quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O PRINCIPEZINHO


Autor: Antoine de Saint-Exupéry

Título original: Le Petit Prince



Este é o livro que todos devem ler. Mesmo aqueles que não gostam de o fazer. E porquê? Porque este livro não é apenas um livro, não são apenas palavras escritas, misturadas ao gosto do autor. Este livro é uma gigantesca lição de vida. É isto que torna este livro imortal, um membro de um grupo restrito de obras que perdurarão muito para além da vida do seu autor.

 Ao início vemos um livro leve, pequeno, poucas palavras… mas todas elas são algo mais do que isso, são lições enigmáticas para as crianças que as lerem. São para os adultos lições que deveriam ser desnecessárias. Mas todas elas verdadeiras, que nos fazem questionar porque nunca estamos satisfeitos, porque queremos algo que não precisamos. O essencial não tem de ser comprado… o essencial é invisível para os olhos.
Este livro faz-nos pensar. Cada página, cada capítulo, por mais pequeno que seja, tem o seu significado. Sim, o essencial é mesmo invisível. Aquilo que sentimos, aquilo sem o qual não conseguimos viver e que normalmente só sentimos verdadeiramente quando perdemos. A grande generalidade do Ser Humano é assim, sem capacidade de expressar o amor que sente. Mostrar ódio é tão mais fácil e a ironia é o facto de conseguirmos viver sem ele, mas nunca sem amor.  Afastamo-nos tantas vezes do que nos dá prazer, tal como o homem que nesta história deseja não voltar a ter sede para não ter de beber água, sem perceber que beber com sede é um prazer ao qual ele foge. Mas porque fugimos nós dos nossos prazeres? Porque perdemos a ingenuidade de criança onde existem menos barreiras? São os preconceitos? É a sociedade que nos molda? Afinal o que nos rouba a capacidade de abraçarmos quem queremos, de dizer o que sentimos, o que realmente é importante e essencial? Todos nós já sentimos que deveríamos ser algo mais, deveríamos ter dado mais um abraço ao nosso pai, à nossa mãe, à pessoa com quem casamos ou namoramos, sem os quais não conseguimos viver…  ser criança é mais fácil, mais verdadeiro. Devíamos ser crianças mais tempo para abraçarmos mais vezes quem amamos…

O Principezinho passa por todas estas questões. A relação com a sua flor é tudo isto que mencionei. A flor que deseja ser admirada, não pede a amizade do rapazito, ao contrário da raposa que apenas deseja ser amada. Não, a flor quer algo que não se pede, porque se for pedido, não será verdadeiro. O Principezinho percebe tarde demais que há muito que gosta da flor. Ela é importante! Apenas quando não a pode proteger o rapaz sente esse sentimento invisível e aos poucos deseja que tivesse feito algo mais. Todos o desejamos um dia...
O homem que cria laços acabará sempre por chorar, irá sempre sofrer um dia, mas desde quando é que isso nos deve impedir?
A flor acaba por ser amada, talvez sempre o tenha sido, mas não o sentiu, não completamente, como ela o desejava, à sua maneira. O Principezinho demonstra-o de forma diferente. E isto acontece diariamente no nosso mundo. Cada pessoa demonstra, mais ou menos, o que sente, mas por vezes quem é amado não o percebe, não recebe a mensagem. Mas se aqueles que verdadeiramente amamos não o sabem, então quem saberá?

A história do Principezinho é uma bela viagem por vários planetas, onde se encontram personagens distintas. Todos eles são o autor principal de uma nova lição, e cada leitor acabará por retirar as suas conclusões, tal como o Principezinho o faz e também ele evolui... e se passamos a vida a caminhar, quantas vezes sabemos para onde vamos? O Principezinho também aprende a escolher o seu caminho e a escrita fácil de Saint-Exupéry leva-nos sem esforço nesta viagem.
Este rapazito tem um bocadinho de cada um de nós. Teimoso, curioso, talvez apenas sozinho… por vezes preocupado, por vezes descontraído. É impossível não sentir afecto por esta personagem, e por vezes até sofremos com as suas palavras, pois estão cheias de sentimento. Estão cheias de algo invisível.
Este livro é para mim do melhor que já li. Como é que um livro tão pequeno pode ter tanto para dizer? Não o deixem ficar na estante. Recomendo-o a todos, seja qual for a idade, mesmo àqueles que não costumam ler. Leiam este livro lentamente, tentem “arranjar” um significado para cada página, e no fim sentirão uma satisfação que poucos livros podem oferecer. Depois de o lerem, uns anos mais tarde, repitam a leitura. Terá certamente novos significados, porque nós mudamos, e estamos sempre prontos a aprender algo novo, com significados distintos, consoante as nossas vivências.
Obrigatório.
 Inesquecível.
Obra-prima.
O mais triste não é existirem pessoas que não leram este livro. O triste é todos aqueles que o leram, terem esquecido o que aprenderam nestas palavras.

