quinta-feira, 10 de setembro de 2015

LONGE DA MULTIDÃO


Autor: Thomas Hardy

Título original: Far from the Madding Crowd




Sinopse: Longe da Multidão narra a história de Gabriel Oak e da sua grande paixão pela bela, independente e enigmática Bathsheba Everdene.
Chegada a Weatherbury como herdeira de uma vasta propriedade rural, a jovem é também pretendida pelo sedutor sargento Troy e pelo respeitável agricultor de meia-idade Boldwood. Ao mesmo tempo que os destinos destes três homens dependem da escolha de Bathsheba, ela descobre as terríveis consequências do seu coração inconstante.


Longe da multidão é um livro sobre as partidas que o nosso coração nos prega e o quanto isso nos consome e altera a nossa vida.
Num enredo em que 4 pessoas criam uma teia amorosa da qual será (ao personagem principal) difícil sair, este livro agarra o leitor pela facilidade com que passa algumas mensagens. Do meu ponto de vista, este livro tem como fruto uma escrita que salta entre momentos mais simples, e outros em que a inteligência e a montagem do próprio enredo ganham peso. Os momentos em que o livro nos revela algo são quase sempre perfeitos para que se compreenda o que cada personagem pensa e sente, levando a uma boa compreensão de algumas decisões.
 
Gostei do enredo, que apesar de não ser revolucionário, faz o que lhe compete, agarrando o leitor com alguns momentos divertidos, outros que primam pela originalidade, mas principalmente pela exploração da personagem principal que se torna no catalisador de todo o enredo. Aos poucos, o enredo começa a explorar o amor, aquele sentimento que nos agarra a uma pessoa, que nos motiva, dá esperanças, mas que também pode levar ao desespero e loucura. E é nessa exploração que percebemos como o livro nos tenta levar a sentir o peso das decisões do coração e o resultado das mesmas.
 
O resultado da leitura é ficarmos perante um livro que é, ao mesmo tempo, romântico e perturbador pela forma como o amor nos manipula. A isto alia-se um bom ambiente, que me surpreendeu pela positiva. Apesar de o autor não nos dar descrições extensas sobre o que rodeia as personagens, não baixando assim o ritmo de leitura, oferece o detalhe suficiente que se alia a uma boa objetividade, dando à narrativa a capacidade de nos transmitir algo com poucas palavras.
 
No entanto o trunfo principal do livro está na rapariga pela qual vários se apaixonam. O autor cria uma personagem feminina interessante, principalmente pela forma como o faz. Enquanto vamos lendo, percebemos que esta jovem é descrita de uma forma, mas que as suas ações demonstram exatamente o contrário. Esta ilusão criada pelo autor demonstra como ela e como os apaixonados a examinam, mas o leitor consegue perceber que a realidade é outra. Apreciei este contraste, talvez por sentir que não é falha do autor, mas sim a sua forma de me mostrar como o amor pode ser cego em alguns momentos.
 
Claro que o livro também tem falhas. Em alguns momentos é previsível e alguns diálogos parecem não ter o objetivo bem definido, mas nada que estrague a leitura. Não é, obviamente, uma obra prima nem revoluciona o género, mas é um livro que consegue alterar o estado de espírito do leitor. O final agradou-me bastante apesar de ter antevisto algumas situações. O autor arrisca em certos momentos e bem, criando uma conclusão com a intensidade que o livro merecia e que dão o toque final de qualidade. Se apreciam o género e se o tema vos agrada, então provavelmente gostarão deste livro.

 Luís Pinto

4 comentários:

  1. Parece-me um livro a ler e gostei da opinião. Nunca li nada deste autor nem nunca o tinha visto à venda, mas sou um apreciador do tema.

    ResponderEliminar
  2. Tiago Rodriguessetembro 10, 2015

    Fiquei convencido como muitas vezes acontece neste blogue. Acho que estas leituras também fazem falta, pela exploração sentimental que falas. Parabéns como sempre pela análise.

    ResponderEliminar
  3. Acho que vou arriscar neste e comprar. Convenceste-me e obrigado por não haver spoilers. Eu sei que tu nunca revelas momentos da história mas é sempre bom agradecer.

    ResponderEliminar
  4. Carla Rosáriasetembro 10, 2015

    Convencida!

    ResponderEliminar