sábado, 22 de junho de 2013

OS FILHOS DE HÚRIN


Autor: J. R. R. Tolkien

Título original: The Children of Húrin


Este é um livro que pode ser lido sem termos qualquer conhecimento de todo o universo criado por Tolkien. No entanto, e apesar de se "aguentar bem sozinho", deve ser lido já com algum conhecimento de toda a Terra-Média, e de preferência, após a leitura de O Silmarillion.

Este é, na minha opinião, o livro mais negro deste génio da literatura. Tolkien surpreende ao não oferecer o resultado mais feliz em vários momentos do livro, tornando-o forte, sombrio e dando ao leitor a sensação que a cada página alguma coisa de mau pode acontecer.

As personagens principais são muito bem construídas e exploradas, desde Túrin e Húrin, passando por Morgoth, e todas elas oferecem um particular desespero à história. Para além disso, este é também um livro que explora temáticas fortes, expondo a natureza e fragilidade humana, quer física e mental, quer social. E acabamos por ter à nossa frente uma obra que levanta várias questões filosóficas e que poderão passar ao lado de um leitor que leia esta obra demasiado depressa.

Em primeiro lugar devemos olhar para o amor entre pai e filho. Tolkien explora bastante este tema, mas nunca diretamente. O que vemos aqui é um caso normal onde um pai ama incondicionalmente um filho e tudo fará para o proteger, enquanto o filho se apercebe, ao crescer, que o pai não o protegerá toda a vida. Em ligação com estas questões, está a impossibilidade de um homem mudar o seu destino e evitar a dor ao ver que tudo o que ama, acabará por sofrer. E aqui temos a última grande questão: estará o nosso destino decidido (neste caso o destino dos filhos de Húrin), ou será que é a própria natureza humana que falha? Será que o que temos destinados para cada um é consequência da própria fragilidade humana e será o plano de algo divino, que nos levar a cair ou erguer? E então, somos, ou não, donos do nosso destino?

Envolto na fantasia que Tolkien nos habituou, este é, talvez, do ponto de vista dos acontecimentos, o mais realista dos enredos que Tolkien nos ofereceu. O final fantástico e com certos momentos bastante inesperados, demonstra a poderosa imaginação do autor, não só em relação a ambientes, mas também em relação aos locais mais profundos a que pode chegar a mente humana.

Este é, principalmente, um livro para os fãs. Para mim, esta é uma das melhores história de Tolkien e que ganha uma dimensão ainda maior se tivermos conhecimento dos acontecimentos da Primeira e Segunda Era da Terra-Média. A narrativa perde um pouco a "melodia" presente em O Senhor dos Anéis e apresenta-se mais forte, mostrando que Tolkien não foi apenas um autor de grande imaginação, mas também um autor capaz de mostrar muitas das fragilidades humanas, algo que apesar de presente nas suas outras obras, não têm tanta preponderância, pois estamos distraídos com a sua "imaginação visual". 

Mesmo se fores um fã de Tolkien, este não deverá ser o teu livro preferido do autor, mas vale a pena ser lido. Li-o devagar, tentei absorver toda a mensagem que o livro tenta passar, interpretei-o à minha maneira e recomendo que façam o mesmo. Para finalizar, vale a pena falar das excelentes ilustrações presentes no livro, e que nos ajudam a imaginar, o que, talvez, Tolkien imaginou. Um conjunto de poderosas imagens que se aliam de forma perfeita ao livro.



Luís Pinto

5 comentários:

  1. Nunca tive vontade de ler este livro mas convenceste-me. Abraço e bom fim de semana.

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  2. Estou para ler desde que saiu e agora deste-me mais vontade mas primeiro vou ler o silmarillion como indicas e depois passar a este. Também já comprei o Cloud Atlas e o Homem do Castelo alto, os dois recomendados por ti. Abraço

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  3. Oh Luís, assim não pode ser. A minha carteira reclama! :)

    Gostei muito da tua crítica e fiquei ainda mais decidida a ler este livro um dia. Também quero ler os Contos Inacabados que falaste antes.

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  4. Concordo plenamente, isto vindo de um fã absoluto de Tolkien. É uma história algo diferente do Lord of the Rings e principalmente do Hobbit, mas que agradará ainda assim aos fãs do autor, em especial aos que já leram os restantes livros deste universo, de onde já terão, inclusivé, tido conhecimento de alguns dos eventos deste livro. Tal como conclui, este também não foi o meu favorito, mas foi sem duvida um óptimo regresso ao universo de Tolkien, especialmente considerando que o li anos depois das restantes obras.

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  5. Olá,

    Bem depois de ler este comentário fiquei convencido, tenho mesmo de ler mais livros do Tolkien.

    Curiosamente só este ano li o Hobbit e adorei.

    Abraço

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