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terça-feira, 1 de outubro de 2013

A TRAVESSIA


Autor: Wm. Paul Young

Título original: Cross Roads


Sinopse: Anthony Spencer é um empresário de sucesso, um homem orgulhoso e egocêntrico que não olha a meios para conseguir os seus objetivos. Um dia, o destino prega-lhe uma partida: um AVC deixa-o nos cuidados
intensivos, em estado de coma. Entre a vida e a morte, Anthony vê-se num mundo que espelha a dor e a tristeza que tem dentro de si. Confuso, sem compreender exatamente onde está e como foi ali parar, viaja pela sua consciência para compreender quem realmente é e descobrir tudo o que tem perdido ao longo da vida: a esperança, a amizade genuína e o amor verdadeiro, sentimentos que há muito o seu coração deixara de sentir. Em busca de uma segunda oportunidade, Anthony fará uma jornada de redenção e encontro com o seu verdadeiro ser.


Depois do enorme sucesso que foi "A Cabana", que ainda não tive a oportunidade de ler, Paul Young chega a Portugal com "A Travessia". A sinopse pareceu-me muito interessante e decidi arriscar. No global o livro foi uma excelente surpresa, principalmente porque é muito menos virado para a religião do que estava à espera. O que quero dizer com isto é que o livro não impõe uma ideia religiosa e tal é fundamental para que qualquer pessoa, crente ou não, se identifique com o livro. Claro que o livro passa uma mensagem ligada à religião cristã enquanto caminho, mas nunca senti que o autor tentasse impor uma ideia ou uma obrigação religiosa.

Sendo assim, o livro leva-nos mais para a descoberta de nós próprios e do que é a vida, e menos para a descoberta do divino. O enredo encaminha o leitor para situações que nos levam a criar várias perguntas, principalmente sobre os acontecimentos da vida, a forma como os encaramos e que marcas nos deixam.

Neste género de livros o enredo torna-se quase secundário, pois o principal é passar uma mensagem ou levar o leitor a questionar e refletir, mas é preciso dizer que neste aspeto é muito interessante a forma como o autor tenta dar forma e juntar todos os conteúdos do livro, acabando por proporcionar momentos alegres e outros comoventes. Com este oscilar o livro torna-se mais agradável também graças à escrita simples do autor que me parece a ideal para não dificultar a leitura. Este é um livro que pede para ser lido devagar e com espírito para questionar e construir uma ideia sólida. Em muitos casos existem livros que ao tentarem passar uma filosofia, acabam por exagerar ou saturar, destruindo o ritmo de leitura, mas neste caso tal não me aconteceu.

É, essencialmente, um livro que explora a forma como olhamos o nosso passado e principalmente o que de mal aconteceu na nossa vida, quer tenhamos culpa ou não. É uma busca para percebermos como por vezes baixamos os braços e nos resignamos, ou então fugimos de problemas, afastando o que nos perturba e, em muitos casos, afastando quem nos rodeia. Obviamente cada leitor terá aqui uma experiência diferente graças à interpretação destas ideias mas principalmente porque as iremos associar às nossas experiências de vida. Remorsos, fugas, momentos de coragem ou rejeição, um pouco de tudo é explorado porque as podemos associar às nossas vidas. Por fim, é um livro que nos pergunta, de forma indireta, até que ponto o perdão de outros, ou de nós mesmos, nos pode levar a uma cura física ou espiritual. 

Não sabendo se este livro está ao nível de "A cabana", a verdade é que esta leitura foi muito interessante. O autor explora filosofias e expõe ideias sem as impor. O final é mesmo muito bom e, novamente, caberá a cada leitor tirar as suas conclusões. Se gostam deste género de livros, esta leitura é mesmo muito interessante e de leitura bastante fácil.

Luís Pinto

Podem ler as primeiras páginas deste livro clicando aqui.