sexta-feira, 5 de julho de 2013

O ESTRANGULADOR DE CATER STREET


Autor: Anne Perry

Título original: The Cater Street Hangman


Sinopse: Enquanto as irmãs Ellison - Charlotte, Sarah e Emily - visitam amigos e tomam chá nos melhores salões londrinos, uma das suas criadas é brutalmente assassinada. Para Thomas Pitt, o jovem e pacato inspetor destacado para o caso, ninguém está acima de suspeita. A sua investigação na requintada casa da família Ellison vai provocar reações extremas: para uns, será de absoluto pânico; para outros, de deselegante curiosidade; para a jovem Charlotte será algo mais íntimo e empolgante. Algo capaz de levar Thomas a perder momentaneamente o seu instinto detetivesco e a andar com a cabeça nas nuvens. Mas sobre o casal pairam sombras impossíveis de ignorar: Charlotte é uma menina da sociedade e Thomas pertence à classe trabalhadora... e o assassino que atormenta as ruas da cidade continua à solta, implacável.

Há algum tempo que estava curioso com os livros desta autora, que criou uma personagem principal, o inspetor Thomas Pitt, e com ele mais de vinte policiais, originando uma das série mas consistentes segundo a crítica internacional. Este primeiro livro, considerado por muito o melhor trabalho da autora, leva-nos até à face mais esplendorosa de Londres e a uma investigação misturada com um efervescente romance.

No entanto, e para minha surpresa, o livro não se foca exclusivamente na investigação. Este é, principalmente, um livro com forte crítica social e focado nas lutas interiores de cada personagem. A narrativa vai saltando entre protagonistas e com elas vemos os seus suspeitos, levando a algumas revelações, muitos preconceitos, e a uma indireta manipulação da autora para nos levar a tentarmos adivinhar quem é o assassino.

Com um elenco rico, o livro tem como grande trunfo a forma como nos mostra o pânico que as personagens sentem quando começam a perceber que qualquer um pode ser o assassino, e por isso, qualquer um pode ser a próxima vítima. Até que ponto conhecemos realmente a pessoa com quem lidamos todos os dias?

A surpresa foi mesmo a crítica social. Pelo meio da investigação, a autora consegue demonstrar uma forte e desprezível divisão entre ricos e pobres, e mais importante, a opressão e desprezo que ricos têm pela classe trabalhadora. Mas também existe uma forte crítica entre a ideia que se cria sobre quais serão os objetivos de um homem e de uma mulher, e quais os fatores pelos quais medimos o sucesso das mesmas. Tudo misturado dá uma sociedade hipócrita e que não sabe enfrentar esta situação.

As personagens principais, estão muito bem construídas,  principalmente Thomas e Charlotte, com diálogos bem montados, inteligentes, sem nunca parecerem irreais ou forçados, dando ao livro um toque de qualidade. A ligação entre os dois e a sociedade é o que dá consistência a este livro e também coerência, inclusive na parte final. Claro que não é fácil temer por algumas mortes numa sociedade onde se constrói a ideia que as vítimas mereçam mesmo morrer, mas é este realismo que me agradou no livro: o facto de a autora não se limitar a escrever uma investigação. Pelo meio há ainda espaço para um romance, que ajudará à crítica da sociedade, mas sobre isso não irei revelar mais nada. 

Tempo ainda para falar do final: não estava à espera e acredito que a grande maioria dos leitores, quer gostem ou não, não irão adivinhar as últimas revelações. Por tudo isto, este é um policial que gostei bastante. É coerente, é sólido e é crítico. A investigação é inteligente e facilmente me viciei na busca do assassino. Quem gostar de policiais deve dar uma vista de olhos a este livro, sem dúvida!

Luís Pinto

2 comentários:

  1. Fiquei interessada com esta análise. Não conheço o livro nem a autora mas vou já começar a procurar. Beijinhos

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  2. Agora também quero comprar! Beijinhos e boas leituras

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