quarta-feira, 15 de maio de 2013

DIVERGENTE


Autor: Veronica Roth

Título original: Divergent



Imaginem a cidade de Chicago fechada ao mundo exterior, e imaginem que toda a sociedade é dividida em cinco grupos, cada um deles com uma característica exclusiva (amizade, sinceridade, sabedoria, coragem, altruísmo), e aos 16 anos de idade, cada pessoa passa um teste de seleção, vê qual a sua característica, fica a pertencer a esse grupo e para toda a vida fará o seu papel na sociedade. Depois há os "Divergentes" que apresentam mais do que uma característica, e que escolhem onde irão pertencer... Tris, personagem principal, escolhe os Intrépidos, onde se valoriza a coragem (sim, o Harry Potter fez o mesmo quando o Chapéu Selecionador lhe deu duas hipóteses e ele escolheu os corajosos Gryffindor).

Divergente, o primeiro de três livros, tem aspetos muitos bons, e outros que quase matam o livro na minha opinião. Devido a este "desequilibrar de forças" irei dividir esta opinião em duas partes: o bom e o mau. Comecemos pelo pior.

Qualquer livro passado num mundo distópico tem de ter um fator que esteja muito bem conseguido: o mundo distópico. Todas as grandes distopias precisam de um mundo sólido, coerente e que seja explicado, porque estarmos num mundo que não percebemos como pode existir, será a morte do enredo. Neste aspeto Divergente falha. A ideia é muito interessante mas a verdade é que a autora não explica o "porquê". Existem pistas, várias até, de que um dia saberemos o porquê, mas neste livro... nada, e como tal, a autora terá muito trabalho nos próximos livros. Na minha opinião, a autora deverá explicar o porquê de as pessoas não terem curiosidade de saber o que existe fora da cidade e também como é possível existir uma tecnologia tão avançada em alguns parâmetros, e noutros não, mesmo dentro do próprio grupo. Para além disso, e este será mais difícil de explicar, está todo o conceito de "divergente". Um exemplo: um bombeiro é um divergente, por ser corajoso e também altruísta? E um médico não será divergente por ter sabedoria mas também altruísmo? No meu ponto de vista, e esta é a ideia mais difícil de aceitar, para mim o normal seria a maioria das pessoas serem divergentes por teres características dos vários grupos, mas no livro parecem ser raras. No entanto, volto a dizer que a ideia global é boa (há uns toques de controlo mental que deverão ser explorados e que poderão ser interessantes), mas tem de ser explicada. Também seria interessante a autora explicar algo sobre o "comboio". Outro aspeto negativo é o final, muito forçado num certo ponto, mas, novamente, algo que pode ser explicado nos próximos livros.

Agora os aspetos positivos. Apesar de algumas personagens serem previsíveis, a maioria está bem conseguida dentro deste género de livro adolescentes. Tris é a narradora e desempenha bem o seu objetivo de nos agarrar à história com as suas indecisões e constante crescimento. Todavia, é a personagem Quatro quem dá qualidade ao livro, com a sua história, os seus traumas e a sua personalidade vincada (Caleb também é uma personagem interessante mas neste livro tem pouco impacto). Em relação ao mundo, existem aspetos muito positivos apesar de ter alguma pena que o livro se tenha focado tanto no treino militar e no quebrar psicológico dos adolescentes, pois nesse aspeto o livro está muito longe de atingir a perfeição de "O Jogo Final", mas consegue criar um bom desenvolvimento das personagens e também a amizade necessária para que o leitor goste deste grupo. 

Com este centrar, o livro aproveita para mostrar todas as dúvidas de Tris e esse aspeto parece-me muito positivo apesar de chocar com as minhas dúvidas sobre o tema "divergente". Existem ainda outras personagens interessantes e gostei do vislumbre que temos do vilão, apesar de muito curto. Para quem goste de questionar, mas também de refletir sobre o que está entre linhas, este livro passa algumas mensagens interessantes. Existem alguns temas bem explorados, como vingança, sede de poder, violência doméstica, abuso de poder e corrupção. Mas principalmente, acho que poderá tocar na parte do controlo mental, direto ou indireto (vamos esperar para ver nos próximos livros).

