terça-feira, 23 de agosto de 2016

PSICOPATA AMERICANO


Autor: Bret Easton Ellis

Título original: American Psycho






Sinopse: Patrick Bateman é o musculado e bem-parecido herdeiro de uma grande herança e trabalha em Wall Street. É obcecado por roupa de marca, música pop, restaurantes caros, aparelhos eletrónicos e noites de excessos em Nova Iorque.
Pouco a pouco vai revelando o seu lado obscuro, expressando-se através da violência, revelando-se tão dormente e apocalíptico como a sociedade que critica. Até que vai longe de mais e um detetive começa a investigar a sua vida.
Psicopata Americano é a narrativa de um tempo - os anos 80, nos Estados Unidos - e um retrato inclemente e humorístico, cruel e pateta, emocionante e repulsivo de humorístico.
A tudo isto acrescem as referências à cultura das celebridades e ao estilo de vida superficial e ganancioso dos tempos modernos. É um espelho daquilo em que estamos a tornar-nos (ou que já somos). Um espelho de feira popular, que nos distorce, encolhe e exagera, mas não deixa de refletir o Homem que Dostoiévski anuncia na epígrafe deste livro: «Ele representa uma geração que ainda está viva, e entre nós, nos dias que passam.»



Para aqueles que possam não conhecer o livro ou o filme, começo por dizer que este livro é uma obra prima, mas que não se recomenda a qualquer pessoa. Este é um livro que se adora ou se odeia, mas que inegavelmente transpira uma qualidade rara. É aquele murro no estômago do leitor que percebe o que o ser humano pode fazer, nas diferenças sociais, no que o dinheiro pode comprar, no caminho que alguns de nós percorrem, mesmo aqui ao nosso lado.

Esta é a história de um serial killer que demonstra ter tudo o que a sociedade que o envolve admira e enaltece. Profissão estável, muito dinheiro, estilo, classe, conhecimento, bonito e musculado. Por detrás dessa imagem, a imagem do ser humano perturbado. Olhando de longe percebemos a metáfora, a forma como o autor tenta despir qualquer personagem, qualquer pessoa que também veste uma imagem diária, e a grande maioria veste, pois a sociedade assim obriga. 

Com uma escrita crua, mas também humorística, o autor puxa pela nossa repulsa enquanto, indiretamente, nos leva a ver semelhanças entre este homem e nós. E é nessa luta que entramos, mesmo que o possamos não perceber, porque o autor quer mostrar-nos que por fora aquele é o homem que se deseja ser e que a sociedade confia. É essa ironia que provoca a revolta, porque o vilão parece o herói.

Com um ritmo bem conseguido e poderosas descrições do meio no qual as personagens percorrem esta história, é no enredo que está a arte do autor em nos chocar com uma personagem principal que fica na história da literatura das últimas décadas. Forte e surpreendente, este é um livro marcante, que não é para todos, mas que marcará qualquer leitor que se aventure neste clássico.

Luís Pinto

3 comentários:

  1. Fantástica opinião a um grande livro!

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  2. Como sempre parabéns pela excelente opinião sem spoilers.

    Boas leituras

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  3. Um livro fantástico e concordo contigo, ou se adora ou se odeia!
    Eu adorei!
    E adorei a tua opinião, muito bem formulada, concisa como eu gosto!
    Abraço
    Teresa Carvalho

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