terça-feira, 11 de outubro de 2016

CONTAGEM DECRESCENTE


Autor: Ken Follett




Sinopse: Um homem acorda deitado no chão de uma casa de banho da estação de comboios Union Station, em Washington. Não faz a mínima ideia de como foi ali parar. Parece um sem-abrigo e não sabe onde mora. Nem sequer se lembra do próprio nome.
Em janeiro de 1958, no auge da Guerra Fria, soviéticos e americanos disputam a primazia pela conquista do espaço. O lançamento do Explorer I, o primeiro satélite americano, foi inexplicavelmente adiado. Claude Lucas é uma das figuras centrais para que o lançamento seja um sucesso, mas encontra-se desaparecido. Sem ele, o jogo de forças pode pender para o lado soviético.


Apesar de ser mais aclamado pelos seus romances com vertente mais histórica, Ken Follett sempre foi um escritor com grande tendência para a espionagem e thrillers de alta intensidade. Aqui Folett regressa ao seu estilo mais intenso e rápido, aproveitando certos factos históricos para deixar o leitor preso ao livro.

O ponto mais alto do livro será mesmo esse: a mistura de factos e ficção que nos levam a questionar o que realmente poderá ter acontecido. Com algumas personagens reais e vários acontecimentos à mistura, Follett leva o leitor a conhecer factos que provavelmente nunca ouviu falar, e com isso aumenta ainda mais a suspeita. Depois entra a arte do autor em nos dar pequenas pistas de cada vez, conseguindo revelar apenas nos momentos certos o que queremos saber, mas sem nunca nos dar todo o contexto, acabando por conseguir criar uma sensação de que existe sempre um novo mistério durante todo o livro. Com tudo isto, o livro torna-se bastante viciante.

O enredo é interessante, com alguns momentos mais forçados e que quase nem notamos, tal é a velocidade que a narrativa atinge nos momentos mais intensos, e mesmo vendo que alguns momentos eram óbvios, também é verdade que o autor não nos dá muito tempo para pensar, pois está sempre a acontecer algo que nos prepara para o próximo mistério.

Gostei de algumas personagens e acredito que dão qualidade à história. Infelizmente, devido à velocidade do thriller, algumas não foram muito exploradas e gostava de ver a narrativa a aprofundar mais alguns factos históricos para delinear melhor as personagens principais.

O final está bem conseguido, sempre com um toque de mistério à mistura e uma sensação de que não ficamos a saber tudo. Há sempre algo mais nestas conspirações que não sabemos, e aqui Follett joga com mestria. Globalmente, este é um bom thriller para quem procura acção e teorias da conspiração. Não é o melhor livro de Follett, longe disso, mas é bastante viciante para quem gostar do tema, principalmente da mistura entre política, manipulação social e a forma como lidamos com as pessoas que amamos, e é nesta mistura entre o pessoal e o social, que o livro se destaca. Se gostam do género, é um livro a ler.

Luís Pinto

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