segunda-feira, 18 de novembro de 2013

MISERY


Autor: Stephen King

Sinopse: Paul Sheldon é um famoso escritor de romances cor-de-rosa, tornado célebre pela personagem principal das suas obras, Misery Chastain. Porém, Sheldon entendeu que estava na hora de virar a página e decidiu «matar» Misery.
É então que sofre um terrível acidente de viação e é socorrido por Annie Wilkes, uma ex-enfermeira que o leva para sua casa para o tratar. O que Paul não sabe é que Annie, a sua salvadora, é também a sua maior fã, a mais fanática e obcecada de todas — e está furiosa com a morte de Misery.
Ferido e incapaz de andar, totalmente à mercê de Annie, Paul é obrigado a escrever um novo livro para «ressuscitar» Misery, como uma Xerazade dos tempos modernos nas mãos de uma psicopata tresloucada que há muito deixou de distinguir a realidade da ficção.
Repleto de complexos jogos psicológicos entre refém e captor, Misery é uma obra de suspense e terror no seu estado mais puro.


Forte, violento, assustador, psicológico. Este livro de Stephen King prende-nos ao seu mundo e faz o nosso coração acelerar. "Misery" pode não ser o melhor livro do autor, mas é muito bom e fica na nossa memória durante algum tempo.

O que torna esta obra tão boa é a forma como o autor escreve: forte, cruel, crua, atento ao detalhe e sempre com um esforço notório para nos agarrar ao livro e nos fazer sentir o que o personagem principal sente. É este jogo psicológico que vamos presenciando que nos deixa sem fôlego e a continuar até à página seguinte. O enredo, bem construído e inteligente, consegue ser sempre coerente e, novamente, a escrita do autor apresenta uma qualidade única com detalhes preciosos e surpresas que não esperamos. 

Mas, para além do ambiente, sempre pesado do livro, um dos grandes trunfos do livro são as personagens, e se com Paul vamos sentindo o seu desespero, com Annie estamos perante uma personagem verdadeiramente memorável, capaz de nos arrepiar com as suas falas, com as suas mudanças de humor. É quase como se ao ler, sentíssemos o seu olhar reprovador, maníaco. Annie é, sem dúvida, uma das melhores personagens que alguma vez li, sem qualquer falha, sendo ela todo o catalisador do ambiente e da qualidade do livro.

Também devo salientar outros aspetos, como por exemplo a forma como vamos vivendo o processo criativo do escritor Paul, e que me surpreendeu bastante. King cria todo um processo, explica-nos e deixa-nos perceber as decisões de Paul sobre o seu novo livro, algo muito raro de se ver numa leitura. É como se King nos estivesse a explicar como escrever um bom livro. Tais momentos fogem um pouco do enredo principal e do ambiente, para se tornarem em momentos onde sentimos a pressão do autor em escrever, em criar algo bom porque a sua vida depende disso. No fundo, trata-se de uma segunda forma de tortura psicológica para o próprio leitor.

Por fim, a violência. Este é um livro violento, gráfica e psicologicamente, que nos tenta colocar na cama de Paul, inválidos, impotentes, perante uma mulher que há muito deixou de distinguir realidade e ficção. E talvez, mais do que a violência, seja este o facto mais arrepiante do livro: estamos perante algo raro, mas real. O fanatismo, a incapacidade de separar as coisas e por fim a obsessão, a doença mental que não terá barreiras para os seus objetivos. O nosso cérebro, é, realmente, algo fantástico e que ainda estamos longe de perceber totalmente.

Não querendo desvendar o enredo, este livro vale pela atmosfera, pelas personagens e pela facilidade com que o autor nos mostra até onde pode ir o fanatismo de um lado, e do outro como o pensamento lógico pode ser morto pelo desespero e pela destruição da esperança. Um livro que não é para todos, mas que dentro do seu género é do melhor que já li, ou não estivesse perante Stephen King. Se gostam de leituras fortes, este é um excelente livro.

Luís Pinto

5 comentários:

  1. Uma obra a ter em conta a partir de agora. Não lia ainda nada do autor nem este é o meu género mas terei de experimentar um dia e acho que vou começar com este depois de ler a tua opinião. Parabéns, como sempre, um texto de grande qualidade.

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  2. Um grande escritor, sem dúvida. Já li vários do SK e adoro-os. Misery não é dos meus favoritos mas é muito bom e aplaudo teres focado todos os grandes méritos do livro sem revelares a história nem os momentos mais marcantes ou violentos. Parabéns pelos grandes textos que escreves sempre.

    Abraço e boas leituras

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  3. Helder Matosnovembro 18, 2013

    Já li e aconselho. E dou-te os parabéns por continuares a fazer excelentes textos e por me teres dado vontade de voltar a ler o Misery. Continua com este autor que é dos melhores que anda por aí.

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  4. Nunca atinei com a escrita do escritor, calro que ainda lhe vou dar oportunidade e até tenho alguns na estante, mas acho que é bastante descritivo e que o enredo pouco avança. Tanta gente que elogia o seu livro a Luz e eu não consegui gostar do livro.

    Mas não deixo de ficar curioso com o teu comentário e reconheço que é um dos escritores que mais admiradores tem.

    Abraço !

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  5. Dos que li do King, para mim, é o melhor!

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