segunda-feira, 6 de outubro de 2014

MAZE RUNNER - Correr ou morrer


Autor: James Dashner

Título original: The Maze Runner



Finalmente começo a ler a trilogia de que se fala atualmente. Maze Runner é, de forma muito resumida, a história de um grupo de jovens presos numa clareira, rodeada por um labirinto. Não sabem nada do seu passado, nem porque estão naquele local. 

Se tivesse de resumir este livro numa única palavra, seria "Viciante". Maze Runner é impossível de parar de ler se gostarmos do género. Mas vamos por partes...

O autor usa uma estratégia muito comum e que se enquadra perfeitamente nesta base, e a partir daí agarra o leitor. Começamos com um rapaz, com o qual simpatizamos, e logo nas primeiras páginas vemos que não teremos o conhecimento do que está à volta desse rapaz. Que lugar é aquele? Quem o colocou ali? Qual o objetivo? Faz parte de nós, enquanto raça humana, querer conhecer o que nos rodeia, e ao entrarmos num mundo onde as dúvidas aparecem a cada linha, quer seja uma dúvida apresentada pela personagem, ou criada por nós, a verdade é que não vamos parar de ler até termos as respostas. De uma forma simples, Dashner "pega" num género que "está na moda" e junta-lhe os mistérios que nos faz lembrar a série "Lost" que desde o primeiro episódio agarrou à televisão milhões de pessoas. É tudo uma questão de, inteligentemente, criar perguntas, e não dar respostas. O segredo está em, no fim, tudo fazer sentido, e é neste aspeto que muitos falham.

A seguir entra a construção e apresentação das personagens, que passam também por uma estratégia já usada: temos o que imediatamente enfrenta e tenta controlar o personagem principal, e também o rapaz simpático e verdadeiro amigo que é rejeitado por muitos mas que o nosso personagem irá compreender. Tudo isto parece um cliché, mas que aqui funciona e bem. O resultado é, inevitavelmente, um "desenrolar" de enredo em que nos aproximamos de personagens, lemos cada vez mais depressa e vamos criado as nossas questões, sabendo que provavelmente não teremos respostas.

O grande mérito do livro é o seu ritmo, pois Dashner consegue criar um ambiente de tensão que não nos deixa parar. Este é o segredo destes livros: não nos dar tempo para parar e questionar, e assim a base do universo do enredo não cai. Dashner consegue-o de forma quase perfeita para que a falta de respostas do primeiro livro não se sinta, e imediatamente passamos para o próximo livro, sôfregos de respostas.

Para mim, esta foi uma leitura compulsiva. Maze Runner não é uma obra prima, nem o tenta ser, pois para tal teria de construir um universo muito mais complexo, com muito mais detalhe e o ritmo iria perder-se. Este é um livro adolescente que nos agarra pela noite dentro e esse é um dos prazeres da leitura, o de não querermos regressar ao mundo real. Claro que Maze Runner tem falhas, porque não dá respostas e porque não explora certos temas. Se nos próximos livros o autor nos brindar com algumas respostas, a saga pode elevar-se a outro nível, principalmente se sentirmos que toda a trilogia foi estruturada e pensada desde o início, levando a que todos os detalhes batam certo. Provavelmente tal não acontecerá e um leitor mais experiente irá colocar dúvidas que o autor não irá responder, mas esse é o preço a pagar para termos outros prazeres.

No entanto, de todas as distopias adolescentes que li nos últimos tempos (e foram algumas, pois o mercado está inundado pelo género), esta é a que tem o melhor início dentro do que se compromete a ser: viciante, rápido, capaz de nos dar a sensação de urgência que os personagens também têm. Por tudo isto, este é um início recomendado aos leitores que apreciem este género, e provavelmente, tal como eu, quererão ir até ao fim da trilogia e desvendar todos os segredos do labirinto, e não só... Venha rapidamente o próximo!

Luís Pinto

3 comentários:

  1. Olá Luis. Opinião muito esclarecedora sobre um livro que tenho debaixo de olho. Vai ter de ser comprado! Parabéns pela opinião.

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  2. A tua opinião deixou-me muito curiosa. Já há muito que oiço falar desta saga e também do filme mas ainda não tinha perdido muito tempo a ver alguns detalhes. Este género está muito usual actualmente mas a tua opinião deixou-me com vontade de ler. Vou arriscar no primeiro e até acho que vou gostar. Boas leituras.

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  3. Agora sim totalmente convencido e já nem vou ver o filme mas espero que o autor não decida aumentar a saga so porque está a dar dinheiro.

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