sexta-feira, 24 de outubro de 2014

MAZE RUNNER - Provas de fogo



Autor: James Dashner

Título original: The Scorch trials



Sinopse: Atravessar o Labirinto devia ter sido o fim. Acabar-se-iam os enigmas, as variáveis e a fuga desesperada. Thomas tinha a certeza de que, se conseguissem fugir, ele e os Clareirenses teriam as suas vidas de volta. Mas ninguém sabia realmente para que tipo de vida iriam regressar...


Para este livro vou tomar como garantido que todos os que lerem esta análise já leram o primeiro livro da saga. Ligeiros spoilers à frente!

Esta é, de certeza, uma das análises mais difíceis que alguma vez fiz neste blog, simplesmente porque tudo o que acontece neste livro está dependente do próximo. Cada página oferece algo que não percebemos, que questionamos, e no fim, todas as respostas ficam para o próximo livro. Sendo assim, como posso analisar a qualidade de um livro que pode ser destruído pela próximo porque nada é concluído neste? Vamos por partes...

Este é, inevitavelmente, o grande problema de um livro que, em vez de começar a responder, cria ainda mais questões. Esta estratégia é muito usada no entretenimento, mas a verdade é que poucos a sabem usar. Filmes e séries são, frequentemente, arrastados para novas perguntas quando começam a ter sucesso e os seus autores não sabem quando parar. E depois nada encaixa e torna-se impossível oferecer todas as respostas.  Todavia, isto não é o mau aspeto se for controlado e planeado, mas aumenta os problemas do autor. Já lá vamos...

Começando pelo enredo enquanto base, o autor foge um pouco do que criou no primeiro livro para tornar toda a trama em algo maior. O esquema é maior, o objetivo mais importante, mas faltam as respostas. E é por não ter respostas que lemos sem parar, à procura, tal como as personagens. Estamos no mesmo nível de ignorância e tal liga-nos com estes adolescentes que continuam sem certezas, mas continuam, tal como nós...

Dahsner mantém, e bem, o ritmo elevado (para não termos tempo para criar muitas perguntas) e, apesar de não me ter agarrado tanto quanto o anterior, o livro consegue prender o leitor com facilidade, embalando-nos num enredo misterioso em que as personagens nunca estão a salvo. Dashner arrisca em alguns momentos, colocando em perigo as personagens com as quais nos identificamos, mas conseguindo criar reações nas mesmas que se enquadram nas personalidades que conhecemos. E este aspeto é muito importante porque este é um livro de escolhas impossíveis, em que o personagem não tem a mínima noção dos resultados dos seus atos. Como tal, as suas escolhas terão apenas a ver com a sua personalidade e tal está bem feito.

Agora, voltemos ao problema do livro. Na realidade, este livro não tem nenhum problema, mas poderá ter. Como disse, este enredo está totalmente dependente do próximo ao ponto de toda a trilogia estar dependente de como irá acabar. O terceiro livro terá a capacidade de tornar esta trilogia muito boa, ou num verdadeiro desperdício de tempo.

E porquê? Porque para nós, leitores, nada neste livro faz sentido a partir do momento em que paramos e começamos a pensar um pouco. Não percebemos qual é o objetivo, não percebemos porque estão as personagens a viver tais situações psicológicas (se estamos num mundo tão avançado em que a tecnologia nos consegue controlar ações e emoções, então para quê uma experiência psicológica no mundo real?). E como irão tais experiências psicológicas oferecer a cura a uma doença? Porque existem dois grupos tão distintos? Estas são apenas algumas das muitas perguntas e é por isso que estou ansioso por ler o próximo livro.

No fim, tudo isto poderá fazer sentido (tenho uma teoria, tal como todos devem ter as suas, mas não a irei revelar). O autor apenas terá de dar muitas respostas e podemos ficar aqui perante uma saga de grande qualidade e que demonstre que tudo, desde o início do primeiro livro, foi planeado com antecedência. Se não der as respostas, a trilogia desmorona-se. Para já, estou a gostar e quero ler o próximo livro o mais rápido possível (enquanto todas as perguntas estão na minha memória), mas tenho a sensação que o autor poderá estar a ir por um caminho que não consiga controlar. Claro que posso ler este livro sem questionar, apenas absorvendo o que vou lendo, mas se estamos perante um enredo em que nos é passada a noção de que tudo foi planeado por uma instituição, então tudo terá de ter um propósito e um porquê. Cada experiência tem de ter uma razão, porque se não é apenas desperdício de recursos por parte dessa instituição.

Para finalizar, devo salientar o fim. O que acontece no fim é bastante previsível, a todos os sentidos, mas, é também a ação mais coerente e aí devo aplaudir o autor por definir o único caminho possível depois de tudo o que tinha acabado de ler. Houve coerência com as personalidades criadas. Agora as possibilidades são muitas... já falta pouco para saber como tudo irá acabar. Conseguirá Dashner terminar em grande?

Luís Pinto

3 comentários:

  1. Uma opinião muito objectiva. Parabéns. Estou muito curioso para ler sete livro porque já li o anterior e gostei da tua opinião.

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  2. As tuas opiniões estão a convencer-me e muita gente fala bem mas quero esperar pela tua próxima opinião e ver até onde vai o autor.

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  3. Olá Luis. Finalmente alguém faz uma análise coerente a este livro sem se deixar levar pelo entusiasmo. Senti o mesmo que tu ao lê-lo. Muito viciante mas muitas perguntas, nenhuma resposta e um enorme trabalho para o autor em explicar tudo no final. Estou muito curiosa para ver como vai acabar e dou-te os parabéns pela análise. bjs

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