sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A PRIMEIRA REGRA DOS FEITICEIROS


Autor: Terry Goodkind

Título original:Wizard's first rule 




Este é um livro de fantasia adolescente, que muitos leitores irão gostar, mas sofre de alguns problemas neste primeiro livro, e que poderá resolver nos seguintes. Vejamos então o que torna este livro bom, mas ligeiramente inconstante.

Em primeiro lugar este livro sofre com a sua divisão em relação ao livro original e, como tal, o final recente-se, ficando a sensação de que falta algo mesmo tendo em conta que termina num momento importante para o enredo. Todavia, o problema não está na divisão em si, mas no facto de existirem muitas perguntas que ficam por responder e que faria sentido terem respostas neste primeiro livro. Quando começamos a perceber alguma da trama e a ter um maior conhecimento das personagens, o livro acaba. 

No entanto o livro tem bastante pontos positivos. Em primeiro lugar a escrita simples do autor, que apesar de ser repetitiva em alguns momentos, é rápida e claramente direcionada para um público adolescente, mas apresentado temas adultos dentro de um universo que ainda tem muito para ser explorado.

Começando pelo enredo, o autor cria a base normal para este género, com as várias etapas da criação do herói da história. Vemos a sua evolução e as suas falhas, algo que me agradou bastante, pois estamos perante um homem que em muitos aspetos foge do herói tradicional. Por vezes surpreendeu-me, por vezes pareceu incoerente, mas aos poucos, enquanto o vamos conhecendo, mas percebendo que existe uma personalidade muito interessante neste personagem. Existem ainda outras personagens que nos agarram, mas que ainda não tiveram "tempo" para se desenvolverem ao ponto de sentirmos que as conhecemos, mas acredito que o autor faça um bom trabalho neste aspeto.

Outro ponto que me agradou foi a possibilidade de lermos alguns capítulos sobre o ponto de vista do vilão, ajudando a criar suspense, pois sabemos alguns detalhes do seu plano, mas principalmente porque vai de encontro ao que o autor tenta passar durante grande parte do livro: de que qualquer vilão, à sua maneira, acredita estar a fazer o correto e a praticar a justiça. Este é, para mim, o ponto mais interessante do enredo, apesar de ainda pouco explorado, pois o autor tem a possibilidade de nos dividir com este aspeto, e se nunca vamos aceitar as ações horrorosas do vilão, vamos tentar compreendê-las, abrindo a visão do autor para o que acontece neste mundo.

Todavia, o livro sofre com alguns clichés que vão aparecendo e com surpresas que não são, na realidade, surpresas. Todos esses momentos marcam a nossa foram de ler, mas são esquecidos pelo facto de o ritmo do livro ser alto, empurrando-nos para as páginas seguintes enquanto desenvolve o seu mundo e a magia que o preenche. A questão é que o autor demonstra estar a criar um mundo gigantesco e diversificado, mas ainda não teve páginas suficientes para mostrar alguns aspetos essenciais, e ficamos ao nível do personagem principal, um homem que pouco sabe do mundo para lá das fronteiras da sua região e que agora terá de explorar. 

O enorme sucesso desta saga é o seu atestado de qualidade, principalmente se tivermos em conta que se trata de uma saga bastante grande e que não perdeu leitores, e comprovado no facto de ter sido adaptada para a televisão. Do meu ponto de vista (de quem apenas leu metade do livro original), esta saga tem tudo para ser algo bom e viciante. Nunca perdi a vontade de ler e as várias perguntas que ficam fazem-me querer continuar a ler, porque estou muito curioso. Ainda não me fascinou, mas acredito que o faça nos próximos livros.

Luís Pinto

1 comentário:

  1. Estou à procura de uma saga dentro deste estilo. Rápida e interessante que me ocupe tempo. Vou esperar por mais opiniões tuas mas para já estou bastante curioso

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