domingo, 12 de janeiro de 2014

AS PORTAS DA PERCEPÇÃO


Autor: Aldous Huxley

Título original: The doors of perception


Sinopse: Numa radiosa manhã de Maio, em 1953, Aldous Huxley tomou pela primeira vez quatro décimos de grama de mescalina, dissolvidos em meio copo de água, sentou-se e aguardou os seus efeitos. Pouco depois, tudo o que o rodeava se transformou. Eis a génese de As Portas da Percepção (1954), um dos textos mais inspiradores para a contracultura americana dos anos 60. Registo minucioso de alterações sensoriais e ensaio filosófico que aborda os efeitos libertadores desta substância alucinogénica, é uma obra visionária sobre o funcionamento da mente e o desejo de transcendência do ser humano.
Esta edição inclui ainda Céu e Inferno (1956), que explora a história e a índole de experiências transcendentais.

Este livro não é fácil em alguns aspetos, sendo o fator mais importante a capacidade do leitor em perceber tudo o que este grande autor nos tenta passar com as suas palavras. Neste livro, para além do texto "As portas da percepção", podemos ler ainda a sua continuação: "Céu e Inferno", onde Huxley tenta abordar este tema de uma forma mais científica/académica em alguns aspetos, divagando mais noutros tantos, tentando, principalmente, usar diferentes abordagens.

Este é um livro sobre as viagens e até onde pode ir um cérebro em termos metafísicos e até que ponto será possível vermos certos aspetos de forma diferente, talvez sem as barreiras sociais que nos são impostas durante toda a nossa vida, pois talvez o que seja preciso é sair do local sob o qual vemos todos os assuntos e, quem sabe, devemos perceber que a percepção das coisas muda graças a vários fatores. Esta é, principalmente, uma obra para vermos assuntos de forma diferente, e que sem explicar nada, nos pode levar a pensar sobre alguns assuntos, uns que nunca teremos respostas, outros que para nós já estavam definidos...

Enquanto autor  de uma análise a este livro, não há muito que vos possa dizer sem revelar o que pode ser importante e que deve ser descoberto por cada autor. Aqui não existe oportunidade de analisar uma personagem ou uma história. Este é um livro que junta pensamentos e experiência, ciência e divino, lógica e fé, alegria mas também medos, e muitas perguntas sem resposta, não por culpa ou intenção do autor, mas porque vivemos num universo que não temos capacidade de compreender.

Tudo o que vos possa explicar a partir daqui só poderá prejudicar uma experiência literária que é, sem dúvida, única. As portas da percepção é um livro singular, que deve ser lido por quem queira algo diferente e que em alguns momentos será inspirador, tanto para pensarmos como para pesquisarmos certos aspetos e até referências feitas pelo autor. Apesar de não ser uma obra prima, é inquestionável que estamos perante uma experiência singular, que será diferente para cada leitor, mas que também será diferente quando a voltarmos a ler. Uma leitura que tenciono repetir, e acredito que me abrirá novas portas sobre a percepção de alguns assuntos.

Luís Pinto

2 comentários:

  1. Parece-me um livro muito interessante. Excelente análise Luís, as always.

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  2. Mais uma excelente análise a um livro que parece realmente singular.

    Vou procurar! Bjs!

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