sexta-feira, 26 de julho de 2013

LAÇOS QUE PERDURAM


Autor: Nicholas Sparks

Título original: The Guardian



Este é o 3º livro que leio de Nicholas Sparks. O seu estilo singular deu-lhe um enorme êxito em todo o mundo e não é difícil perceber porquê. Sparks, consciente que o seu público alvo é o feminino, cria histórias que transmitem sentimentos ao leitor: hipnotiza-os com o poder do amor, entristece-os com a inalterável perda, e no fim, tenta deixar uma mensagem que cada leitor interpretará à sua maneira.

Não sendo um género do qual seja fã absoluto, Nicholas Sparks é um dos autores em que apenas leio um livro de vez em quando. Os outros dois livros que li foram interessantes, nunca fascinantes para mim, mas tocaram em temas interessantes e que com uma escrita leve, me proporcionaram leituras sem esforço. Neste enredo não conseguimos encontrar grande originalidade, mas a verdade é que neste género já não é fácil criar algo refrescante. No caso de Sparks não é a originalidade nem a surpresa que marca o livro, mas sim os sentimentos. No entanto, este dá um passo em frente em relação à força do enredo.

Este é o meu livro preferido do autor. Em termos críticos, é difícil dizer se tem mais qualidade do que os outros, pois parecem-me todos ao mesmo nível onde vários temas de interligam. O que me fez gostar mais desta obra é o facto de ser o enredo mais negro do autor e aquele que explora melhor a mente doentia a que um ser humano pode chegar. Este era um caminho que não esperava ver nesta obra, e gostei.

Após ler três livros deste autor, começa a ser possível descobrir as semelhanças. Em alguns momentos, Sparks é previsível, não porque a história indicia que acontecimento X vai acontecer, mas simplesmente porque já aconteceu noutros livros seus. Existem certos acontecimentos que se repetiram nos três livros que li do autor e que imediatamente identifiquei, mas o autor consegue compensar esses momentos com personagens que facilmente gostamos (apesar de por vezes também serem previsíveis) e com momentos de grande emoção. 

A história segue Julie, uma mulher que perdeu o marido e vive com o seu cão, Singer (é muito fácil gostarmos deste cão), e aos poucos vemos o aparecimento de um triângulo amoroso a "dois tempos". Com a escrita rápida e simples, Sparks expõe uma boa construção de personagens, mas a verdade é que, na minha opinião, Richard consegue sobressair muito mais do que as outras, o que por um lado é mau, por outro é bom. 

Sem querer revelar a história, é preciso dizer que o autor volta novamente ao tema da perda. A morte, solidão e incapacidade para seguirmos a vida durante bastante tempo. Neste aspeto nada de novo mas é verdade que o autor faz bem o seu papel (se não o fizesse não teria tanto êxito), mas é no lado negro que este livro me convenceu. Sparks leva-nos ao interior mais sombrio da mente humana, e se por um lado algumas ações não surpreendem, a própria forma como o autor expõe a sua personagem mais negra é uma excelente adição e que muito deve contribuir para este ser o seu livro melhor classificado no GoodReads. 

Personagens interessantes, um cão memorável e um livro mais intenso e negro do que esperava. Sparks não escreve o meu género, não o conseguiria ler consecutivamente nem redefine os acontecimentos do género, mas consegue criar emoções como poucos, e é por isso que o seu público alvo lhe é tão fiel. Para quem gostar do género ou do autor este é mais uma boa adição, e para quem quiser experimentar este autor, este é o livro que recomendo (dos três que já li).

Luís Pinto

6 comentários:

  1. «Após ler três livros deste autor, começa a ser possível descobrir as semelhanças. Em alguns momentos, Sparks é previsível, não porque a história indicia que acontecimento X vai acontecer, mas simplesmente porque já aconteceu noutros livros seus.»

    Sobre a fórmula do sparks:
    http://castelos-de-letras.blogspot.pt/2013/04/escrever-sob-uma-formula-funciona-para.html

    Posso dizer que já li alguns dez livros dele, ou mais. Serão sempre iguais, e de todos emerge este - um pouco diferente, um pouco melhor. Não é que a Julie não goste de Diet coke, ou que n'Um Refúgio para a Vida não haja violência doméstica... (e viúvos!!!) mas este é, inegavelmente, o melhor.

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    1. Olá Célia.

      Pois, eu li apenas 3 mas este pareceu-me acima dos outros. Pelo que dizes, é mesmo um autor com uma fórmula base. Vai puxando sentimentos e e a leitura até agora foi sempre fácil, mas se estivermos atentos, por vezes é previsível. Sou capaz de voltar a este autor daqui a uns tempos.

      Boas leituras!

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  2. Já li e concordo contigo. É um livro mais masculino por ser mais sombrio e acho que é o mais fácil de gostares. Eu adoro o autor e gostei muito deste livro. A tua opinião está muito boa e fala sobre o que é importante. E também tens razão quando dizes que é previsível em certos momentos mas é uma leitura sempre agradável. :)

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    1. Olá Pipa.

      Ainda bem que concordas. Se voltar a este autor, coloco aqui nova opinião.

      Boas leituras!

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  3. Este nunca li e até fiquei curiosa contigo e com a Célia a dizer que é o melhor. Acho que vou ter de o procurar porque acho que nunca o vi à venda. Obrigada pela sugestão e bom verão.

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    1. Carmo, depois quero saber a opinião!

      Bjs e boas leituras!

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