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quarta-feira, 26 de setembro de 2018

UM ESTRANHO NUMA TERRA ESTRANHA - Vol.2


Autor: Robert A. Heinlein

Título original: A strange in a strange land




Sinopse: Valentine Michael Smith encontra na Terra uma realidade muito diferente da que experienciou em Marte. As crenças e os rituais sagrados que aprendeu em Marte em nada se assemelham aos que encontra na Terra. A própria existência de Valentine torna-o alvo de uma intriga política.
Neste 2.º volume de Um Estranho numa Terra Estranha, Robert A. Heinlein continua a apresentar-nos a história de Valentine e do seu processo de integração numa cultura marcada pela anarquia, partilha, amor livre e vida comunitária. Este clássico da ficção científica ainda hoje nos leva a questionar as nossas aspirações mais profundas e continua a despertar sentimentos fortes – por vezes contraditórios – nos leitores.


Neste segundo volume continuamos a história de Valentine. Sendo este o segundo e último livro, o enredo começa num bom ritmo, muito graças ao facto de as personagens já estarem devidamente exploradas, cabendo agora à narrativa desenvolver-se e aprofundar alguns detalhes no mundo que fazem a diferença em todo o enredo.

Valentine é, à sua maneira, um personagem fascinante, incrivelmente bem criado, levando-nos a explorar pontos de vista únicos e que encaixam bastante bem neste mundo criado. A originalidade de alguns momentos é realmente a grande diferença entre este livros e outros, porque nenhum outro explorou de forma tão simples e cortante alguns dos temas aqui aprofundados.

Com uma escrita simples mas direta, o autor leva o leitor a entrar numa montanha russa de momentos marcantes, decisões complicadas e questões que aprofundam a própria natureza humana, a forma como as sociedades estão estruturadas e os condicionalismos que fomos criando nas nossas sociedades, quer a nível pessoal, social, político ou religioso. E é nesta poderosa mistura que o livro se torna na obra prima que é, porque nos leva a questionar tudo, até a forma como olhamos para nós enquanto espécie dominante num planeta e enquanto comunidade. Que caminho estamos a seguir? O que poderia ser diferente? Até que ponto o caminho que percorremos está perto ou longe de ser o ideal?

E é assim, num bom ritmo e com uma poderosa crítica política e social que o autor nos agarra, nos faz pensar de forma vertiginosa, como se sentíssemos as suas palavras mesmo na nossa cabeça, prontas para plantar uma ideia, uma questão, e a partir daí começamos a pensar. É, no fim de tudo, um obra de ficção, mas que se torna aterradora pela forma crua como se aproxima da realidade e a explora indiretamente.

Sendo um livro claramente superior à grande maioria que explora estes temas, o que temos aqui é uma obra prima que durante anos foi aplaudido pela sua originalidade e capaz de levar o leitor a pensar. Tudo o resto que aqui não mencionei, como outras personagens, diálogos, ou até o final, são também de grande qualidade, mas o que o torna único é a sua visão singular do que somos enquanto espécie. Um livro intemporal que é muito mais do que um livro de ficção científica. É um livro para qualquer leitor.

Luís Pinto



quinta-feira, 15 de março de 2018

UM ESTRANHO NUMA TERRA ESTRANHA

 
Autor: Robert A. Heinlein
 
Título original: Stranger in a strange land
 
 
 
 
Sinopse: Há vinte e cinco anos, a primeira missão a Marte terminou em tragédia e todos os tripulantes morreram. Mas, na verdade, houve um sobrevivente. 
Nascido na fatídica nave espacial e salvo pelos Marcianos que o criaram e lhe ofereceram uma nova vida, Valentine Michael Smith nunca viu um ser humano até ao dia em que é descoberto por uma segunda expedição a Marte.
Ao regressar à Terra, vê-se pela primeira vez entre o seu povo. Começa então um percurso de aprendizagem dos códigos sociais e preconceitos da natureza humana, totalmente alienígenas para a sua mente. Nesse processo de descoberta e integração, Valentine irá partilhar com a Humanidade os rituais sagrados que aprendeu em Marte e retribuir com as suas próprias crenças sobre o amor e o sentido da vida. Mas conseguirá alguma vez deixar de se sentir um estranho numa terra estranha?
 
 
 
Este é um dos mais famosos e mais importantes livro de Ficção Científica alguma vez escritos. Ao ser lido hoje, pode parecer uma história já muito usada, com uma ideia base que não faz sentido, mas quando este livro foi lançado, abriu portas a uma nova imaginação, mas também criou várias perguntas, morais, sociais, biológicas, que nos fazem pensar que quando encontrarmos vida inteligente noutros planetas, as diferenças não serão apenas visuais.
 
Tendo uma base que por vezes faz lembrar O Livro da Selva, este livro de imediato agarra um leitor que goste deste género. Heinlein começa por desenvolver uma base coerente enquanto nos dá a conhecer uma personagem principal que será memorável. O que temos aqui é o olhar de um adulto ao ser inserido à nossa sociedade. O que ele dava por garantido é colocado de lado perante as novas regras e crenças dos terrestres, e com isso vem toda a crítica social que é o trunfo deste livro.
 
Enquanto as páginas avançam, também a crítica e o choque se tornam mais vincados. Quando acabamos este primeiro livro, vemos que a história é apenas a base para algo muito maior: a crítica social e a descoberta da nossa natureza, ou da que julgamos ser a nossa verdadeira natureza. Como será um ser humano numa sociedade completamente diferente? Criado com outras crenças, outras formas de olhar a sexualidade, outras bases para viver em sociedade... se passassemos pelo mesmo, como olhariamos para a nossa sociedade? Como iriamos ver as nossas crenças, medos, ganâncias, sistemas políticos, religiões, sociedades, regras, etc...? Poderemos sequer amar de forma diferente?
 
Aquilo que somos é o que nos torna humanos, ou apenas algo que fomos construíndo? Pode um humano ser completamente diferente, ver o mundo com outros olhos, viver de forma distinta? Tudo isto é algo que o autor começa a questionar aos poucos. Afinal o que é que nasce connosco e o que é moldado pela sociedade? Tudo isto num enredo de aventura, descoberta, romance, amizade, filosofia.
 
Gostei da escrita do autor, do ritmo e do mundo criado. É realmente um olhar diferente, quase ingénuo e confuso de um homem a ver as diferenças entre duas formas de viver e conviver. Faltando a segunda parte da história, deixarei para esse livro uma análise mais focada na história. Para já o que fica na memória é um personagem marcante, tão diferente de nós mas também tão igual. Claramente um grande livro.
 
Luís Pinto