quarta-feira, 11 de abril de 2018

A DANÇA DO RAPAZ BRANCO


Autor: Paul Beatty

Título original: The white boy shuffle




Sinopse: Se um magnata do cinema comprar os direitos cinematográficos da minha vida, a sinopse da TV Guia dirá: Na luta pela liberdade, um jovem poeta relutante convence os negros americanos a abandonarem a esperança, e a matarem-se num final trágico e explosivo. Cheio de gargalhadas e diversão. Alguma violência e linguagem não indicadas para crianças.»
Gunnar Kaufman, descendente de uma longa linha de homens que detesta, desde escravos a cobardes que ajudaram a assassinar Malcolm X, viveu a sua infância protegido na tranquilidade branca de Santa Monica, longe de problemas. No entanto, depois de ele e as suas irmãs se terem recusado a ir para um campo de férias para crianças negras «porque elas são diferentes de nós», a mãe muda-se imediatamente com eles para a zona oeste de Los Angeles, de modo a que os filhos estejam em contacto com a cultura que começam a negar.
E é assim que Gunnar, futuro poeta, péssimo dançarino, conquistador avesso e fenomenal jogador de basquetebol, dá por si a aprender a ser quem é entre os gangues, os motins, os estereótipos, a violência e a beleza das ruas e da vida negra nos Estados Unidos dos anos 90.
Primeiro romance de Paul Beatty, A Dança do Rapaz Branco é uma comédia literária caleidoscópica sobre um afroamericano incomum à procura da sua identidade numa América caricatural mas, de algum modo, estranhamente familiar.


Por vezes apetece-me ler um livro mais descontraído, mais divertido, mas que tenha algum toque de crítica e maturidade. Existem excelentes livros neste estilo que com piada, ironia, sarcasmo ou um grande exagero, conseguem explorar um enredo que nos faz sorrir mas que também nos faz pensar. Este é mais um desses livros.

Com uma escrita divertida e inteligente, e que raramente perde o rumo, este livro leva-nos por um mundo de desigualdades e racismo na América dos anos 90. Rápido e sempre pronto a deixar a crítica no ar, o que vemos aqui é uma história que nos fará pensar, sorrir e também criar uma ligação com o personagem principal, quer nos momentos em que faz algo que concordamos, ou não. Explorando vários estereótipos, o autor conta uma história que tem por base algo que nós já conhecemos da realidade, mas que depois se transforma em algo diferente, proporcionando uma leitura muito agradável e que não esquecemos tão cedo.

Para além da escrita e da forma como o autor conta a história, também gostei bastante de alguns personagens, principalmente com os mais importantes. Neste género de enredo, torna-se muito importante conhecer bem algumas personagens para oferecer coerência ao livro e também para percebermos como se irá sustentar a crítica social, e o autor consegue-o com facilidade. O autor toca em vários temas delicados, muitos deles de forma suave, quase invisível, mas que se encaixam numa teia muito bem conseguida e que expõe a sociedade atual, principalmente a Americana, uma sociedade ainda dividida por questões morais que já deveriam estar resolvidas.

Não quero explorar um enredo que deve ser lido sem termos sequer noção do caminho. Esta foi uma leitura que me surpreendeu e que me deixou mais animado. Não é, pelo seu estilo, um livro que agrade a qualquer pessoa, mas eu aprecio bastante esta inteligente mistura de comédia e crítica social. Nem todos os autores conseguem uma boa mistura, mas aqueles que a alcançam, devem ser lidos, e este é um desses casos.

Luís Pinto

 

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