segunda-feira, 15 de julho de 2013

A REVIRAVOLTA


Autor: Michael Connelly

Título original: The reversal


Sinopse: Em 1986, um crime brutal abalou a vida dos habitantes de Hancock Park: Melissa Landy, de doze anos, foi raptada e brutalmente assassinada, e o seu corpo atirado para uma lixeira. Vinte e quatro anos depois, o caso regressa à barra dos tribunais, sob o olhar atento dos meios de comunicação social. Jason Jessup, o suposto infanticida, tem em seu poder uma prova de ADN capaz de o ilibar do crime. Porém, o advogado Mickey Haller, conhecido pelas suas defesas vitoriosas, aceita agora uma nova missão: trabalhar pela primeira vez com o gabinete do procurador do Ministério Público para provar a culpa de Jessup.
Com a ajuda do detetive Bosch e da ex-mulher, a destemida Maggie McPherson, Haller terá então de superar um advogado de defesa hábil na manipulação dos meios de comunicação social, um réu ardiloso e uma testemunha relutante em depor ao fim de tantos anos. E o jogo torna-se cada vez mais perigoso à medida que a família de Haller e Bosch se veem transformadas em peças de xadrez num tabuleiro fatal.


Apesar de não ser o primeiro livro desta personagem (Mickey Haller), o enredo não exige que se tenha lido os anteriores. A sinopse agradou-me bastante mesmo tendo em conta que "thrillers de tribunais" não seja um género que leia muito, e por isso arrisquei, e valeu a pena.

O primeiro ponto a destacar é a mistura entre factos históricos e ficção. Quando a crítica internacional diz que o autor está no topo do seu género, a verdade é que tal nota-se em pequenos detalhes, e a forma como liga factos e ficção é prova disso. O ritmo é bom, nunca deixando que o livro se torne monótono, e nota-se que o autor teve a intenção de nos dar os factos históricos aos poucos, para que haja uma melhor compreensão e não saturação de alguns temas. Outro detalhe interessante é o facto do autor esclarecer alguns modos de funcionamento da polícia na investigação, levando o leitor a sentir-se à vontade com certos temas mais complexos.

Outro ponto interessante trata-se da manipulação que o livro tenta na mente do leitor, levando-nos a apoiar um lado, fiquei atento, a tentar perceber se o enredo me levava com verdades ou mentiras. No entanto, também é preciso destacar que em vários momentos notamos que não existe uma linha que defina bons e maus. Este facto agradou-me bastante porque na realidade essa linha é tão ténue que por vezes não existe, mesmo nestes casos. Todos têm os seus objetivos e motivações, e muitos de moralidade discutível. E neste caso, tal facto torna o livro muito mais realista e oferece-nos a sensação de que o final do livro nunca será o final da história, porque a luta entre bem e mal, justo e injusto, nunca terá fim.

Com a narrativa centrada em Bosch e Haller, o enredo salta em cada capítulo, para a visão de um ou do outro, levando o autor a escrever de forma diferente. Este aspeto é bastante positivo, pois ajuda-nos a distinguir imediatamente as personagens e também a conhecê-las melhor, pois a narrativa está apoiada na personalidade de cada um. As personagens são bem construídas, principalmente porque são coerentes (o que para mim é muito importante num livro onde a argumentação lógica é tão relevante), e existem três ou quatro que se destacam, principalmente Haller que conseguiu aproximar-me da história, que é sempre um dos objetivos de personagens importantes.

O final não esperava desta forma. Acredito que alguns leitores não apreciem, mas eu gostei bastante, e a excelente nota que o livro tem no site GoodReads demonstra que foram muitos os que gostaram deste livro (juntamente com a crítica internacional que aplaudiu este livro). Pode não ser o marco no seu género (não o consigo dizer porque não sou grande conhecedor do mesmo), mas foi um livro de leitura agradável, que gostei bastante e me convenceu a ler mais livros do autor.

Luís Pinto

9 comentários:

  1. Análise muito interessante e que me deixou com vontade de ler:)

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  2. Uma opinião que me também convenceu. Apenas a li agora e como não conheço o autor vou procurar. Obrigado pela sugestão.

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  3. Comprei este livro no dia em que li a tua opinião e já o acabei. Gostei bastante do livro e de vários pormenores em particular. Concordo com a tua análise muito boa como nos habituaste neste dois anos.

    Parabéns. Agora vou ler outros livros do autor porque gostei bastante da sua escrita.

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    1. Olá Fil. Ainda bem que compraste e gostaste. Se leres mais livros do autor diz-me se recomendas porque eu também fiquei interessado.

      Abraço

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  4. Olá,

    Interessante sem duvida, fica debaixo de olho ;)

    Abraço

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    1. Fazes muito bem em o deixar debaixo de olho!

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  5. Numa primeira leitura da sinopse, este livro lembra-me Morte Súbita de J.K. Rowling. Será?
    Boas leituras!

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    1. Olá folhas de papel.

      A sinopse pode dar essa ideia, mas os livros são mesmo muito diferentes.

      Boas leituras!

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