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sábado, 18 de junho de 2011

DUNA

Autor: Frank Herbert

Título original: Dune

Ficção científica é um género literário que me seduz desde pequeno, e desde pequeno que a reputação de Duna me chegou aos ouvidos. Porém, devido a vários factores, só há pouco tempo comecei a ler este livro que é considerado por muitos como o melhor livro de ficção científica de sempre. Podendo não ter um nome tão sonante neste género como H. G. Wells, Robert Heinlein ou Isaac Asimov, Herbert tem na saga Duna o seu grande momento, principalmente neste primeiro livro e torna-se num marco incontornável no género.
Duna é um livro que se desenvolve à volta de dois pontos: a vasta intriga política de interesses de poder e dinheiro, e o enorme conflito familiar. Mais não revelarei.
 Desde cedo o universo criado por Herbert é-nos apresentado como se o conhecesse-mos desde crianças, não nos dando espaço para apresentações ou explicações. É-nos pedido então uma ginástica mental para ler, decorar e perceber mais à frente o que anteriormente foi narrado. De salientar neste ponto que os Apêndices apresentados no fim do livro são de grandiosa importância desde a primeira página.
A história começa com a nomeação do Duque Atreides para governar o planeta Arrakis, conhecido por Duna. Coberto por areia e castigado pela força do sol, este planeta é o local onde ninguém deseja estar, mas é também o único planeta onde se pode encontrar a preciosa especiaria. Juntamente com esta especiaria vem poder e dinheiro, e tal conjunto traz sempre mais perigos do que os desejados. Não adiantarei mais a história, porque apesar de muito boa, não é nela que reside o grande trunfo deste livro. As personagens são muito bem conseguidas, com Paul Atreides como principal, mas é o planeta que faz este livro funcionar. Com um detalhe que nunca tinha visto num livro de ficção científica, Herbert vai-nos deslumbrado com pequenas noções de ecologia, zoologia, biologia, etc… até acabar com os conceitos bases de uma sociedade preparada para aproveitar a água a uma escala que me deixou de boca aberta. Os pormenores são simplesmente deliciosos.
Confesso que gostei da intriga política, tal como da personagem Paul Atreides, dos Mentat (grupo de homens treinados desde crianças para desenvolverem a mente, tornando-os em mentes lógicas capazes dos mais complexos cálculos e previsões lógicas sobre o que os rodeia), e das Bene Gesserit (não explicarei o que são para não estragar a agradável surpresa que aos poucos a história nos revela), mas é o planeta que me encanta com os hábitos e costumes da sua população. É aqui que Herbert mostra o seu brilhantismo e não revelarei qualquer exemplo porque este é um livro que deve ser lido. O seu tamanho pode assustar mas no fim o leitor é recompensado quando o fecharem e pensarem em tudo o que acabaram de ler.
 Para finalizar uma pequena vénia aos diálogos. Entre os melhores que já li, capazes de nos darem a conhecer as personagens, de nos mostrar mais sobre Duna e que ajudam a ficarmos presos a este planeta. De salientar também que a união dos pensamentos das personagens durante os diálogos é também muito boa e que ganham um valor ainda maior quando lemos este livro pela segunda vez, ajudando-nos a ver coisas que antes nos tinham passado ao lado. O facto de todos os capítulos começarem com um texto supostamente criado por uma personagem num futuro após o fim do livro, ajuda não só na compreensão como também nos deixam alguma vontade de continuar a leitura da saga.
Em resumo devo dizer que Duna é um grande livro, um dos melhores do seu género. O planeta criado, com todas as suas características e filosofia presentes, torna Duna num dos mundos mais complexos que podemos ler, e ficamos a perceber o porquê de o considerarem o “O Senhor dos Anéis” da ficção científica.
Respirem fundo, ganhem coragem para ler as suas quase 600 páginas e mergulhem neste mundo de areia e montanhas!