quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

ARRANHA-CÉUS


Autor: J. G. Ballard

Título original: High-rise




Sinopse: «Mais tarde, sentado na varanda a comer o cão, o Dr. Robert Laing refletiu sobre os estranhos acontecimentos que nos últimos três meses tinham ocorrido no interior do prédio enorme.»
Num imponente edifício de quarenta andares, o último grito da arquitetura contemporânea, vive Robert Laing, um bem-sucedido professor de medicina, mais duas mil pessoas. Para desfrutarem desta vida luxuosa, não precisam sequer de sair à rua: ginásio, piscina, supermercado, tudo se encontra à distância de um elevador. Mas alguma coisa estranha borbulha por baixo desta superfície de rotina.
Primeiro atacam-se os automóveis na garagem, depois os moradores. Um incidente conduz a outro e, acossados, os vizinhos agrupam-se por pisos. Quando aparecem as primeiras vítimas, a festa mal começou. É então que o realizador de documentários Richard Wilder resolve avançar, de câmara em punho, numa viagem por esta inexplicável orgia de destruição, testemunhando o colapso do que nos torna humanos.
Entre a alucinação e a anarquia, a visão nunca ultrapassada de J. G. Ballard oferece-nos um retrato demencial de como a vida moderna nos pode empurrar, não para um estádio mais avançado na evolução, mas para as mais primitivas formas de sociedade.



"Arranha-céus" é uma das distopais mais aclamadas dos últimos anos pelos fãs do género. Sendo um género cada vez mais popular entre os adolescentes, Aranha-céus é uma distopia adulta, forte e que não agradará a todos, mas que é um bom livro, é!

Não me é fácil falar sobre este livro sem revelar nada sobre história ou personagens, mas tentarei. Aranha-céus é a história sobre um enorme grupo de vizinhos que habita um enorme prédio, tal como o nome indica. No início a história pode parecer banal, e até algo lenta, pois o autor não acelera a sua narrativa, sendo metódico e pausado, mas rapidamente percebemos que não será a história em si, com todos os seus acontecimentos, que marca o livro. Este é um livro para nos levar a pensar, pois o arranha-céus, enquanto edifício, é uma poderosa metáfora e crítica social.

Imaginem um prédio enorme, em que quanto mais alto se vive, maior o estatuto, maior a riqueza, maior a influência sobre os vizinhos que vivem mais abaixo. É esta a poderosa base de um livro que marcará a grande maioria dos leitores. Arranha-céus nunca é uma leitura compulsiva ou extremamente viciante. É sim uma leitura inteligente, que pede ao leitor para pensar sobre o que vai lendo.

Pelo meio, personagens interessantes vão-se tornando nas imagens que assemelhamos a algum tipo de pessoa ou a algum tipo de profissional. A forma como o autor usa a própria mentalidade instalada na nossa sociedade leva a que o livro tenha, simultaneamente, sentido mas também uma imagem de "ridicularidade" que apenas serve para expor a nossa sociedade. E aos poucos o livro encaminha-nos a questionar afinal o que é uma pessoa bem sucedida. O que é, e o que define, o sucesso profissional? E o pessoal? O que nos define como bons ou maus vizinhos?

A mistura de tantos temas e filosofias ajuda a que esta seja uma leitura completa. Por vezes a escrita é algo lenta, mas a qualidade é palpável a cada página. Percebemos o que o autor está a tentar fazer, a tentar mostrar, e acompanhamos as suas palavras pelos vários andares do seu edifício enquanto ele nos expõe como vivemos com as outras pessoas. Apesar de não o conseguir comprar aos geniais 1984 ou Admirável Mundo Novo, a verdade é que Arranha-céus é uma das melhores distopias que li nos últimos anos e que daqui a alguns anos será olhado como um clássico que terá agradado a alguns, mas não a todos.

Se este é um género que gostam e se apreciam uma boa crítica social, então este livro tem de estar na vossa prateleira, ser lido e relido daqui a alguns anos. E provavelmente quando o voltarem a ler a crítica estará tão atual como está agora, e isso tem tanto de fantástico como de preocupante. Uma leitura muito boa e que estará entre os melhores que li este ano.

Luís Pinto

3 comentários:

  1. Parabéns pela análise Luis. Muito entusiasmante. De certeza que o irei ler nos próximos tempos e nem conhecia o livro.

    Feliz Natal

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  2. A ideia que mencionas parece-me muito bem pensada. Um livro a ter sem dúvida e ainda para mais depois da tua opinião vai mesmo ter de ser comprado.

    Abraço

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  3. Mais uma excelente opinião e parece-me que mais uma excelente escolha. parabéns. Está na lista de natal. Vamos ver se o pai natal ajuda.

    Boas leituras

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