quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A CRIANÇA DE FOGO


Autor: S. K. Tremayne

Título original: The fire child




Sinopse: Com a família, ela aprendeu a conviver com as ilusões. Mas até quando conseguirá manter a mentira? Ao casar com David, Rachel sente que a sua vida se aproxima da perfeição. Troca a agitação londrina pelo vale encantador de Carnhallow, na Cornualha, e encontra, finalmente, paz e um amor vibrante, além de se tornar madrasta de uma criança adorável, Jamie. Mas cedo se desvanece o cenário idílico. Jamie demonstra comportamentos estranhos, fazendo previsões alarmantemente reais, e revelando que Nina, a sua falecida mãe e primeira mulher de David, ainda vive entre eles, naquela casa. Assombrada por esta história e pelos seus próprios fantasmas, Rachel começa a remexer no passado pesaroso daquela família… Qual a verdade sobre o acidente mortal de Nina? Será que David mente? E se sim, porquê? Quando o verão termina e se aproxima dezembro, Rachel começa a temer a veracidade das palavras de Jamie: Tu vais morrer no dia de Natal. 



Houve qualquer coisa nesta capa que me chamou a atenção. Não foi o nome, nem a sinopse... foi a imagem. E foi ao olhar para esta criança que avancei na leitura, sem saber bem o que esperar.

Gostei do enredo principal e da escrita do autor. Inteligente e direta quando precisa de ser, o ritmo não arrefece e isso ajudou-me a continuar a ler com vontade. No início a história demorou um pouco a convencer-me, porque havia ali algo que não batia certo. Aos poucos o enredo começa a ganhar uma vertente mais sobrenatural que me agradou e com isso o ambiente torna-se mais pesado, mas também, por estranho que pareça, mais coerente na fase final. Aliás, o grande trunfo deste livro é o seu ambiente, que quase consegue deixar o enredo para segundo plano, porque ao ler estas páginas estava mesmo a sentir o peso dos medos e dúvidas destas personagens.

Com um ambiente bem conseguido o enredo vai atrás, apesar de não ao mesmo nível. Gostei da história, apesar de alguns momentos mais forçados. Percebi para onde o leitor me levava e com isso antecipei o final, que é arriscado e não agradará a todos, mas que para mim fez sentido com vários detalhes que fui detetando durante a leitura. pelo meio várias personagens interessantes, com destaque para uma que não irei revelar, mas que me surpreendeu com uma simples revelação que me fez "olhar para outro lado" e perceber como o autor me estava a tentar enganar.

Este é um livro que não agradará a todos. É preciso gostar-se de livros com ambientes pesados. A narrativa não consegue ter o impacto que a escrita do autor merecia, mas consegue agarrar-nos facilmente, principalmente porque queremos ver até que ponto algumas suspeitas são ou não verdade. Se gostarem deste género, este livro é uma boa escolha que vos deixará acordados a ler. Não é uma obra prima nem está entre os melhores do seu género, mas acredito que qualquer leitor irá ler, sem parar, até ao fim, para saber como tudo acaba... tudo isto num ambiente claustrofóbico que vos fará recordar este livro anos depois de o terem acabado de ler.

Luís Pinto


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