sábado, 7 de novembro de 2015

O AMANTE JAPONÊS


Autor: Isabel Allende

Título original: El amante Japones


Sinopse: Em 1939, quando a Polónia capitula sob o jugo dos nazis, os pais da jovem Alma Belasco enviam-na para casa dos tios, uma opulenta mansão em São Francisco. Aí, Alma conhece Ichimei Fukuda, o filho do jardineiro japonês da casa. Entre os dois brota um romance ingénuo, mas os jovens amantes são forçados a separar-se quando, na sequência do ataque a Pearl Harbor, Ichimei e a família – como milhares de outros nipo-americanos – são declarados inimigos e enviados para campos de internamento. Alma e Ichimei voltarão a encontrar-se ao longo dos anos, mas o seu amor permanece condenado aos olhos do mundo.
Décadas mais tarde, Alma prepara-se para se despedir de uma vida emocionante. Instala-se na Lark House, um excêntrico lar de idosos, onde conhece Irina Bazili, uma jovem funcionária com um passado igualmente turbulento. Irina torna-se amiga do neto de Alma, Seth, e juntos irão descobrir a verdade sobre uma paixão extraordinária que perdurou por quase setenta anos
.


Este Amante Japonês é o terceiro livro que leio de Isabel Allende e apesar de em alguns momentos parecer que se trata de um livro com pouco fulgor e paixão, a verdade é que compensa com um enredo forte, marcante e cheio de mensagens.

Facilmente se percebe que Allende consegue, uma vez mais, criar um grupo sólido de personagens que marcam a leitura. Enquanto leitores, caminhamos por duas histórias paralelas e acompanhamos duas mulheres simultaneamente tão diferentes e tão iguais. Allende sabe explorar as suas criações e sabe aproximá-las dos leitores, sendo fácil criar uma ligação que nos leva a sentir e a desejar que a personagem atinja os seus sonhos. Todavia, é na história em si que estão os momentos mais marcantes. A autora traz-nos conceitos sociais da Segunda Guerra Mundial, cria um enredo à volta da mudança social que nasceu e utilizando factos verídicos molda o seu enredo.

Esta mistura entre factos verídicos e ficção agradou-me e prendeu-me por ser uma época que gosto bastante de ler. De um ponto de vista crítico, são as personagens o grande trunfo do livro, ma a mim o que me ligou a estas páginas foram as descrições de uma sociedade que sentiu a Segunda Guerra Mundial de forma ao mesmo tempo distante e próxima, com preconceitos a erguerem-se, mentalidades alteradas e pelo meio histórias de amor que tentam sobreviver numa das épocas mais negras da Humanidade. 

É verdade que Allende deixa sempre o seu enredo longe da guerra em si, mas também é verdade que a descreve como algo próximo, que afeta as pessoas, e que acaba por afetar o leitor. As duas histórias vão seguindo os seus caminhos e por vezes não percebemos onde está a ligação que a autora pretende criar, mas no fim nota-se. No fundo, o que Allende nos oferece é uma história de amor que enfrenta obstáculos que podem parecer impossíveis de vencer, e acabamos por notar como algo insignificante pode acabar por enfrentar um sentimento tão forte como o amor. No entanto, cada leitor acabará por retirar as suas conclusões, e no meu caso a mensagem que retirei foi essa. É preciso lutar pelo amor quando ele aparece, é preciso enfrentar o que nos rodeia. Depois pode ser quase tarde demais para o tentar recuperar.

Poderá não ser o melhor livro de Allende, mas eu gostei bastante da ideia base e do desenrolar dos dois enredos. A escrita da autora continua a ter uma beleza palpável em certos momentos e as personagens são o seu trunfo. É difícil não criar uma ligação e para quem goste deste género, ou que seja fã da autora, então está aqui mais um livro a ler.

Luís Pinto


4 comentários:

  1. Opinião muito interessante. Parabéns. Fiquei curioso.

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  2. A Allende é das minhas autora favoritas. Ainda não tinha visto à venda este livro mas acabaria por o comprar e agora ainda fiquei com mais vontade. Allende tem sempre personagens muito boas e merece ser lido com calma e paixão.

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  3. Carla Rosárianovembro 09, 2015

    A comprar! Totalmente convencida :)

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  4. Allende é uma das minhas escritoras preferidas neste momento. Ela tem uma escrita muito magnética que não me deixa largar os livros. Se ainda não leste muitos livros dela, eu recomendaria Paula, o livro que ela escreveu para a filha que morreu de porfíria. Acaba por ser uma biografia dela e dá para ver que ela tem tido uma vida tão rica como as histórias que escreve.

    Por outro, um dos meus preferidos dela é Zorro: o começo da lenda. Também recomendo.

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