Os homens deixaram de ter tempo para conhecer o que quer que seja, compram as coisas já feitas aos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens deixaram de ter amigos

Só se pode exigir a uma pessoa o que essa pessoa pode dar.

23 comentários:

  1. este texto é simplesmente genial. E o livro já tudo foi dito. Obrigatório.

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  2. Sinceramente penso que seja a sua melhor crítica. Apresenta a força e a lição de vida da obra. O livro é notável, algo único e esta opinião está a um nível altíssimo. Do melhor que já li. Muitos Parabéns.

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  3. Este livro é imortal, uma verdadeira obra de mestre. Cada pessoa retirará lições diferentes e em alturas diferentes.
    Da minha parte só lhe posso dizer que este texto está forte, está quase perfeito. Do melhor que tenho lido em blogs (também não visito muitos), mas dou-lhe os parabéns. Considere uma profissão como escritor. As suas palavras têm significado!

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  4. A sua crítica em nada poderia envergonhar o grande autor desta obra. Estou uma vez mais muito agradado com os seus textos. Um blog que convence desde o primeiro dia. Brilhante.
    O livro não há mais nada a dizer. Disse tudo. Imortal, intocável. Único.

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  5. Mais uma excelente escolha. Adorei este livro!

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  6. Não tenho palavras para descrever este livro...

    Vi o filme baseado no livro faz pouco tempo.

    Podes ver no meu blogue a minha opinião.

    Cumprimentos

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  7. Até me arrepiei com o que escreveste! Nunca li o livro mas já não falta muito.

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  8. Gostei mesmo muito que do escreveu. Não conhecia este blog e estou mesmo muito espantada!
    Esta magnífica obra de Exupéry já li muitas vezes. Sempre belo.

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  9. O essencial está dito. O teu blog está no topo dos obrigatórios! Sobre o livro também não há muito a dizer. É talvez o livro que li mais vezes. Li e li e li...

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  10. Adoro! Adoro este livro!

    A tua opinião está muito boa, encaixa perfeitamente no livro e só te posso agradecer por escreveres algo tão bom!

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  11. "É triste esquecer um amigo. Há quem nunca tenha tido um amigo" :)
    Pois... o Principezinho é uma obra prima!
    Já agora, completamente diferente, mais em jeito de inocência, mas nunca consigo esquecer o Zézé de "Meu pé de laranja lima". Simples, inocente mas... sem palavras... recorda a infância.
    Já agora... Feliz Natal!
    Clara

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  12. olá Clara!

    Não conheço esse "Meu pé de laranja lima" mas agora deixaste-me curioso.

    Feliz Natal!

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  13. Li este livro há uns dois ou três anos. Quando o terminei considerei que ele tinha chegado tarde às minhas mãos, mas agora acredito que o tenha lido na altura certa. Fiquei fascinada com toda a história e é um dos poucos que gosto de reler.

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  14. Já ouvi falar muito deste livro, mas nunca o li. Esta tua opinião ainda me dá mais vontade, mas realmente há muito que o devia ter lido.

    Laura

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  15. Eu recomendo Luis, é de um escritor brasileiro José Mauro de Vasconcelos e não sei bem porquê mas estes livros marcaram a minha infancia: O Principezinho, Meu pé de laranja lima e o Livro da Selva (Rudyard Kipling). E claro, Teco, o gato sem rabo hihihih!!! Enfim, todos diferentes e todos encantadores. E leio-os periodicamente...

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  16. Uma crítica avassaladora a um dos melhores livros de sempre! Fantástico o que escreveste!

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  17. Olha, afinal já lemos o mesmo livro :P
    Que dizer, provavelmente o meu livro preferido. Lindo. Comprei e li-o pela primeira vez em Janeiro de 2007. Há quem ache que está cheio de clichés, para mim está cheio de sentimentos puros e ingénuos, do essencial.
    Gostei muito das tuas palavras :)
    bjs

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  18. Gostei muito das tuas palavras! Feliz Natal!

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  19. Que crítica incrível, que chapada na cara daqueles que nada aprendem com este livro. Adoro a forma como escreves.

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  20. Uma crítica impressionante a um livro intemporal. Marcante sem dúvida.

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  21. Aposto que um dia serás escritor. Gostei mesmo muito do que li e espero que um dia escrevas um livro e tenhas este tipo de escrita.
    Já o livro não há palavras para descrever. É fantástico! Já o li 4 vezes.

    Gui

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  22. Parabéns por um dos mais belos textos que alguma vez li na internet. A sua qualidade em muitos outros textos é de assinalar, mas este é fantástico.

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  23. "Dessine-moi un mouton!"
    Foste ao invisível desta obra. Parabéns pela crítica!

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