quinta-feira, 26 de março de 2015

LINDA - Como no homicídio Linda


Autor: Leif G. W. Persson

Título original: Som i Lindamordet




Sinopse: Evert Bäckström, um inspetor «atarracado e primitivo» faz a sua estreia no primeiro livro da trilogia com o seu nome.
Durante um verão invulgarmente quente na Suécia, em que a grande notícia são mesmo as temperaturas, uma jovem é assassinada. Os principais efetivos da polícia de Estocolmo estão de férias e o caso é entregue a Evert Bäckström, um homem que dá mais trabalho do que cem delinquentes, se não mais.
Enquanto o homicídio de Linda ocupa as primeiras páginas dos jornais sensacionalistas e dos noticiários televisivos, Bäckström lidera uma investigação que quase lhe escapa das mãos, não fosse o esforço extraordinário da sua equipa.
Uma magnífica intriga policial, onde brilha sobretudo a sátira através do seu protagonista, o anti-herói e politicamente incorreto Evert Bäckström.



Já adaptado para uma série televisiva e com um prémio prestigiante, este livro chamou-me a atenção e foi uma leitura interessante, apesar de diferente do que estava à espera.

Começando pelos dois aspetos que podem afastar alguns leitores, temos o ritmo e o personagem principal. O ritmo lento é o resultado de uma investigação muito meticulosa. O autor dá grande destaque ao detalhe, principalmente na primeira metade do livro em que a investigação não tem grandes pistas para avançar. Tal facto pode levar alguns leitores a afastarem-se mas também levará outros a apreciar o detalhe da investigação e o desafio que é quase começar a investigar algo a partir do nada. Pessoalmente, apreciei os destalhes em alguns momentos, tal como gostava que tivesse acelerado noutros, mas notei que o autor tentou manter sempre um ritmo que me fizesse ter atenção ao detalhe para que no final tudo tivesse sentido.

O outro aspeto que poderá afastar alguns leitores é o quase intolerável personagem principal. O inspetor que iremos seguir tem um grande conjunto de defeitos que impossibilitam qualquer ligação entre nós e este personagem, que, paradoxalmente, nos consegue fazer sorrir com o seu mau feitio. Todavia, e apesar de não existir ligação entre leitor e personagem, o desejo é comum: o de desvendar tudo sobre este caso. A questão mais importante é que por vezes quase que sabe bem termos pela frente um inspector que não é movido totalmente/apenas por valores morais. A sua forma de ver o mundo é, por incrível que possa parecer, um dos grandes catalisadores deste livro, e mesmo nunca tendo ligação com ele, percebo o porquê de ter sido a criado desta forma pelo autor, não deixando que o investigador seja o outro extremo moral em relação ao assassino.

Em termos de investigação, e retirando o ritmo baixo, tudo é bastante aliciante se tivermos vontade de perceber onde está o erro e acreditando que o autor nos poderá estar a enganar. Acima de tudo é uma investigação inteligente que encaixa bastante bem nos pensamentos e nos diálogos do nosso personagem principal. Existem, claro, outros personagens com qualidade, mas a personalidade insuportável do investigador eclipsa tudo o que esteja à sua volta, quer para o bem, quer para o mal... sendo, claramente o que irão recordar deste livro daqui a uns anos.

Apesar de não ter criado qualquer ligação com este homem, a verdade é que é ele o livro, é ele o motor e é ele quem dá qualidade ao enredo. Numa atmosfera pesada e quente, num ritmo lento e meticuloso, vemos uma investigação que em certos momentos parece grande demais e arrastada, mas que será apreciada pelos que gostam dos detalhes da investigação. Aliás, os prémios e o sucesso que teve são prova disso.

Luís Pinto

3 comentários:

  1. Parece-me uma ideia interessante ter um protagonista assim. Convenceste-me a ler este livro e como gosto de policiais nórdicos ainda melhor.

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  2. Paula Cruzmarço 26, 2015

    A capa deste livro não me disse nada mas apreciei bastante a tua opinião, pelo facto de teres focado o detalhe do autor e o personagem intratável. Sou apreciadora deste género e de personagens difiíceis, por isso acho que o irei ler. Já está na lista de próximas compras.

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  3. Convenceste-me com este. Tenho andando a ler uns policiais suecos e este vai já de seguida.

    Boas leituras!

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