segunda-feira, 18 de maio de 2015

O INVERNO DO NOSSO DESCONTENTAMENTO


Autor: John Steinbeck

Título original: The Winter of Our Discontent




Sinopse: Em "O Inverno do Nosso Descontentamento" são colocados no primeiro plano os temas sociais que conferiram às obras de Steinbeck o pleno interesse com que o público as absorve. O núcleo deste romance é o dinheiro, a hipocrisia e os falsos valores, a crítica serena mas implacável às engrenagens de toda a sociedade que mutile o homem no que ele tem de autêntico. Com "O Inverno do Nosso Descontentamento", Steinbeck reencontra a inspiração de que brotou "As Vinhas da Ira", esse romance humanístico e de superior qualidade literária que legitimou o Prémio Pullitzer.



A grande maioria de nós recebeu uma educação baseada em valores morais que nos façam alcançar a felicidade mas também ajudar à felicidade de quem nos rodeia. Mas, enquanto crescemos, também recebemos outras noções, como a da importância do dinheiro, porque sem ele não sobrevivemos na atual sociedade. O que Steinbeck consegue explorar sempre de forma magistral é a natureza humana, ou, pelo menos, o que nós achamos ser a natureza humana, pois a verdade é que não conhecemos outra. Desde os tempos mais antigos sobre os quais sabemos alguma coisa, que o Homem demonstra ganância. São muitos os que querem tudo, e os valores morais são pisados por essas "notas verdes".

E é sobre a luta moral de cada homem que este livro trata. É sobre aquele momento em que esquecemos a pessoa que devíamos ser, para passarmos a ser algo diferente, mais ambicioso, capaz de se corromper para ter mais dinheiro, seja de que forma for. E, aos poucos, este livro transforma-se, tal como este autor sempre fez, numa esmagadora critica social que explora o enorme fosso entre ricos e pobres, entre aqueles que se tentam ajudar mutuamente e aqueles que enriquecem com a pobreza dos restantes. É uma constante luta entre fortes e fracos. 

Claro que Steinbeck não generaliza, pois nem todos os ricos serão sempre os vilões, nem os pobres as vítimas, mas sim que todos somos vítimas da globalização e da forma como o mundo financeiro comanda o mundo. Uns sobrevivem, outros não. Com este foco, Steinbeck cria uma história marcante, e por vezes angustiante, que agarra, comove e revolta o leitor. A forma extraordinária como explora os medos, os sonhos e os traumas de cada personagem é o maior trunfo de mais uma obra prima deste autor. A ligação que Steinbeck me faz criar com as suas personagens é algo que muitos poucos autores conseguem. É sentirmos mesmo algo enquanto lemos...

Com uma escrita de grande qualidade e um ritmo constante, o enredo explora uma sociedade e as diferenças das pessoas que a constituem, resultando num enredo coeso e numa sociedade que se sente viva. No meu caso a leitura é sempre compulsiva neste autor porque as suas personagens apresentam um realismo incrível e tudo o resto que possa aqui falar será apenas para revelar momentos do enredo que devem ser sentidos durante a leitura. 

Este é o terceiro livro que leio de Steinbeck (depois de Ratos e Homens e As vinhas da ira) e é a terceira obra prima. Steinbeck é um nome incontornável e e muitos poucos autores exploraram o ser humano tão bem em momentos tão difíceis. Amor, ódio, revolta, ganância, desprezo. Os seus livros têm tudo e voltarei para os reler daqui a uns anos. Simplesmente fantástico...

Luís Pinto

4 comentários:

  1. Impressionante texto como sempre. Parabéns! Fiquei com enorme vontade de ler.

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  2. Joana Fariamaio 19, 2015

    É nos grandes livros que tu fazes grandes textos Luis. Parabéns pela referência que és e pelas sugestões que dás. Vai ser de certeza um livro a ter na estante. Sou capaz de comprar um ou dois do autor na feira do livro que está mesmo a chegar!

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  3. Steinbeck é um autor fantástico. Por causa de ti já comprei a nova edição do Vinhas da Ira e adorei. Agora sou capaz de comprar este já na feira também. Vou ver se o metem como livro do dia.

    Boas leituras e muitos parabéns pelo texto.

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  4. Como é habitual neste blog, quando o livro é uma obra prima o Luís decide aumentar a qualidade da sua crítica. Um livro fantástico que já li duas vezes e não podia deixar de lhe dizer que falou bastante bem desta memorável leitura. Recomendo a todos.

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