sexta-feira, 20 de março de 2015

A MULHER MÁ


Autor: Marc Pastor

Título original: La mala dona




Sinopse: Barcelona, 1912. Há crianças a desaparecer. Quando um cadáver é encontrado numa viela estreita, dilacerado e sem um pingo de sangue, surgem rumores bizarros sobre um «vampiro» que se move pelas sombras da cidade e que anda a roubar as almas dos inocentes.
Para a polícia trata-se apenas de mais um cadáver, num lugar onde a morte e o crime são tão frequentes que se tornaram banais. E quanto às crianças desaparecidas, ninguém quer saber dos filhos das prostitutas que povoam Barcelona.
Mas para o inspetor Moisès Corvo — um polícia rude e dissoluto, mas com um sexto sentido peculiar — este é um mistério que tem de ser resolvido, com um criminoso que afinal é uma mulher.
Gótico e chocante, A Mulher Má revela um mundo macabro, uma história verídica que nos faz duvidar de um dia ter realmente existido uma mulher tão pérfida, capaz de crimes tão monstruosos.


Comecemos pelo fundamental: este enredo é baseado na história verídica de uma mulher, Enriqueta, que ficou conhecida como uma das mais mortíferas serial-killers de sempre. Prostituta, bruxa, protegida pela alta sociedade, ainda hoje não se sabe o número total das suas mortes.

O autor pega nesta personagem e cria um livro onde a personalidade desta mulher é a base, sendo, ao mesmo tempo, o grande trunfo e onde o livro acaba por falhar. E porquê? Porque o autor recria uma personalidade que nos faz querer saber mais, só que o autor não aprofunda a personagem até onde o leitor irá querer. O livro acaba, e queremos saber mais. Com tal facto constatamos que o autor faz um excelente trabalho ao recriar Enriqueta, e falha ao não perceber que ela deveria ter ainda mais protagonismo porque a sua recriação é mesmo muito boa. À nossa frente está uma mulher capaz dos atos mais horrendos, que irão facilmente chocar o leitor e levar-nos a pensar até onde pode ir o ser humano.

Com uma escrita simples e objetiva, o autor leva-nos a acelerar a leitura e as pouco mais de 260 páginas são lidas a grande velocidade, tentando conhecer mais esta personagem, tentando perceber o porquê, querendo saber onde irá falhar para ser apanhada. Para além disso, o autor arrísca com os narradores que apresenta, mas sai vencedor, conseguindo criar um ambiente interessante e uma narrativa apelativa, sempre com objetividade. Destaque ainda para as descrições fortes e curtas do autor sobre a cidade e sobre as pessoas, mas principalmente sobre os atos de Enriqueta, levando-me a afirmar que este não é um livro para todos, pois apresenta vários momentos fortes.

Por fim, devemos também salientar o inspetor, um personagem bastante realísta, com deveitos e virtudes, capaz de cometer os erros normais que se pedem numa personagem credível, mas com o qual sentimos a capacidade necessária para resolver esta situação, principalmente porque ele é o espelho da pequena parcela da comunidade que se preocupa, não olhando apenas ao seu estatuto e ao das pessoas que ajuda. O resultado final é a imagem de uma sociedade que não se preocupa e que não ajuda, mas algumas pessoas fazem a diferença. Esta é uma luta entre o mal personificado e um simples homem que tenta desvendar um mistério que nos transporta para o pior do ser humano.

Este não é um livro que se destaque pela sua história, mas sim por uma personagem que marca o leitor. Não é uma leitura fantástica mas para mim foi muito viciante e que não irei esquecer, principalmente porque, mesmo sabendo que esta é uma obra de ficção, sabemos que é inspirada em factos reais, o que choca. Acredito que todos os leitores que olhem para esta sinopse e fiquem curiosos, gostarão do livro e ficarão marcados por esta mulher e por este ambiente sombrio de Barcelona.

Luís Pinto

2 comentários:

  1. Gostei muito desta tua crítica e fiquei muito curiosa por ser sobre factos reais.

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  2. Olá Luis. Sempre grandes análises. Vale mesmo muito a pena ler os teus textos. Este é mais um que me convences a comprar nos próximos tempos porque é mesmo o meu tipo de livros e nem o conhecia.

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