quinta-feira, 19 de abril de 2018

CORVOS SANGRENTOS


Autor: Simon Scarrow

Título original: The blood crows




Sinopse: Durante dez longos anos, o Império Romano lutou incessantemente para manter o seu domínio na Britânia. Mas a oposição das tribos nativas, lideradas pelo implacável Carátaco, ameaça destruir tudo. O Perfeito Cato e o Centurião Macro são chamados pelo Governador Ostório a Londinium e encarregues de uma nova missão: liderar uma coorte em direção a Gales onde devem destruir toda e qualquer resistência.
Mas Carátaco já pôs em marcha um plano ambicioso e tanto o caos como a revolta irrompem no seio da legião de Macro e Cato. Testados até ao limite, os soldados sabem que, se não regressarem vitoriosos, será a governação do Imperador Cláudio a ser posta em causa. Em última instância, uma vitória do guerreiro Carátaco pode significar o colapso das próprias fundações do Império Romano.




Aqui está mais um livro de Cato e Macro. Estes dois romanos continuam a ser as personagens principais da famosa saga de Simon Scarrow que já conta com mais de dez livros. Aqui, Cato e Macro regressam para mais um enredo cheio de ação e intriga política. Após o fim do livro anterior, algumas perguntas ficaram no ar e o autor oferece as respostas necessárias para a continuação da saga.
 
Este é um livro mais virado para a ação na maioria do tempo, voltando a explorar bastante a vida dos soldados romanos em campanha. Scarrow sempre explorou bastante bem este tema e é um dos pontos que mais aprecio, principalmente porque o autor vai inserindo detalhes na narrativa sem baixar o ritmo. Claro que a amizade de Cato e Macro continua a ser explorada e novamente o autor pinta de cinzento algumas personagens secundárias e até o próprio inimigo, deixando sempre a ideia de que não é possível distinguir apenas os povos entre bons e maus. Obviamente que o autor explora mais as visões dos dois personagens principais, que acreditam em "certas moralidades" que podem, em alguns casos, chocar com o que irão encontrar na mentalidade de outros povos, mas nunca é tudo preto no branco, e isso agrada-me.
 
Gostei também de algumas personagens novas, mas acabam por ser as que já conhecemos que têm maior tempo de antena. Todavia, destaque para uma personagem, que não irei revelar, mas que sendo parte do inimigo, consegue aqui criar um interessante equilíbrio moral e social que dá qualidade ao livro. Claro que ao fim de 12 livros é mais fácil perceber para onde o enredo nos leva. Simon Scarrow repete alguns truques e as surpresas já não são tantas. A isso juntam-se alguns momentos mais forçados, mas que no geral pouco mancham um livro interessante e que mantém a qualidade da série.

Tal como já disse antes, Scarrow não atinge o patamar de obra prima com estes livros, mas poucas sagas sobre o Império Romano conseguem atingir este nível dentro deste género mais rápido. Para tal é bastante importante a ligação que se cria com as personagens principais, e mesmo tendo em conta que em alguns momentos podemos sentir alguma repetitividade com o que vai acontecendo tendo em conta livros anteriores, foi sempre uma leitura viciante e realista. Venha o próximo!
 
Luís Pinto
 
 

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