terça-feira, 19 de maio de 2015

SETE MINUTOS DEPOIS DA MEIA-NOITE


Autor: Patrick Ness

Título original: A Monster calls




Sinopse: Passava pouco da meia-noite quando o monstro apareceu. Mas não era exatamente o monstro de que Conor estava à espera...
A escuridão, o vento, os gritos. O mesmo pesadelo noturno desde que a mãe de Conor ficou doente. Tudo é tão aterrorizador que Conor não se mostra assustado quando uma árvore próxima de sua casa se transforma num monstro... Mas só o monstro sabe que Conor esconde um segredo e é o único a estar ao seu lado nos seus maiores medos.
Inspirado numa ideia original da escritora Siobhan Dowd, que morreu de cancro em 2007, Patrick Ness criou uma história de uma beleza tocante, que aborda verdades dolorosas com elegância e profundidade, sem nunca perder de vista a esperança no futuro. Fala-nos dos sentimentos de perda, medo e solidão e também da coragem e da compaixão necessárias para os ultrapassar.



Por vezes olhamos para um livro e sentimos que estamos perante algo especial. Talvez pela capa, talvez pelo nome, mas todos os leitores já o sentiram. Às vezes enganamo-nos, mas outras vezes acertamos e ficamos satisfeitos com a nossa escolha. Este é o caso. Quando o vi a primeira vez decidi que tinha de o ler, e agora, após a leitura, faltam palavras para explicar a profundidade deste livro.

Este é um dos melhores livros que irei ler este ano, sem dúvida. A forma como me agarrou, como me surpreendeu e como me chocou, faz com que daqui a vários anos o volte a ler, e irei retirar novas lições. Este é, indiscutivelmente, um livro fantástico, mas que não é indicados a todos. Forte, profundo, não é, nem de perto, a leitura juvenil que esperava, mas sim algo muito mais negro e maduro. 

O que salta de imediato à vista são as ilustrações mesmo muito boas que preenchem esta história. A forma como estes desenhos encaixam na narrativa é algo sublime, pois são capazes de transmitir o medo e a angústia que este livro nos fala. A isto junta-se uma escrita forte e objetiva do autor, capaz de explorar temas mais maduros, desde temas que envolvam responsabilidades familiares, a dor da perda e, obviamente, a morte.

Conor, personagem principal, é uma criação sublime... um rapaz mais maduro do que parece, mais destruído do que aparenta. Conor é um rapaz que irei recordar para sempre, pela forma como me deu lições e pela forma como nos conta a verdade no final. A ele juntam-se outras personagens marcantes, como a sua mãe, ou o monstro. E é com o monstro que o livro se eleva ao estatuto de obra prima...

O monstro é o que quisermos que ele seja. Uma crítica social, uma lição de vida, uma metáfora do que nos rodeia. Cada leitor, com as suas experiências de vida, olhará para este personagem de forma diferente e irá assimilar as suas lições com diferentes significados e intensidades. No meu caso, retirei lições que poderão ser diferentes das que irei retirar quando o voltar a ler daqui a alguns anos. Até lá não me esquecerei do quanto este livro me marcou, e tentar explicar-vos como me marcou apenas irá revelar momentos do enredo.

Porque nos aterroriza ficarmos sozinhos? Porque sentimos tanto a falta de alguém? Porque sofremos tanto ao ver a sofrer alguém que amamos? O que são estes sentimentos e porque nos "ajudam" a nunca revelar certos segredos?... este é um livro genial, uma obra prima no seu género, uma poderosa mistura de lições de vida... e que apenas não é recomendado a todos porque é uma leitura forte, tal como os temas em que os maiores medos e dores podem dar origem à maior esperança.

Luís Pinto 


5 comentários:

  1. Olá Luís,
    Eu adorei este livro, mexeu com os meus sentimentos mais profundos, emocionei-me chorei, pela dor daquela criança perante a dor também daquela mãe.
    Este para mim é um dos melhores livros que li este ano e tenho a certeza que o irei reler e que nunca me vou esquecer da história.
    Gostei da tua opinião, muito sentida.
    Boas leituras.

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    1. Olá, Carla.

      Obrigado pelo comentário. Fico contente que tenahs gostado do livro. Acho que não é para todos, porque é forte e depressivo em alguns momentos, mas é muito bom. Grandes lições!

      Boas leituras!

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  2. Impressionante texto. Agora tenho de comprar o livro...

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  3. Já estive com ele na mão, mas pensei que fosse demasiado juvenil... Agora que li a crítica fiquei super curioso... Quero comprá-lo, preciso de comprá-lo!

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