quarta-feira, 8 de maio de 2013

PRIVATE


Autor: James Patterson & Maxine Paetro

Título original: Private


 Este é o 7º livro que leio deste autor, e consequente 4ª saga. Conhecendo já algum do trabalho do autor, as comparações são inevitáveis, e neste caso, se retirarmos a saga adolescente Maximum Ride, este Private é o início da 3ª saga thriller/policial que leio de Patterson.

Private não é o mais viciante dos livros do autor. Não me interpretem mal, pois continua a ler-se muito depressa, mas ao contrário dos outros livros, este não é centrado na "caça ao inimigo", e por isso, não temos de imediato o enredo principal a desenrolar-se. O que existe neste livro, é um conjunto de 4 sub-enredos que nos irão levar numa viagem vertiginosa e saltitante entre personagens e locais. E no fim, na minha opinião, fica uma certeza: este não é mesmo o livro mais viciante que li deste autor, não é o meu preferido, mas é o melhor até agora.

E porquê? Em primeiro lugar devo dizer que a fórmula mantém-se: capítulos rápidos, curtos, que acabam quase sempre com uma nova informação que nos faça ler o próximo. Patterson não se perde em muitos diálogos, nem em descrições desnecessárias e todas as personagens que aparecem têm um motivo, e por isso, quando vemos alguém novo a aparecer, já sabemos que terá importância. Este facto pode deixar um leitor de pé atrás, pois terá uma maior capacidade de adivinhar o que poderá acontecer, mas, falando por mim, o autor tem surpreendido e o enredo nunca foi previsível.

Estás morto, Jack...

Com um livro que não é centrado numa única "caça ao homem", o universo é mais amplo, aumentando as possibilidades, tanto para este, como para os próximos livros da saga. Claro que cada sub-enredo sofre por não ser o tema principal, e acabamos com um menor detalhe de cada investigação e um menor aprofundar do "vilão", visto que aqui são vários, mas o livro está bem montado. As investigações encaixam bem, ajudam ao desenvolvimento de algumas personagens e apresentam alguns momentos inesperados.

Não, ainda não...

Sendo várias investigações, acompanhamos vários personagens, mas Jack é claramente a principal e a que gostei mais. Jack, dono da Private, é uma personagem totalmente diferente de Alex Cross ou de Lindsay (as principais das outras sagas). Menos honrado do que Alex e menos obcecado que Lindsay, Jack é, quase "paradoxalmente" o personagem com o passado mais sombrio, e este pequeno toque de secretismo, ajuda, e muito, à construção da mesma e desenvolver do enredo, sendo, na minha opinião, o principal ponto de interesse.

Estás morto, Jack...

Talvez por conhecermos pouco dos vilões, e por os temas/objetivos não serem tão "obsessivos", este é o menos negro dos livros que li do autor. Esta falha sente-se, mas não retira qualidade ao livro, sendo apenas algo que uns irão gostar, outros não. O livro perde por não ter um vilão tão forte, obstinado ou doentio como estamos habituados, mas ganha bastante com Jack e a sua relação com a família. Jack é falível, vive bem com os problemas do mundo, e principalmente com os problemas daqueles que a sociedade por vezes idolatra e considera modelos a seguir, mas que muitas vezes não o são: os famosos.

Não, ainda não!

O último capítulo é o melhor do livro, não só por resolver um ponto importante, mas também pelas portas que abre à continuação da série. No geral, Patterson dá-nos mais um livro que se lê sem parar, apesar de não ser o meu favorito. O autor não nos dá obras-primas, nem livros imortais... dá-nos entretenimento. Existem algumas diferenças em relação a outras obras do autor, talvez por ser um livro conjunto com Paetro, mas todos os fãs irão gostar. Fiel à sua fórmula mágica, continua a deliciar os seus fãs. No meu caso, sempre que quiser um livro que entretenha numa viagem rápida e me prenda sem grandes complexidades, James Patterson é o nome a procurar.

Luís Pinto

5 comentários:

  1. Conheci este autor graças a ti. Esta análise está muito interessante. A carteira é que não gosta. Vai para a lista. Parabéns pelo texto. Gostei muito das frases que colocaste no meio. De certeza que têm significado.

    ResponderEliminar
  2. Ana Salvamaio 08, 2013

    Parabéns pela crítica. Já li o livro e revejo-me nas tuas palavras e as frases estão muito bem escolhidas. Adorei.

    ResponderEliminar
  3. Ricardo Rikimaio 08, 2013

    Já li o livro. Também já li uns quantos do autor. Comprei todos os livros que falaste dele e este até li primeiro do que tu.
    Agora que leio a tua opinião, recordei o livro - também só acabei de o ler há uns dias - e concordo contigo quando dizes que é o melhor livro do JP. Não tinha pensado como tu fizeste mas tens razão.

    ResponderEliminar
  4. Ainda não li este livro mas concordo contigo. Este autor não faz obras primas mas consegue entreter como poucos e os livros também servem para isso. Novamente uma opinião muito objectiva. Parabéns.

    ResponderEliminar
  5. Obrigado pelos comentários. Não sei se a editora continuará com esta saga, mas acredito que vale a pena.

    ResponderEliminar