quarta-feira, 16 de abril de 2014

SONHO FEBRIL


Autor: George R. R. Martin

Título original: Fevre Dream



Sinopse: Rio Mississípi, 1857. Abner Marsh, respeitável mas falido capitão de barcos a vapor, é abordado por um misterioso aristocrata de nome Joshua York que lhe oferece a oportunidade única de construir o barco dos seus sonhos. York tem os seus próprios motivos para navegar o rio Mississípi, e Marsh é forçado a aceitar o secretismo do seu patrono, não importando o quão bizarros ou caprichosos pareçam os seus actos. Mas à medida que navegam o rio, rumores circulam sobre o enigmático York: toma refeições apenas de madrugada, e na companhia de amigos raramente vistos à luz do dia. E na esteira do magnífico barco a vapor Fevre Dream é deixado um rasto de corpos... Ao aperceber-se de que embarcou numa missão cheia de perigos e trevas, Marsh é forçado a confrontar o homem que tornou o seu sonho realidade.


Finalmente li este livro de GRRM após várias recomendações. Há muito que o queria ler, pois sou um grande fã do autor, mas senti que para este livro seria necessário cortar a "ligação" com a famosa série de Westeros, para não existir uma expectativa demasiado alta. Claro que por muito que se tente, não é fácil conseguir criar essa rutura, e existe sempre um ou outro momento em que fazemos a inevitável comparação com a saga mais famosa do momento.

O grande trunfo deste livro são as suas descrições. É impressionante a forma suave, e ao mesmo tempo detalhada, com que GRRM nos descreve os cenários deste livro. A atmosfera que cria é tão rica, e quase palpável, ao ponto de se tornar fácil acreditar que estamos naquele barco, a ver o luar refletido naquele rio. É como se cheirássemos o ar puro do Mississípi e ouvíssemos o motor do barco e a água que bate no casco.

A outra grande qualidade está nas personagens. GRRM sabe construir personagens, dar-lhes profundidade e nunca as deixa serem demasiado boas ou más. É essa ténue linha entre o bem e o mal, que sempre existiu nos livros de GRRM, que aqui volta a fazer a diferença. A nossa personagem principal não é alguém com a qual nos identifiquemos rapidamente, principalmente porque sentimos que não a conhecemos. O autor habituou-nos a sermos obrigados a tentar ler as personagens, perceber quais os seus motivos e aqui não é diferente. Todavia, ao demonstrar os seus valores e lealdade, Abner consegue cativar aos poucos, principalmente porque é uma personagem forte e bem construída, com noções de fidelidade.

No entanto é noutras personagens que está o grande talento de GRRM. Sem avançar com nomes para não vos estragar surpresas, existem, para mim, três vampiros que tornam este livro melhor, não só pelas relações que têm entre si, mas também com humanos. Lentamente começamos a compreender estes vampiros, a forma como vivem entre si e como vivem com os humanos, e muito é graças a estes três personagens, não só pelas suas posições de liderança mas também pela sabedoria de quem vive há muitos anos.   

Outro fator interessante é o ritmo da narrativa, mais alta do que em qualquer outro romance que tenha lido do autor. GRRM capta a nossa atenção desde o início e não nos deixa parar a leitura, algo assinalável tendo em conta que a grande base deste livro são as descrições. O enredo é bom, traz surpresas e no fim acredito que não será esquecido tão cedo. Num olhar global, GRRM tem aqui um livro muito interessante, de ritmo elevado e grande capacidade para nos mostrar o que estas personagens estão a ver. A narrativa de GRRM é forte e sublime em alguns momentos, levando-nos para um estado em que parece realmente um sonho, tal como o título indica. Este não é o melhor livro do autor, o que realmente era difícil, mas lê-se rapidamente e demonstra que o autor está confortável em qualquer género, quer seja fantasia, terror ou FC. Bem diferente das histórias de vampiros que têm invadido as lojas nos últimos tempos, este é um livro que recomendo, principalmente aos fãs do autor, pois o seu estilo está presente, quer seja em Westeros ou nas águas do Mississípi. Muito bom!

Luís Pinto


6 comentários:

  1. É bom redescobrir velhos autores!

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  2. Por mais incrível que possa aparecer nunca li este livro mesmo já tendo lido todos os outros do Martin. Gostei bastante da tua análise e fiquei com vontade de ver essas descrições que falas. Beijokas

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  3. Um dos melhores livros do autor e percebo o que queres dizer na tua análise sobre algumas personagens. Acho que fizeste uma excelente análise. Abraço!

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  4. Grande livro, sem dúvida!

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  5. Nunca li este li mas já olhei para ele várias vezes. Acabei por nunca comprar mas há pouco tempo li uma crítica muito interessante e a tua deixou-me rendido a comprar e a ler esta obra que parece ser singular.

    Boas leituras, continuação de um excelente trabalho e abraços.

    FG

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  6. Viva,

    Concordo grande livro do Martin e adorei o teu comentário :)

    Abraço

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