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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

MAGO - A Senhora do Império


Autor: Raymond E. Feist & Janny Wurts

Título original: Mistress of the Empire





Visto que a sinopse deste livro releva algo que não quero desvendar aqui, não a coloco nesta análise. Se gostam da saga e se estão a pensar comprar este livro, não a leiam... leiam antes o livro, que é mesmo, mas mesmo, muito bom!

Este fim da Saga do Império é um livro grande e com um ritmo inconstante, resultado de muitos momentos de ação mas também de muitas conversas políticas que "travam" o livro para que não seja possível ao leitor esquecer todos os contornos e influência da trama central neste mundo Tsurani.

O livro começa com um acontecimento marcante e que revoluciona todo o enredo. Enquanto leitor, sabemos o que está para vir após esse acontecimento, mas não percebemos como tal será alcançado, e está aí o segredo e trunfo do livro. Feist e Wurts conseguem aprofundar a teia política a um nível que eu não esperava e, se por um lado estes momentos mais políticos quebram o ritmo do livro, são também estes momentos que tornam esta obra melhor do que a maioria. 

Claro que os momentos de ação são os que mais gostamos, com as personagens a passarem por perigos, sendo levadas ao limite, mas é nos diálogos e na política que vemos a mestria do livro. Os diálogos são inteligentes, têm significados e rasteiras, e mesmo as personagens menos importantes têm algo a dizer. Neste aspeto, com o adensar da trama política, muitas personagens são introduzidas durante estas várias centenas de páginas e por vezes parece que nada oferecem ao livro, mas é falso. Cada uma tem um modesto peso na equação política final que levará este enredo para um nível superior de consistência e credibilidade. 

Um dos aspetos que mais gostei foi o adensar da liderança imposta a este povo. O livro leva-nos a perceber os poucos aspetos que ainda não tínhamos observado. A forma como o povo é controlado era algo que ainda não tinha sido explorada nesta saga, mas agora temos aqui todas as respostas. Para isso, várias personagens já conhecidas regressam, outras desaparecem, mas no fim a sensação é a de compreensão sobre um povo oprimido e levado pela guerra. As comparações entre povo Tsurani e os muitos povos que conhecemos na História da nossa humanidade são inevitáveis, levando-nos a compreender melhor como um povo se pode resignar porque não conhece melhor, mas esta mistura de culturas está aqui muito bem conseguida, sem parecer forçada.

A religião, a honra e resignação, misturadas com o sacrifício das personagens mais principais, levam-nos a identificar uma mistura de várias culturas que já conhecemos, e que Feist aqui organiza de forma invejável, criando um jogo político que catalisa todo o enredo.

Não me é fácil falar deste livro sem revelar momentos deste ou dos anteriores momentos da saga. Mara é uma personagem muito bem criada e com a qual ganhamos uma ligação durante todas estas páginas. O final da saga, sempre importante para o que fica na nossa memória, é muito melhor do que eu estava à espera. Surpreendeu-me, marcou-me e fez-me pensar, mas, acima de tudo, foi coerente e inteligente. Esta Saga do Império é uma das melhores sagas de fantasia que já li. Pode não ser das mais entusiasmantes mas tem um fantástico mundo onde se desenrola e no global tem uma qualidade inegável, bem demonstrada nas notas muito altas que apresenta no Goodreads. Grandes personagens, grandes momentos, muito coerente e no final temos um dos olhar mais profundos e inteligentes a uma das melhores sociedades que já li. Se, ao ler a saga inicial de O Mago, tinha ficado com a sensação que o mundo Tsurani era fantástico, agora tenho a confirmação. Mesmo muito bom e totalmente recomendado, principalmente se a lerem de seguida!  

