogio que se pode dar a este livro, mas também é preciso salientar a forma como o autor consegue montar o enredo. Simmons estrutura a narrativa por forma a não nos dar informação "à balda", mas sim com um sentido que ajuda à progressão da história. Todavia nem tudo é fantástico e até meio do livro o ritmo é bastante baixo, com o autor a criar uma base sólida para o seu enredo sacrificando o ritmo.

Na segunda metade do livro a narrativa acelera bastante, com momentos muito bem executados que agarram definitivamente o autor. A força do ritmo nesta fase final apenas é conseguida porque já temos o conhecimento necessário para percebermos tudo o que está a acontecer, e esse conhecimento é fornecido na primeira parte do livro. Caso para dizer que o sacrifício das primeiras páginas é muito recompensado no final.

Em termos de personagens também temos um fantástico trabalho de pesquisa, com o autor a manipular personalidades históricas para as encaixar no enredo, mas sem nunca perder como base os factos históricos. São vários os nomes famosos que irão reconhecer neste enredo e apenas não revelo alguns para não estragar algumas surpresas. No entanto, Hemingway destaca-se facilmente para encher o livro com algumas ideias e questões morais que marcam o livro mesmo que indiretamente.

Por fim devo salientar o trabalho do autor em nos explicar como funcionam alguns tópicos nos serviços de informações para que seja possível, ao leitor menos conhecedor, perceber a enorme teia de informações e interesses que vagueiam por este livro, sendo a base que explica algumas das decisões mais difíceis de compreender neste livro.

Simmons oferece um livro que apenas peca por ser muito lento na primeira metade. O trabalho de pesquisa é fantástico e o enredo encaixa muito bem nos factos históricos, criando um thriller que vicia na segunda metade e não nos larga até ao final. Não é o melhor livro do autor, mas se gostam do género e do tema, então preparem-se para uma grande e intensa viagem nas teias de espionagem com a companhia de Hemingway, e este será um personagem que não esquecerão tão cedo!

Luís Pinto

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O TERROR - vol.2 de 2

Autor: Dan Simmons

Título original: The Terror

Era apenas uma questão de dias até começar a ler este livro depois de ter lido o 1º Vol., visto que eram muitas as respostas que se pediam nas próximas páginas. Este livro, ao contrário do que estava à espera, não aumenta o ritmo tal como se previa no fim do 1º Vol. porque Dan Simmons não tenta apenas dar-nos a sensação constante de terror e de que tudo está perdido. Simmons, com um trabalho de investigação do melhor que já li neste género, continua a ensinar-nos, a explicar e a enquadrar-nos neste cenário de tentativa de sobrevivência. Este trabalho exaustivo, de grande valor na minha opinião, obriga o livro a ser lento, o que para algumas pessoas se poderá tornar num livro pouco viciante. Mas, tal como nos filmes e na música, há obras que são viciantes, outras que são boas, os dois factores não estão necessariamente ligados, e de uma coisa vos posso garantir: dentro do género de terror, poucos livros têm esta qualidade pois a grande maioria limita-se a promover o próprio terror.
Tendo um ritmo lento pelo que acabei de explicar, O Terror não é um livro de terror puro, é antes um romance histórico em que sentimos esse “nevoeiro” quase imaterial de medo, e tal acontece porque Simmons nunca “descola” da base verídica da história, não a tornando numa história centrada na acção nem nas decisões absurdas que por vezes encontramos noutros livros e que servem apenas para promover a sensação de terror.
Em relação à história, penso que está muito bem conseguida, com uma forte ligação à realidade, com acontecimentos imprevisíveis e sem aqueles momentos em que percebemos de forma óbvia que certa personagem vai morrer.
Sobre as personagens não há muito a dizer. Existem três neste livro que são muito bem construídas e dão outra dinâmica à sensação de que a salvação não existirá para este grupo, ao desespero e à força de sobreviver, de vingança, de loucura. No entanto gostaria de ter mais personagens que fossem mais exploradas, mas isso levaria a um aumento de páginas, num livro já grande, que poderia ser prejudicial à leitura.
De salientar uma vez mais, tal como fiz no livro anterior, que a junção da narrativa da história com os diários escritos por personagens dão um toque de “ar fresco”, com um ritmo e escritas diferentes, sem nunca perder a capacidade de sentirmos o que a personagem sente e teme. Muito bom.
O que torna este livro muito bom, não é a ideia base, nem as personagens, nem a história em si, (apesar de nestes factores a qualidade ser boa) mas a excelência do livro está no facto de ser completo. Simmons não cria um livro virado para a origem do terror, mas sim para várias. Os marinheiros morrem devido a doenças, a medos que os consomem, a um inimigo sobrenatural, à falta de fé, mas no entanto o grande inimigo é o próprio Homem, pela sua ganância, pela sua loucura e desespero que lhes rouba a lógica. Nós somos o maior monstro para nós próprios mesmo numa situação de tão grande desespero e necessidade de união.    
Este livro é muito bom porque demonstra como a falta de entendimento é o maior catalisador para o terror, como o medo em lidar com esse próprio terror nos consome, e como uma civilização que se acha evoluída tem tanto a aprender com os chamados selvagens que vivem e conhecem os locais que nós julgamos conhecer, que sabem de forma quase primitiva viver onde outra civilizações “superiores” não conseguem porque não querem aprender com inferiores ou porque simplesmente acham que nada têm a aprender.
O final é imprevisto, agradará a alguns, outros certamente não gostarão tanto. Mas vendo o livro como um todo, penso que se encaixa e um dos poucos que não tornaria o final ridículo.  
Resumindo, O Terror não é um simples livro de terror. É um romance histórico muito bem detalhado, mostrando que Simmons teve um enorme trabalho de investigação e que este livro não se escreveu “num dia”. Um livro que é quase um retrato da sobrevivência humana e suas fragilidades físicas e mentais. 
É muito mais do que um livro de terror.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O TERROR - vol.1 de 2

