terça-feira, 5 de julho de 2011

A GUERRA DOS MUNDOS

Autor: H. G. Wells

Título original: The War of the Worlds

H. G. Wells será seguramente o pai da ficção-científica moderna juntamente com Júlio Verne. Autor de romances de relevo como este, ou A Máquina do Tempo e A Ilha do Dr. Moreau, entre outros, Wells marca o início de uma nova época neste género literário.
Este livro relata, pela voz de um narrador sem nome, a invasão marciana ao nosso planeta Terra. Tendo em conta que este livro foi publicado em 1898, foi um dos primeiros livros a falar sobre este tema que actualmente está tão farto de ser usado. Devemos aliás, ler este livro sobre esta perspectiva, de estarmos a ler algo escrito muito antes das grandes descobertas dos últimos anos, num tempo em que muitas coisas que eram dadas como garantidas foram apagadas, dando origem a novas descobertas e razões.
Falando um pouco sobre o livro devo começar por pensar sobre este narrador sem nome. Este homem sem nome escreve-nos de forma apelativa e  de fácil leitura, descrevendo medos e pensamentos, nunca sendo brilhante, nunca sendo enfadonho. A personagem é tão real, pela imperfeição e banalidade que tem, que demorei pouco tempo a perceber o porquê de não ter nome. É porque os seus olhos poderiam ser os nossos e quando lemos as suas palavras imaginamo-nos naquela situação. Nós vivemos o livro na primeira pessoa. De salientar ainda a sua escrita quase jornalística que se torna ainda mais viciante ao dar-nos noções de ciência, filosofia, política, (daquela época) entre outros.
Num livro pequeno e com mais de um século, li as suas páginas e quase que parecia um livro actual pelas questões que levanta. O que poderemos nós esperar de uma civilização tecnologicamente avançada o suficiente para nos visitar? Vamos esperar ser amigos? Faríamos nós o mesmo se estivéssemos a chegar a um novo planeta habitável? Neste caso os Marcianos estão cá para nos matar quando precisarem de comer, apenas isso, e rapidamente nos é dado a entender que serviremos de comida, e como tal poderemos ficar vivos enquanto os Marcianos não têm fome. Nós, Terrestres, estamos com medo, raivosos, desejamos retaliar, matá-los, porque este planeta é nosso, somos os seus senhores!… agora pensem, não estará Wells a mostrar-nos indirectamente o que os animais poderiam pensar de nós? Nós humanos somos impiedosos para com os outros seres vivos por sermos superiores, a mensagem no livro é bem explícita, Wells apenas nos colocou do outro lado da equação. Existirá sempre a necessidade de sobrevivência em cada ser.
Não irei revelar nada da história, mas queria salientar que o final, se olharmos para a data de publicação do livro, é verdadeiramente fabuloso. Aliás, todo o livro desenvolve um enorme conjunto de ideias que para a altura eram inovadoras, dando ao livro o toque de génio que o faz ainda hoje ser lido, relido e inúmeras vezes adaptado para tudo e mais alguma coisa.
De recordar ainda que se trata do livro que Orson Wells leu no seu programa de rádio, levando milhares de americanos a acreditar que realmente os Marcianos tinham chegado à Terra. O acontecimento ficaria para a História.
Resumindo, este livro é obrigatório para qualquer adepto do género. Uma verdadeira obra-prima com mais de um século, uma história envolvente, boa narração e com uma criatividade genial. A não perder.  

2 comentários:

  1. Boa crítica! falas sobre temas que não tinha pensado quando li o livro.
    As críticas que li até agora estão muito boas, parabéns!

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  2. Depois de ter visto o filme (aquela treta de filme do Spielberg com o Cruise...) tinha ficado sem curiosidade nenhuma de ler este livro! Com esta critica vou ter que o acrescentar à minha lista de livros a comprar porque fiquei com muita curiosidade!

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