segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

ALEX CROSS - A CAÇA


Autor: James Patterson

Título original: Cross Country




Sinopse: O detetive Alex Cross é chamado ao local do pior crime a que alguma vez assistiu. Uma família inteira foi assassinada de forma brutal e impiedosa, e uma das vítimas era uma antiga paixão sua.
O mesmo tipo de crimes sucede-se, mantendo um padrão semelhante: a morte de famílias inteiras, cujos corpos são depois objeto de uma crueldade violenta. Alex Cross e a sua namorada atual, Brianna Stone, mergulham neste caso e enredam-se na teia do mortífero submundo de Washington DC. Aquilo que descobrem é tão chocante que mal conseguem compreendê-lo: os assassinos pertencem a um gangue altamente organizado, encabeçado por um diabólico senhor da guerra conhecido como Tigre. Quando o rasto deste temível assassino desemboca em África, Alex sabe que tem de segui-lo. Desprotegido e só, Alex é torturado e perseguido pelo gangue do Tigre.



Novamente regresso a mais um livro de James Patterson. O seu estilo continua o mesmo e nós voltamos a ler sem parar, sem conseguir fechar o livro antes da última página.

Este livro deixou-me uma sensação estranha, porque acredito que li um dos melhores livros do autor, mas não foi dos que mais me agradou. Começando pela qualidade do livro em si, Patterson cria um enredo que explora bastante as suas personagens principais, principalmente Cross, tornando este livro mais pessoal, mas também mais profundo. A isto alia-se o facto de o autor fugir da sua "zona de conforto" e levar o enredo até África, onde nos irá mostrar algumas das atrocidades feitas em alguns países.

De uma forma geral, devido a esta singular e forte visão, "A caça" é um dos livros mais sombrios da saga, sendo claro que o autor levou Cross a África, não pelo enredo em si, mas para mostrar muito do que lá acontece. Devido a este forçar, é perceptível que alguns momentos são originados por uma coincidência que levará alguns leitores a não gostarem tanto desses momentos forçados, mas a realidade africana consegue prender de tal forma a nossa atenção que esses momentos são deixados para trás.

Todavia, com esse forçar, o enredo perde um pouco a sua capacidade de nos surpreender, pois forca-se mais em África e nas personagens do que na trama. Como já o disse, tal aumentou a qualidade do livro, mas perde um pouco na capacidade de nos surpreender, pois começamos a adivinhar o que aí vem. Tal facto apenas não é mau porque os momentos que Patterson nos dá aqui são de grande intensidade, originando mais um livro rápido, com escrita direta e capítulos curtos que não nos deixam descansar.

O objetivo, bem delineado e estruturado, passa, principalmente, por nos dar uma noção de uma realidade violenta que sabemos que existe, mas que rapidamente nos esquecemos. A realidade de alguns países africanos choca e leva-nos a pensar durante algum tempo sobre as brutais diferenças entre nascer, por exemplo em Portugal, e em países como a Nigéria. Mas, enquanto sociedade, acabamos por esquecer desde que o problema não esteja à nossa frente, e é isso que Patterson faz neste enredo: leva o problema à civilização ocidental, abrindo alguns olhos.

Após ter lido tantos livros do autor, começa a ser fácil adivinhar algumas surpresas caso estejamos atentos. Patterson é vítima do seu próprio ritmo, pois ao apenas escrever sobre o fundamental, por vezes questionamos o porquê de o autor ter escrito aquilo, e depois adivinhamos o porquê. No entanto, por mais que nos seja possível adivinhar algo das páginas seguintes, a verdade é que é impossível parar de ler. Patterson vende o que vende porque consegue praticar a perfeição de uma fórmula vencedora. Os seus livros não são obras primas, não o tentam ser, mas conseguem agarrar o leitor até ao fim, raptando-nos do nosso mundo, vivendo qualquer enredo com grande intensidade. Se gostam do autor, já sabem o que esperar, e mesmo não tendo sido dos que mais gostei, acredito que é, provavelmente, o Alex Cross com mais qualidade que li até agora.

Luís Pinto

3 comentários:

  1. Mais um para adquirir :)

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  2. Comecei a ler os livros do JP por sugestão tua e não consigo parar de os ler. Adoro o ritmo e são sempre leituras que se pode ter a qualquer altura do dia sem problemas nem stresses. Obrigado por mais esta recomendação. Também já estive noutros locais e também falam bem deste Caça. Vou comprar e depois digo-te a minha opinião.

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  3. Obrigado pela sugestão. Vai ser o terceiro livro que leio do autor e ainda não me cansei.

    Boas leituras.

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