segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A QUEDA DE ARTUR


Autor: J. R. R. Tolkien

Título original: The Fall of Arthur



Não existe nenhum livro de Tolkien onde a sua genialidade não se sinta. Neste caso, estas quase 250 páginas, com a versão original e a traduzida, são uma obra de arte de Tolkien ao pegar na lenda de Artur e a tornar numa poesia que consegue ser, ao mesmo tempo, vibrante e calma.

Não sendo grande apreciador de poesia, nem grande conhecedor do género, este não foi um livro fácil de ler, sendo recomendado a quem gostar do género ou esteja curioso para ver como Tolkien sai do seu mundo de fantasia para moldar à sua imaginação a lenda do Rei Artur.

O enredo está perto do que conhecemos, mas Tolkien oferece-lhe um toque épico que o torna único, um ambiente fantástico, tantas vezes presente nas suas outras obras, e que torna esta leitura portentosa. No entanto, esta leitura leva tempo a quem não esteja habituado a poesia. No meu caso, foi uma leitura agradável, apesar de lenta, e devo enaltecer a qualidade da tradução, que, certamente, não foi fácil. Todavia, é no inglês que está a magnífica obra que Tolkien começou e infelizmente não terminou. Não sendo um conhecedor profundo de inglês antigo para perceber todos os significados sem ter de pesquisar na internet, a verdade é que é notório a mestria de Tolkien no domínio da língua e na forma como consegue produzir uma sonoridade que até eu, um português, conseguiu sentir ao ler alguns versos.

De enaltecer ainda todo o texto criado pelo seu filho, Chris Tolkien, para nos explicar muito do que Tolkien fez, como este livro foi reorganizado e possíveis explicações para vários factos sobre o livro, sendo um deles a necessidade de tentar perceber o porquê de Tolkien nunca ter acabado este livro.

Sempre gostei bastante da lenda do Rei Artur e foi um prazer lê-la desta forma. Provavelmente, sendo poesia, não o teria feito se não fosse obra de Tolkien, mas valeu a pena. Mas, tal como disse antes, não é um livro que recomende a todos os leitores. Com Artur e Mordred bem recriados, Tolkien centra-se no enredo que é suportado por estas duas personagens e sua rivalidade. Pelo meio, tal como um grande poema épico, Tolkien descreve cenários com uma paixão que se sente, e novamente dou os parabéns à tradução que na maioria dos casos consegue transmitir essa emoção que, certamente, Tolkien gostaria que todos os leitores sentissem.

Tolkien foi um daqueles génios que quando nos deixou, o mundo ficou mais pobre. A sua genialidade é tão palpável que torna a sua obra obrigatória, mesmo para quem não aprecie fantasia. Neste caso, Tolkien está fora do mundo que criou mas conseguiu agarrar-me, mesmo conhecendo a história. Não é um livro fácil, nem é para todos, mas a sua qualidade é inegável.  

Luís Pinto

3 comentários:

  1. Excelente análise. Nunca é fácil analisar um livro de poesia.

    Abraço
    C

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  2. Tolkien tem sempre de ser comprado!

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  3. Como conhecedora da literatura medieval inglesa foi mais ou menos fácil decifrar o poema, mas ao contrário de ti detestei as notas do Christopher. Para além de banais só serviu para encher chouriços para o livro ficar maior. 81 páginas de poema num livro de 246. O Christopher sempre viveu na sombra do pai com nem 10% do talento dele, se tivesse seguido uma carreira própria e depois se ter dedicado à legacy do pai, se calhar os trabalhos do Tolkien tinham sido diferentes.
    Já agora há um livro igualmente escrito por Tolkien que ainda não foi traduzido para português sobre a lenda de Artur: Sir Gawain and the green knight :) De resto concordo ^^

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