domingo, 6 de julho de 2014

A AMANTE


Autor: James Patterson & David Ellis

Título original: Mistress




Sinopse: O jornalista Ben Casper é paranoico e obsessivo. E a maior e mais compulsiva das suas fixações é Diana, a bela mas inacessível mulher dos seus sonhos. Quando ela é encontrada morta, após uma queda da varanda do seu apartamento, as autoridades não hesitam em considerar que é um suicídio. Mas Ben conhecia bem Diana e sabe que ela nunca se mataria. Convence-se de que a amiga foi assassinada e embarca numa aventura arriscada para conseguir prová-lo.
O jornalista descobre, porém, que ela levava uma vida dupla, e à medida que outras pessoas envolvidas na vida de Diana morrem em circunstâncias questionáveis, torna-se evidente que alguém não quer que a verdade venha ao de cima. E, a menos que Ben desista da sua investigação, ele pode ser o próximo a «sair de cena»...



Não fugindo ao seu estilo vencedor, Patterson oferece-nos um livro de ritmo elevado, proporcionado por capítulos curtos, apenas com as descrições necessárias e constante foco no que faz avançar a história, não só no enredo propriamente dito, mas também nas construções das personagens.

Patterson é um autor de ideias base. Em cada livro existe uma ideia que sustenta todo um enredo e aqui não foge à regra. Depois basta implementar o seu estilo. Neste caso, e pela primeira vez nos livros que li do autor, a base é o personagem principal: um homem obcecado pela sua musa, uma mulher que, aparentemente, comete suicídio. A sua obsessão, leva-o a acreditar que conhece a sua musa o suficiente para saber que nunca cometerá suicídio. E parte à investigação.

Este é um dos livros mais difíceis de ler de Patterson, simplesmente porque dificilmente teremos qualquer tipo de simpatia pelo personagem principal. A sua obsessão está feita para nos repelir, levando-nos a questionar os seus atos, as suas ideias, e claro, a questionar até que ponto ele estará certo. Este é o ponto fulcral... se não gostamos da personagem principal, como podemos acreditar que está correto? Como iremos torcer por ele?

Como consegue Patterson afastar-nos deste personagem? Tornando-o irritante e sem qualquer tipo de moral. A narrativa empurra-nos para o interior da mente deste homem, com a sua forma "ilógica" de pensar (bastante bem conseguida), apoiada em ideias e factos que nos demonstram até onde chega o seu desequilíbrio. Pelo meio vemos como este homem tenta apoiar as suas decisões tendo como base ações de outras personalidades que admira, como por exemplo JFK. Esta tendência levou-me a perceber até que ponto a mente deste homem distorcia a realidade para apoiar as suas ações, e nesse momento a dúvida instalou-se, porque comecei a questionar até que ponto a narrativa também estaria distorcida pelo personagem. Estaria eu a ler o que estava realmente a acontecer?

Este é mais um livro interessante de Patterson que não se distingue dos outros por ter mais ou menos qualidade, pois a maioria dos livros do autor estão no mesmo patamar, mas distingue-se pela personagem principal que é a base do livro. Ao contrário de outros de Patterson, aqui a investigação é o motor, mas não é a base. A base é este homem pelo qual não sentimos simpatia mas que queremos saber se está certo ou não. E é esse personagem que fará gostarem mais ou menos do livro. Se forem fãs de Patterson e se quiserem uma experiência diferente, tendo como base uma mente perturbada, então este livro será mais uma leitura compulsiva.

Luís Pinto

1 comentário:

  1. Uma opinião interessante. Nunca li nada do autor mas gosto do género e a personagem principal pode ser uma mais valia. É para experimentar no futuro.

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