quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

O DOM DA MORTE


Autor: M. J. Arlidge



Sinopse: Adam Brandt é um psicólogo forense, bastante habituado a lidar com os membros mais perturbados da sociedade. Mas Adam nunca conheceu ninguém como Kassie.
A adolescente afirma ter um dom terrível — basta-lhe olhar diretamente nos olhos de alguém para saber quando essa pessoa irá morrer. E de que forma isso irá acontecer. Obviamente, Adam sabe que Kassie deve sofrer de algum distúrbio mental. É nesse momento que um assassino em série ataca a cidade. E só Kassie parece saber quem ele vai matar em seguida.
Contrariando a sua intuição, Adam começa a acreditar em Kassie. Apenas não tem consciência de quão fatal a sua fé pode vir a ser…



Apesar de gostar muito de literatura fantástica, a verdade é que raramente aprecio um policial que tenha contornos de fantasia ou sobrenaturais. No entanto, tendo em conta que se trata deste autor, decidi ler este livro.

Arlidge é um excelente contador de histórias, e por vezes, mesmo o seu enredo não sendo incrível, a forma como o conta torna a experiência sempre muito boa. Aqui Arlidge mostra que até um género algo diferente, consegue fazer um excelente trabalho, tornando-se cada vez mais num autor muito consistente que a cada livro deixa a sua marca de qualidade.

O grande trunfo do livro está nas dúvidas que cria logo no início, agarrando o leitor a tentar perceber o que é verdade e o que é mentira. É verdade que para manter esta sensação de constante dúvida por vezes a narrativa força alguns momentos, mas geralmente esta sensação é mantida pelas boas personagens que Arlidge criou e com as suas dúvidas, traumas e objetivos, sustentam um ambiente pesado que os fãs de thrillers irão adorar.

O enredo está bem pensado e bem construído, mas o foco são as personagens, pois são as suas características única que fazem a narrativa avançar. Neste caso, e sem revelar nomes, existem duas personagens que conseguem surpreender, principalmente na fase final, com o livro a terminar de forma inesperada mas bastante consistente com o que aconteceu durante todo o livro, mostrando que Arlidge desde o início que sabia para onde ia. O livro torna-se melhor como um todo quando chegamos às últimas palavras que durante uns tempos ficarão na memória dos leitores, quer apreciem ou não as reviravoltas finais.

Arlidge é realmente um grande contador de histórias. Este seu livro demonstra-o com clareza, tanto na tensão que cria, como nos diálogos e na forma como explora a mente de algumas personagens. É um livro claramente psicológico pela forma como explora as personagens, mas também como tenta controlar o leitor. Se este é o vosso estilo de leitura ou se gostam do autor, então é mais um livro a ter de Arlidge. 


Luís Pinto


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