quinta-feira, 23 de março de 2017

ARTE NO SANGUE


Autor: Bonnie Macbird

Título original: Art in the Blood





Sinopse: Sherlock Holmes, de 34 anos, definha e volta à cocaína depois de uma desastrosa investigação sobre Jack, o Estripador.
Watson não consegue consolar nem reanimar o seu amigo, até que chega, de Paris, uma carta codificada de modo estranho.
Mademoiselle La Victoire, uma bonita cantora de cabaré francesa, conta que o filho ilegítimo, que teve com um lorde inglês, desapareceu e que ela foi atacada nas ruas de Montmartre. 



Sou um grande fã de Sherlock Holmes mas nem sempre aprecio na totalidade livros escritos por outros autores. A questão é simples: a expectativa pode matar o livro, porque nenhum autor consegue alcançar a qualidade de Arthur Conan Doyle. O seu Sherlock será sempre único. Posto isto, já existiram bons livros, filmes ou séries que conseguiram agarrar o trabalho de Doyle e adaptá-lo a algo novo e com muita qualidade. A série televisiva Sherlock é um desses casos. Aqui neste livro temos mais uma boa tentativa, mas que não consegue ser fantástica.

Em primeiro lugar, a escrita da autora está boa, sendo capaz de se adaptar bastante bem ao enredo e criando o suspense necessário. O ritmo é interessante e a autora consegue deixar o leitor com as dúvidas necessárias para que a leitura seja viciante, graças também a uma base bastante apelativa. O mistério tem uma boa base e evolui com inteligência, apesar de nem sempre termos perante nós o brilhantismo de Sherlock. A autora consegue explorar com astúcia os motivos de alguns personagens e esse é um dos grandes trunfos do livro, principalmente porque nos ajuda a criar teorias sobre o que estamos a ler.

No entanto o livro peca por apresentar personagens algo incoerentes por comparação ao que se conhece de outros livros. Claro que aqui estamos perante a visão da autora, mas existe sempre a tendência de se comparar estas personagens com as suas versões originais, e aí a autora por vezes afasta-se do Sherlock ou do Mycroft que conhecemos. No entanto, a própria comparação que faço, talvez seja injusta, mas quase inevitável.

Tirando estes detalhes, e que apenas irão desagradar aos fãs de Sherlock, a autora consegue oferecer aqui um bom livro, mas que nunca é fantástico. Os diálogos são bons e a conclusão tem lógica, mas a expectativa pode matar o livro tal como aconteceu com muitos outros que tiveram Sherlock como personagem principal. Resumindo, este livro é um bom policial, mas que tem algumas falhas que os fãs de Sherlock irão notar. No entanto, se gostam do género, este é um livro muito viciante, quer sejam fãs ou não do mais famoso detective do mundo.

Luís Pinto

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