terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O JOGO


Autor: Anders de la Motte

Título original: Geim


Este livro começa de forma rápida, indo direto ao que será o tema base do livro: um rapaz encontra um telemóvel que lhe pergunta se quer jogar um jogo. Este jogo tornar-se-á perigoso e descontrolado, levando o jogador e o leitor num ritmo alucinante até ao final.

As duas personagens principais, HP (o jogador) e Rebecca, não são personagens com as quais tenha simpatizado no início, mas no fim percebemos que a forma como o autor as criou está bem pensada e encaixa no que o enredo precisava. A isto junta-se o grande trunfo do livro, que é o ritmo. Aqui o autor, que ganhou com este livro o prémio de Melhor Livro pela Academia Sueca de Escritores, usa um ritmo sempre elevado, sem grande tempo para descrições desnecessárias, pois aqui todas as palavras do autor servem para desenvolver personagens e enredo. E assim, com este ritmo elevado e uma ideia base interessante, o livro agarra-nos com facilidade, principalmente porque queremos saber qual é o objetivo de quem criou o jogo.

Fazendo parte de um trilogia, o livro teria de nos deixar suspensos no enredo, e consegue-o. Fiquei com bastante vontade de ler os próximos e espero que o autor mantenha o ritmo neste nível, porque é a sua escrita simples e direta que me fez continuar facilmente. No entanto, este ritmo elevado, graças a descrições mais rápidas e objetivas, também leva ao pior que este livro tem, e que são as coincidências. Existe uma grande parte do enredo, tanto no que acontece como nas decisões das personagens, que tornam o livro forçado. São vários decisões tomadas e que o autor não explora o porquê de as terem feito. A isto juntam-se os acontecimentos que parecem forçados, levando-nos até ao final sem questionar nada. Este facto no entanto pode ser atenuado nos próximos livros, onde o autor terá de explicar o porquê de vários acontecimentos que claramente nos levam até a este final de primeiro livro e que apresenta boas reviravoltas.

Destaque ainda para as personagens secundárias, que aqui apresentam boa qualidade, com momentos interessantes e coerência fácil de se identificar tendo em conta que estamos perante um livro tão rápido. O enredo é o principal deste livro, porque nos mantém em constante suspense, mas como disse antes, parece forçado e precisa de explicações nos livros futuros. Todavia, este é um livro que os fãs do género irão gostar bastante e que irão ler à velocidade da luz. Pelo meio algumas decisões complicadas para as personagens, algumas reviravoltas inesperadas e um final que abre muitas portas para o futuro da saga.

Sendo um livro agradável, não estamos perante uma obra prima nem algo revolucionário, mas também não é o que os leitores costumam procurar neste género. Queremos divertimento e um livro que nos vicie. Se gostam do género e de uma leitura de ritmo elevado, este livro é uma boa escolha, mostrando o porquê de ter ganho os prémios que ganhou.  

Luís Pinto

4 comentários:

  1. Parece um livro ao meu gosto. Vou dar uma vista de olhos porque fiquei curiosa.

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  2. Hum... Já tinha lido algo à cerca deste livro no blogue da Vera (Menina dos Policiais) e tinha ficado com a pulga atrás da orelha.
    A tua opinião veio dar mais uma acha para a "fogueira das Leituras", de qualquer das formas, irei aguardar que se publique, pelo menos o próximo volume. Isto de gastos neste momento é para esquecer.

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  3. Viva

    Fica debaixo de olho, excelente comentário sem duvida ;)

    Abraço

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  4. Gostei muito de 'O Jogo'. No entanto os segundo e terceiro livros perdem o gás...

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