Autor: Dan Simmons                    

Título original: The Terror

Sinopse: Na primavera de 1845, Sir John Franklin comanda uma expedição de dois navios e 130 homens numa viagem arrojada para o distante e desconhecido Árctico. O seu objectivo: encontrar e mapear a lendária Passagem do Noroeste que, supostamente, ligará os oceanos Atlântico e Pacífico. Dois anos depois, a expedição, que começou sob um espírito de optimismo e confiança, enfrenta o desastre. Franklin está morto. Os dois navios (o Erebus e o Terror) estão fatalmente presos nas garras do gelo. As rações e o carvão escasseiam e os homens, mal preparados, lutam diariamente para sobreviver ao frio letal. Mas o seu verdadeiro inimigo é bem mais aterrorizador. Existe algo à espreita nas trevas glaciais: um predador oculto que captura marinheiros e abandona os seus corpos na vastidão de gelo...

Quando peguei neste livro voltei a reparar que na sua capa estava escrito “Baseado numa história verídica.” Este tipo de histórias sempre me deixou algo apreensivo visto que por vezes o resultado é muito bom, outras vezes desastrosos. Não basta ter uma boa história de base, é preciso percebê-la e criar então algo novo que se destaque. Dan Simmons detém um número significativo de prémios importantes e nomeações para olharmos a sua obra e sabermos que tem qualidade, mas conseguiria ele viciar-me nas suas quase 800 páginas (soma do volume 1 e 2)? Teria Simmons um livro interessante ao ponto de me fazer ler tantas páginas quando a acção do livro se passa sempre no mesmo local?
Na minha modesta opinião, quando um escritor começa um livro que tem como base uma história verídica, grande parte do trabalho está feito à partida: o tema base, o ambiente que envolve a história, as personagens são por vezes históricas, com personalidades e experiências de vida bem delineadas. Por outro lado tal livro necessita sempre de um grande trabalho de investigação sobre cada linha que se escreve, e nesse ponto Simmons fez um grande trabalho ao contrário de muitos outros escritores que pegam numa história, “metem” uma quantidade de magia e monstros e acham que chega. Simmons tem um conhecimento profundo da história, do ambiente e mentalidades, e da arte da navegação, conhecimentos meteorológicos, do próprio gelo, sobrevivência em condições de enorme frio e até construção de barcos. No mínimo senti que se tratava de um verdadeiro conhecedor a falar sobre a sua arte, Simmons está de parabéns.
Simmons escreve palavras fáceis que empolgam à leitura e este aspecto para mim é importantíssimo: sendo este um livro de Terror, penso que uma escrita fácil e apelativa é sempre mais eficaz para criar o ambiente pretendido, pois na minha opinião uma escrita muito complexa e elaborada deixa para trás essa sensação de medo a meio da frase. O autor cria um livro que imediatamente agarra, pois a cada capítulo saltamos cronologicamente entre o Passado e o Presente, e se no Presente começamos a perceber que algo está mal, é no Passado que o vamos perceber. Neste aspecto muito jeito me deu o mapa da viagem, com as suas datas e percursos. De realçar ainda a mistura de capítulos que relatam a acção normal dos acontecimentos com outros capítulos que se apresentam em forma de diário de um tripulante. Uma mistura agradável que ajuda a desanuviar graças a dois tipos de escrita que se mostram bem diferentes.
Simmons consegue realmente agarrar-nos com o seu ambiente, com o instinto de sobrevivência das suas personagens, com o limite que qualquer um de nós alcançaria para viver, e é esse ponto de desespero que eleva a história, o querer sobreviver. Infelizmente achei que algumas personagens foram pouco desenvolvidas. Simmons concentra-se essencialmente na acção, na dúvida e suspense que nos tenta transmitir e apesar de ter boas personagens penso que as podia explorar mais. Mas como apenas li o primeiro volume de dois ainda é cedo parar retirar qualquer tipo de opinião sobre se será bom ou mau o pouco desvendar das personagens, ou mesmo se tal irá mudar ou se fará parte do próprio suspense.
Sem falar muito da história devo dizer que até agora me agradou. Simmons começa por nada desvendar nas primeiras páginas, mas o leitor percebe que algo não está bem. Nas últimas páginas deste livro muito é revelado e tal facto levantou-me a questão de que talvez estas revelações sejam o início de um novo ritmo para o próximo livro.
Como estou a meio é difícil dizer que Simmons criou um livro que considere realmente bom, mas o facto é inquestionável para quem apenas leu metade da história: Simmons tem um trabalho muito bem conseguido na investigação de detalhes preciosos, criou uma fantasia que para mim (para já) se enquadra na perfeição com a história verídica que tem como base e agora apenas espero que as personagens se desenvolvam. Talvez o crescente medo em cada uma delas sejam o necessário para conhecermos mais profundamente estes marinheiros, em especial Crozier que considero até agora a melhor personagem.
Darei uma opinião mais objectiva quando acabar de ler o volume dois e consequente fim da história, e acreditem que não demorarei muito a fazê-lo, pois realmente foi um livro que apreciei pela qualidade.
Uma última palavra para a editora que nos oferece uma capa muito bem conseguida, muito diferente de qualquer outra que tenha visto.