terça-feira, 14 de outubro de 2014

UMA ESCOLHA IMPERFEITA


Autor: Louise Doughty

Título original: Apple tree yard




Sinopse: Yvonne Carmichael trabalhou arduamente para conquistar o que sempre quis: uma invejável carreira na área da genética, uma casa fantástica, uma boa relação com o marido e dois filhos.
Um dia, cruza-se com um desconhecido e, num impulso, começa uma tórrida aventura amorosa - uma decisão que acaba por colocar em causa tudo o que sempre valorizou.
Yvonne acredita que conseguirá manter a relação extra matrimonial sem que tal venha a interferir na sua vida, tal como ela é. Só que, na verdade, ninguém consegue controlar o que acontecerá a seguir.
De conceituada e respeitada cientista a adúltera acusada dos mais variados crimes, Yvonne vê todos os seus planos desmoronarem-se numa espiral de desilusões e violência.



Este foi um livro que me surpreendeu pela forma como a autora agarra em situações diferentes e que parecem improváveis, ou quase "ilógicas", e as torna coerentes. Basicamente, é essa a base do livro, em que temos uma personagem que tem tudo o que deseja ou que, pelo menos, acha que deseja, e que toma todas as decisões que sabemos de forma lógica que irão destruir essa realidade.

O ponto alto é que a autora consegue explicar-nos o porquê das decisões de Yvonne, porque se tal não acontecesse, todo o enredo acabaria por cair, pois tudo seria forçado, tal é a diferença entre o pensamento lógico do leitor, fora da história, e a da personagem, que é, obviamente, um pensamento emotivo e que a levará a decisões erradas. E é numa narrativa simples mas objetiva, que vemos uma vida perder o seu controlo onde a personagem tem consciência do que está a acontecer, do que pode acontecer, mas não pode parar. Este é o poder do amor e da paixão... tudo pode perder a sua lógica porque algo é mais importante do que qualquer controlo ou conquista profissional ou social. O amor pode ser tudo.

É no equilíbrio emocional desta personagem que o livro caminha, criando uma personagem com a qual acabamos por simpatizar, porque uma parte de nós quer viver a mesma paixão, a mesma necessidade de loucura, de decisões sem lógica, mas também queremos que a personagem (da qual vamos gostando facilmente) ganhe consciência do que está a perder. 

E, lentamente, todo o livro se torna numa balança em que devemos procurar o que é mais importante, se a paixão efémera mas que todos necessitamos, se a estabilidade profissional, social e pessoal que nos leva a um equilíbrio dentro dos parâmetros da sociedade. E é por todos nós termos, em algum momentos da nossa vida, a mesma questão, que simpatizamos com Yvonne. O que faríamos nós em tal situação? O que precisamos para nos sentirmos vivos? O problema, por muito que tente não ser filosófico neste tema, é que não temos resposta para este suposto equilíbrio, porque cada pessoa se sente viva à sua maneira, quer seja na loucura imprevisível da paixão, ou no abraço da família ao chegar a casa, ou na concretização profissional. 

O enredo é muito bem montado, com momentos inteligentes e que abrangem certos aspetos da sociedade e que aqui encaixam muito bem. Este não é um livro fantástico, mas é uma leitura com significado e com uma personagem que está muito bem construída. Yvonne tem as fraquezas de qualquer ser humano e acaba por tomar algumas más decisões... mas serão mesmo más ou apenas diferentes para os padrões da sociedade em que vivemos? Cada leitor terá a sua resposta, e eu também tenho a minha, mas não é a resposta o mais importante. O importante é perceber o porquê das suas decisões e isso a autora consegue com grande mestria, tornando o livro em algo muito coerente, por mais difícil que seja aceitar alguns acontecimentos... mas a vida é isto.

Se gostam de romances com alguma tensão, uma personagem profunda e se a sinopse vos despertou a atenção, então acredito que este livro vos agradará. Eu gostei bastante porque é uma história que tem tudo para ser real, e de certeza que já aconteceu com muitas pessoas, e os que estavam de fora, também questionaram essas decisões, tal como nós, leitores, agora o fazemos, e percebemos...

Luís Pinto 

2 comentários:

  1. Parece-me um livro a ler. Não tenho ideia de ter lido alguma coisa desta autora mas a ideia parece-me interessante num género que raramente surpreende. Vou ver. Também me parece um bom livro para oferecer no natal à namorada.
    Abraços

    ResponderEliminar
  2. Não conhecia mas parece mesmo um livro à miha medida. Vou adicionar à lista de compras dos próximos tempos.
    Boas leituras

    ResponderEliminar