Luís Pinto




segunda-feira, 10 de março de 2014

O MAGO - A serva do Império - vol.2


Autor: Raymond E. Feist & Janny Wurts

Título original: Servant of the Empire


Sinopse: Os tempos mudaram e as formas de poder são hoje mais subtis e traiçoeiras. Nenhum clã pode sobreviver sem conhecer as intrigas do Jogo do Conselho. E todos o sabem. Mara dos Acoma está mais implacável do que nunca. Com a vida do seu filho em perigo e a continuidade da sua Casa ameaçada, a Senhora dos Acoma usa de todos os meios para controlar a crueldade dos seus inimigos.
Dotada de uma destreza intelectual invulgar, Mara dos Acoma coloca em causa não só as tradições dos Tsurani, como as suas próprias convicções. Neste jogo de sentimentos e poder, poderá não haver um vencedor…



Mais um grande livro de Feist (em conjunto com Wurts) neste universo de O Mago. Depois dois livros nesta saga (saga Filha do Império) que exploraram bastante a intriga política, este consegue fazer melhor, pois expande essa intriga e aprofunda o mundo onde decorre, sem esquecer que são as personagens o núcleo do enredo. Sendo a 2ª metade do livro original, o enredo começa forte logo nas primeiras páginas e de imediato fiquei agarrado por um simples facto: este é o livro que mostra como ficou Kelewan desde o "show" feito por Pug antes de voltar a Midkemia. Há muito tempo que questionava quais teriam sido as mudanças na sociedade após tamanho evento e essa curiosidade aumentou ainda mais com os dois livros anteriores desta saga, onde comecei a perceber a magnitude do jogo político travado neste mundo. Valeu a pena esperar!

No entanto, apesar do enredo começar logo ao rubro, o ritmo da narrativa nunca é alto. Nunca o foi neste universo e o estilo mantém-se, com descrições fortes, inteligentes e essenciais para percebermos cada vez mais esta civilização. E aos poucos, o trabalho nota-se, pois sentimos que conhecemos mais de Kelewan do que, por exemplo, Midkemia. É esta a qualidade e a profundidade que os autores oferecem neste enredo, por forma a percebermos todas as ligações desta teia que é o jogo político. O livro está progressivamente a aprofundar costumes, religião, hábitos e formas de sobreviver usadas por este povo, e é este conhecimento global, e que nunca é o principal no livro, que torna tudo tão coeso, pois sem este conhecimento a complexidade do jogo político nunca seria compreendida pelo leitor.

Mas o principal do livro continua a ser Mara, uma personagem feminina única, muito bem criada, sendo ao mesmo tempo surpreendente e consistente. E é com Mara que o livro evolui, pois tal como Mara se torna mais influente, as suas decisões tornam-se complexas e com maiores responsabilidades, pois influenciam um universo muito maior... e por isso é preciso dizer que com a evolução de Mara o livro também evolui, aprofundando este mundo. E de mãos dadas, enredo e personagem principal, constroem uma base que nos obriga a continuar a ler.

É interessante ver como Mara agarra o leitor. A rapariga, que lemos nas primeiras páginas da trilogia, está agora longe de se reconhecer. Com ela, outras personagens ganham a nossa atenção, quer sejam os "bons" ou os "maus", e Feist sempre conseguiu criar bons vilões, mas também heróis marcantes, e Mara será, certamente, uma das suas maiores criações. Outra personagem interessante é Kevin, e aqui é preciso dizer o seguinte: Kevin é a personagem que faz o contraste entre os dois mundos, duas realidades diferentes, duas sociedades totalmente distintas. É com Kevin que duas mentalidades chocam e é com ele que vemos olhares diferentes sobre escravatura, honra e religião. Existe uma crítica escondida em vários diálogos e que também servem para aprofundar, novamente, este mundo.

Todavia, é impossível não olhar para este livro apenas como uma metade e quando juntamos os dois volumes e vemos o resultado, então estamos mesmo perante um grande livro e que tem uma fantástica base para acabar a saga em grande. Podia aqui mencionar personagens ou momentos marcantes, mas seria estragar o prazer que é ler estes livros. Feist é realmente um grande escritor porque sabe como envolver o leitor enquanto expande o enredo, e nunca ficamos saturados.

Bem estruturado, com diálogos inteligentes, boas personagens e um excelente mundo, com uma cultura vibrante, este é um livro inteligente e complexo. É interessante ver as movimentações das personagens e tentar antever as suas decisões, muitas vezes falhamos e somos surpreendidos, e Feist/Wurts oferecem um livro que se lê rapidamente. Venha o próximo, e rápido, para acabarmos uma das sagas mais aclamadas deste universo que Feist criou!... Afinal, o que é preciso para se mudar a ideia base de toda uma cultura?

