terça-feira, 26 de julho de 2016

A CONFISSÃO DO NAVEGADOR


Autor: Duarte Nuno Braga



Sinopse: Corre o ano de 1493. D. João II convida o navegador Duarte Pacheco Pereira a conhecer Cristóvão Colombo. Joga-se o destino de Portugal e do próprio Duarte Pacheco Pereira, incumbido de uma missão secreta que o leva aos confins do Atlântico. Neste empolgante romance histórico desvenda-se a figura pouco conhecida do navegador descrito por Camões como o «Aquiles lusitano». Do perigo dos mares ao calor da Índia e da batalha, somos levados para uma época envolta em segredos, conspirações e relações proibidas. A ambição de um reino muda a vida de um homem dividido numa busca espiritual entre a lealdade e o amor.


Este romance começou por me agarrar com facilidade graças aos seu tema. Há vários anos que leio sobre a possibilidade de a América ter sido descoberta por portugueses levando D. João II a criar um brutal plano de política e espionagem por forma a ganhar vantagem aos nossos vizinhos espanhóis. Apesar de não existirem ainda certezas sobre tais factos, a teoria é interessante e aqui está bem explorada.

O autor foca-se bastante, e bem, na personagem de Duarte Pacheco Pereira, tornando este livro num romance mais pessoal e menos numa trama política, levando-nos a conhecer os objetivos e medos de um homem que enfrentava o mar nas mais importantes missões. O enredo, que praticamente se divide em duas fases, acaba por na primeira fase ter uma narrativa mais envolvente, principalmente graças ao tema já indicado. Na segunda fase o ritmo baixa e o livro pode, em alguns momentos, parecer menos apelativo, mas também é aqui que apresenta maior qualidade, principalmente graças à forma como o autor vai explorando o choque de culturas e costumes. 

Sempre apreciei os romances históricos que exploram as diferenças entre as civilizações, principalmente nestes casos tão extremos em que um povo europeu, quase dono do mundo, chega a um local em que tudo é diferente: política, religião, etc... Este livro consegue-o com facilidade. Ver a adaptação dos povos nunca é o tema principal do livro, mas é uma base construtiva interessante que ajuda à própria construção das personagens.

De forma global, este é um livro que pode perder algum fulgor dependendo de que temas o leitor possa gostar mais ou menos, mas também é um livro que vai melhorando aos poucos, tornando-se mais abrangente e maduro, e ganhando com o evoluir de algumas personagens. Foi um livro que gostei bastante, também porque gosto de ler sobre as aventuras portugueses por esses mares. Se gostam de romances históricos, este é um bom livro para ler este verão, com muita conspiração à mistura.

Luís Pinto

2 comentários:

  1. Gostei muito desta opinião como sempre. Parabéns. Este vai ser uma das minhas próximas leituras.

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  2. Sempre bom ver opiniões de romances sobre a nossa história. Este virá para a minha prateleira que quando fizeram o passatempo fiquei curioso e agora ainda mais.
    Boas leituras a todos.

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