No global, e olhando também para a escrita simples, o ritmo elevado e o romance que paira no ar, este livro será ideal para um público juvenil que goste de ação (aliás, o sucesso tem sido enorme!). Para um leitor mais experiente neste género e que questione o que vai lendo, o livro fica perto de se matar, devido à falta de explicação. É uma obra com uma ideia interessante, que me deu prazer a ler, que deixa várias pistas sobre os próximos livros, todas elas muito interessantes, mas, devido a tudo o que disse, este primeiro livro torna-se demasiado dependente dos próximos e é preciso ler sem questionar ou esperar pelos próximos.

No meu caso, já li o próximo, e está melhor, explicando algumas coisas. Amanhã publico a minha opinião a Insurgente!

Luís Pinto

11 comentários:

  1. Finalmente uma opinião que fala dos problemas deste livro. Concordo contigo em tudo. É um bom livro para adolescentes, mas um adulto mais exigente irá encontrar muitas falhas. Mas agora estou curioso de ver o que tens a dizer sobre o 2º porque esse ainda não li.

    Como sempre, excelente trabalho!

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    1. Obrigado Cardoso. Já lancei a opinião ao 2º!

      Boas leituras.

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  2. Olá Luis. Como sempre gostei muito de ler a tua opinião. Já ouvi falar muito bem mas ainda não tinha lido nenhuma opinião sobre este livro e não estava a pensar comprar. Achei a o teu texto muito bem elaborado e deixaste-me na dúvida se deverei comprar. Por um lado convenceste-me e por outro vou ficar à espera de ver o que tens a dizer sobre o segundo.

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  3. Pedro Fariamaio 15, 2013

    Estou contigo. Se formos exigentes o livro precisa de explicar mesmo muita coisa! Para adolescentes será um bom livro. Se o tivesse lido com uns 15 ou 18 anos, teria adorado. Vou ficar à espera para ver o que dizes sobre o Insurgente. Se falares bem, convences-me.

    Abraço.

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  4. Gostei bastante deste livro apesar de concordar com as falhas que enumeraste e também tenho quase a certeza que achamos a mesma parte do fim muito forçada mas quero bastante ler o 2º principalmente agora que disseste que está melhor e explica alguma coisa. Também gostava que fizessem um filme.

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  5. Boa tarde, Luís,

    Gostei bastante da sua opinião. Li este livro depois de muita insistência dos meus netos que adoraram o livro. Aponto-lhe os mesmo problemas de construção do mundo. No entanto concordo quando diz que é um livro interessante para a adolescência e de certeza que os meus netos vão querer ler os próximos, e ler faz sempre bem.

    Grande abraço.

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    1. Boa tarde António. Sim, acredito que os seus netos vão gostar do 2º livro.

      Abraço e boas leituras!

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  6. Eu já li e adorei este primeiro livro. Entretanto já li o segundo e já não gostei assim tanto. Se calhar por causa das grandes expectativas mas achei que aquilo que o primeiro livro teve de bom, não o teve no segundo. Contudo, aguardo com alguma curiosidade o terceiro e último livro. As distopias estão agora na moda, parece que não se publica mais nada desde os Hunger Games. Se calhar é também por isso que já começo a olhar com alguma "desconfiança" para estes livros. É engraçado ver que tivemos opinião praticamente contrárias. Tu achaste que o segundo livro melhorou e eu não. :P
    Boas leituras.

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    1. Olá Filipa. É verdade. Mas mesmo assim o livro ainda tem muito para explicar. Vou ficar à espera do 3º para ver como tudo acaba! =)

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  7. Olha, no meu disto tudo fiquei muito curiosa. Volto cá amanhã! Boa análise!

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  8. Obrigado a todos pelos vossos comentários! Já lancei a opinião ao próximo livro!

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