Luís Pinto


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O MAGO - A Serva do Império


Autor: Raymond E. Feist & Janny Wurts

Título original: Servant of the Empire


Após ter lido o primeiro livro da saga do Império, estava com uma enorme curiosidade sobre a sua continuação. Neste 2º livro Feist e Wurts voltam a estar muito bem e o livro só sofre por ser apenas metade do livro original (que tem perto de 900 páginas!). 

O primeiro fator importante a destacar é o facto de, tal como no livro anterior, este enredo ser muito mais político e com menos fantasia do que as outras sagas presente no mundo de O Mago. Este jogo político é o grande trunfo deste livro e podemos dizer que se trata de uma mistura de várias civilizações da nossa História, como por exemplo a cultura japonesa onde a honra imperava, suaves toques da religião Budista, alguns traços de culturas tribais africanas e ainda as lutas políticas europeias com o poder da religião a comandar. Esta mistura está fantástica e vem confirmar o que disse logo nos primeiros livro que li de O Mago: o mundo de Kelewan é fantástico.

No início o enredo apresenta um ritmo lento, principalmente tendo em conta o livro anterior onde Mara começa de imediato a construir os seus planos. Este livro começa principalmente por construir a base que será necessária nas páginas seguintes, onde iremos ter o fulcral deste livro: o choque de civilizações. É neste choque que o livro assenta, e bem. Mara e Kevin serão os dois personagens responsáveis por mostrar as diferenças entre Kelewan e Midkemia e esta diferença será, certamente, muito importante para os próximos livros.

Estas diferenças servem, essencialmente, para uma crítica social que levará os personagens a pensar e a alterarem a sua forma de pensar e ver o mundo, e com isto novas possibilidades poderão aparecer, pois deixa de existir um conceito estático nas personagens que têm importância neste mundo. Sendo assim, a evolução de Mara é pequena mas muito importante. Os autores tentam ainda oferecer um olhar mais profundo sobre as dúvidas de Mara e como tal a influenciará.

Outro aspeto muito interessante é o facto de termos um olhar muito abrangente sobre os inimigos de Mara, e facilmente percebemos as jogadas de cada um e como as duas frentes se encaixam. Aqui o autor utiliza uma estratégia interessante de nos dar o planeamento de um lado e a reação do outro, e o leitor torna-se no único que percebe todos os fatores e onde estão as falhas de cada plano.

Com um ritmo que aumenta aos pouco, a segunda metade do livro torna-se muito mais interessante e a editora termina o livro num momento muito importante. As batalhas estão bem descritas, foi fácil perceber o que estava a acontecer e apesar de o ritmo baixar ligeiramente, nunca se tornaram em momentos menos entusiasmantes, pelo contrário. Nota ainda para o aprofundar da cultura de Kelewan, também graças ao choque de culturas que antes referi, e o livro ganha imenso com alguns pormenores interessantes sobre como estas personagens encaram a vida e as leias do Império.

Para finalizar, este livro era exatamente o livro que estava à espera desde a primeira saga de O Mago. Não querendo revelar nada, a verdade é que todos nós, quando lemos uma saga paralela a outra que já conhecemos, procuramos "junções" e este livro não só proporciona isso, e de forma brilhante, como abre as portas para algumas explicações no próximo livro, e essas explicações são as que eu procuro há muito tempo, pois estou agora perto de saber o que aconteceu depois de um determinado acontecimento.

Resumindo, este livro só perde por estar dividido, e quando é assim, prefiro deixar um comentário mais profundo para o fim da 2ª parte. É verdade que se assim não fosse, estaríamos perante um livro com mais de 800 páginas e que poderia afastar alguns leitores. Percebo a divisão e percebo em que parte do livro foi feita. Torna-se muito difícil não querer passar já para o próximo. Com a junção do próximo, este livro promete tornar-se num dos melhores do autor, e tendo em conta que estou a falar de Feist, é um grande elogio

Luís Pinto

quarta-feira, 20 de março de 2013

O MAGO - A Filha do Império


Autor: Raymond E. Feist & Janny Wurts

Título original: Daughter of the Empire



Mara era apenas o membro mais novo de uma família nobre. Nunca esperou que a súbita e chocante morte do irmão e do pai pudessem trazer-lhe tamanha responsabilidade. Apesar do seu sofrimento, cabe-lhe a tarefa de vestir os mantos da liderança e enfrentar as dificuldades. Mas embora inexperiente na arte política, Mara terá de recorrer a toda a sua força e coragem, inteligência e astúcia, para sobreviver no Jogo do Conselho, recuperar a honra da Casa dos Acoma e assegurar o futuro da sua família.


