Autor: Ian McEwan
Título original: Atonement
Se há época que me interesse particularmente é a Segunda Guerra Mundial. Costumo ler e ver tudo sobre esse momento da História e portanto seria apenas uma questão de tempo até ler este livro.
O único que até hoje li deste autor, fala-nos de uma rapariga que desejava ser escritora e na sua infância vê, ou julga ver, algo que mudará a vida de outras pessoas a partir do momento em que as revelar.
Tentando revelar o mínimo possível da história, devo dizer que o autor leva-nos de seguida para a defesa de França contra a Alemanha Nazi. As descrições são boas, os diálogos interessantes mas não é pelo “tema” da Segunda Guerra Mundial que este livro se eleva acima de outros. McEwan, de quem não conhecia realmente nada, revela-se como um excelente escritor ao mostrar-nos o interior de cada personagem, mais do que pelas descrições ou diálogos que cria. Fiquei realmente surpreso pela sua capacidade de aos poucos nos revelar um pouco mais de cada personagem.
Mas, para mim, e isto é claramente um gosto pessoal, a história é o que mais interessa. E nesse aspecto este livro mostrou-se algo banal durante a sua grande maioria e confesso que por algumas vezes pensei que estava apenas a ler mais um livro sobre uma história de amor impossível… mas então porque teria a revista Time considerado este livro como um dos melhores 100 romances de sempre?
Continuei a minha leitura sem nunca sentir aquele entusiasmo que outros grandes livros me deram. Há realmente bons momentos, a chegada à praia pelos soldados ingleses para serem resgatados, ou a conversa entre uma enfermeira e um Francês à beira da morte… mas não conseguia ver este livro como obra-prima… até chegar ao fim.
Como estava enganado. McEwan, com um final verdadeiramente assombroso, criou um livro que perdurará como um dos melhores de sempre e duvido que algum dia consiga repetir tal sucesso. É aliás, a ideia de como acaba o livro, que associada à sua escrita muito investigadora da mente humana, que torna este livro obrigatório. É um livro que pelo seu final marca qualquer um, ao ponto de lermos novamente o livro só para nos sentirmos mais angustiados agora que sabemos o que está par vir, e confesso que a segunda leitura que fiz foi bem mais entusiasmante do que a primeira.
O que é a angústia? O remorso? Haverá sentimento mais corrosivo do que o remorso? Que sentimento é esse que nos impede de ser feliz, de aproveitarmos a felicidade que nos aparece porque no interior sabemos que não somos merecedores? Este é um livro sobre este sentimento. Até onde nos poderá levar essa dor? A esquecermos o que nos envergonha? A imaginarmos ser castigados pelo que fizemos? Proibimo-nos a nós próprios de sermos felizes enquanto esse sentimento perdure?
McEwan escreveu um livro que nunca esquecerei, que a alguns não dirá nada, mas que a mim me marcou muitíssimo por ser tão diferente de tudo o que li enquanto nos levanta indirectamente várias questões de até onde pode ir uma mente destroçada e enojada consigo mesma. Qual de nós nunca sentiu remorsos por algo que disse ou fez? Ou até que apenas pensou?
Talvez se os remorsos realmente matassem, nós estivéssemos todos mortos…
