quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

O PIRATA DO REI NA TERRA DO SOL


Autor: Clóvis Bulcão




Sinopse: O Pirata do Rei na Terra do Sol é um romance sensual e vibrante que narra o sequestro da cidade do Rio de Janeiro por René Duguay-Trouin, o lendário corsário francês ao serviço do rei Luis XIV. Em 1711, protegida por um denso nevoeiro, a frota de quinze vasos de guerra invadiu a baía da Guanabara de forma espetacular e aí desembarcaram mais de mil homens. O objetivo era roubar o carregamento anual de ouro do Brasil e desferir um poderoso golpe no orgulho e poderio português. 
Do tráfico de sal e pólvora à revolta dos escravos, da ocupação da cidade ao roubo de barcos por intelectuais, o Rio de Janeiro fervilhou de atos heróicos e vis traições. Uma trama fascinante, habilmente explorada por Clóvis Bulcão, que nos revela a realidade da Mui Leal e Histórica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro antes da alvorada da independência, rodeada de proibições reais, jesuítas, mulheres sedutoras, tráfico e corrupção sob o esplendor do sol tropical.



Acho que foi o título, talvez por ser bastante grande, que me despertou a atenção. A leitura, rápida e empolgante, teve, na minha opinião, como ponto alto o facto de sentir que este é um romance completo que toca em vários temas. Desde traições políticas, passando por crenças religiosas, e com várias questões financeiras pelo meio, o autor apresenta um livro sólido. Para tal muito contribuiu o mais que óbvio conhecimento do autor em relação a esta época. Clóvis Bulcão explora de forma inteligente muito do que agitava esta sociedade, e mesmo sendo o ouro o mais poderoso dos catalisadores, vemos como tráfico e sexo se misturam numa sociedade descontrolada e perigosa devido à corrupção. 

Mas, para tornar o enredo mais coeso, o autor também explora temas como a escravatura e o poder que a pólvora oferecia a quem a detinha, poder esse que poderia ser militar ou económico. O resultado final é uma narrativa em que o mundo no qual se desenvolve tem uma importância tão grande quanto o próprio enredo porque senti que este mundo era real.

Todavia, na minha opinião, o autor falha na primeira parte do livro por não adensar as suas personagens até meio da narrativa. Ao parecerem algo estereotipadas, não consegui criar a ligação que esperava, relegando as personagens para segundo plano até à segunda metade do livro, altura em que o autor começa a explorar os traumas e os objetivos das personagens principais. Claro que esta falta de profundidade no início não é um erro por si só, mas para mim levou-me a que não me sentisse tão preocupado com as personagens que faziam a história avançar.

Na segunda metade do livro, com esse problema resolvido, começamos a perceber para onde a trama nos leva. No meio de traições, escravatura, política, religião, economia e muito mais, o autor demonstra inteligência ao organizar de forma suave os acontecimentos, culminando com algumas surpresas.

Acima de tudo, este é um livro que se compreende. O autor consegue dar-os uma visão global de um país que está à beira da sua maior mudança. O futuro é incerto e aqueles que governam, ou que têm o poder, decidem sem preocupações, sem remorsos, pois um fator pesa mais do que tudo o resto... o dinheiro. Este é, apesar de todas as histórias que aqui mistura, um livro sobre a degradação de uma sociedade perante históricas decisões. O enredo, parte sempre importante, deve ser saboreado sem grandes conhecimentos do que está para vir, e como tal não irei alongar-me sobre o mesmo nem sobre personagens. O que vos posso dizer é que este foi um livro que demorou a conquistar-me mas que no fim tenho de aplaudir. É sempre  bom acabarmos uma leitura com a sensação que o autor explorou todas as grandes bases de uma sociedade, e acredito, com o pouco conhecimento que tenho desta época, que o autor o conseguiu. No fim, espaço ainda para fazermos algumas ligações com a nossa atual sociedade, mas caberá a cada leitor fazer tal ligação.

Com um ritmo agradável e que acelera em alguns momentos, surpreendendo o leitor, esta é uma leitura interessante, e que apesar de não marcar um género, oferece um olhar muito interessante sobre um acontecimento que provocou uma avalanche de acontecimentos que mudariam a História de algumas nações. Se gostam de romances históricos sobre Portugal e suas colónias, este é um livro a ter em conta. Mais um bom romance sobre a História de Portugal com uma trama que nos surpreende.

Luís Pinto

2 comentários:

  1. Eu estou agora a ler a última pepita de Lucas Figueiredo, que é precisamente a corrida ao ouro dos portugueses ao Brasil. É bastante interessante, temos toda a perspectiva desde o início e como tudo se passou ao longo de 200-300 anos mas é muito factual! Vou colocar este na minha lista também :)

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  2. Bom dia!
    Ainda não li nenhum livro semelhante, mas confesso que fiquei com muita vontade.
    Obrigada pela partilha,
    Beijinhos

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