A Saga do Império é considerada uma das melhores obras de Raymond Feist e este livro demonstra-o. Com a história a decorrer durante a Guerra do Portal/Brecha (livros Aprendiz e Mestre), Raymond leva-nos ao fantástico mundo de Kelewan e dá-nos a conhecer Mara Acoma, e acreditem que é uma excelente personagem principal!

A base da história é a forma como Mara terá de crescer, sobreviver e vingar a morte dos seus familiares, no entanto o livro ganha uma identidade muito própria, graças a um intenso, e incrivelmente bem feito, jogo político ao nível do que vemos nos livros de George R. R. Martin. A fantasia, que caracterizou muito deste mundo de O Mago, é aqui quase inexistente, tornando esta leitura num cruel e calculado jogo político e militar onde raramente o leitor consegue adivinhar a próxima jogada.

Neste aspeto, a falta de uma maior importância da fantasia neste início de saga, pode deixar alguns fãs renitentes, mas rapidamente essa sensação se perderá, pois o mundo de Kelewan  respira nesta obra, com detalhes excelentes que definem uma civilização, desde aspetos sociais, religiosos mas também geográficos. Sobre esta civilização devo dizer que Feist e Wurts conseguem uma agradável mistura de várias civilizações. Sente-se influências da civilização romana e povos tribais (tal como já se tinha notado em O Mago - Mestre), mas também existe uma forte influência de civilizações orientais e que encaixa muito bem no que já conhecíamos de Kelewan.

Mara é o centro das atenções neste livro e com o seu olhar iremos ver o seu crescimento. Este crescimento não é fácil, principalmente quando Mara percebe que a linha que separa os bons dos maus é muito mais fina do que parece (muito mais fina do que na maioria dos livros de Feist). Mara irá perceber, juntamente com o leitor, que muitos momentos definem a nossa vida, mas poucos terão tanta importância quanto o nosso nascimento, e sobre esse nada podemos fazer... no entanto, o local, a família e o momento em que nascemos continuarão a influenciar as nossas decisões e oportunidades. E assim, durante uma vingança implacável, Mara perceberá que existem sempre efeitos colaterais, como em todas as grandes demandas da nossa vida.

A história está excelente, muito graças a fortes e coerentes personagens. Para início de saga, este livro tem um ritmo lento, pois os autores oferecem uma boa base de conhecimento ao leitor, principalmente em termos culturais, pois de outra forma, muitas das decisões poderiam parecer forçadas. No entanto, para mim a leitura nunca foi difícil visto que as personagens fazem mesmo a diferença. Mara está muito bem construída, e imediatamente me senti agarrado à sua vontade de vingança e as suas lutas interiores: determinação, dúvida, coragem, pânico... De realçar que as personagens secundárias conseguem sustentar toda a história, não só pela diversidade, mas principalmente pela forma como também ensinam o leitor, com as suas falas e decisões.

Resumindo, este primeiro livro é um excelente início de saga e percebe-se facilmente o porquê de ser uma das sagas mais famosas de Feist, que aqui se junta a Wurts para a criação de um excelente trabalho. É principalmente um livro de crescimento pessoal envolto num jogo político do melhor que já li. Se o "jogo de bastidores" for algo que gostem de ler, este livro será uma excelente compra. Várias personagens ficarão na vossa memória (apesar de ser estranho, o livro não perde interesse por não ter as personagens mais famosas, como Pug Jimmy ou Tomas) e ficamos com vontade de ler os próximos e ver quais os efeitos colaterais das ações de Mara. Totalmente recomendado!