quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O MAR DE FERRO

Autor: George R. R. Martin        

Título original: A Feast for Crows


Este foi o oitavo livro que li desta saga e a consequente oitava vénia que faço ao seu criador. Martin consegue de for sublime preocupar-me com as suas personagens, que na realidade não são mais do que palavras numa folha, palavras saídas da mente deste homem, mas quanto mais lê-mos, mais elas se tornam reais. Um verdadeiro dom.
Tal como no livro anterior, este apresenta um ritmo mais baixo do que outros da saga, mas podendo não ser um livro tão entusiasmante, não é menos envolvente. Agora a guerra “parece” perto do fim e novas alianças são feitas enquanto novas ameaças surgem sem que lhes seja dado grande importância. No entanto, este jogo de bastidores, de interesses e traições é um dos grandes trunfos de Martin em toda a saga, o verdadeiro Game of Thrones.
 Com este livro a mostrar apenas as personagens a Sul, o livro acaba por se focar principalmente em apenas 3 ou 4 personagens, mas as suas acções conseguem transmitir uma ideia muito mais alargada do que se passa em todo este mundo criado por Martin. Este mesmo factor de algum foco em poucas personagens dão-nos um maior conhecimento sobre elas, e nós pensamos “que surpresas poderão vir daqui?” pois… uma vez mais Martin surpreende, e admito que houve um momento em que se pudesse tinha entrado no livro para alterar as acções, e isto tudo porque uma vez mais Martin não tem piedade, é simplesmente cruel pelo realismo que dá à sua história. Qualquer um pode morrer na vida real, porque não num livro? E isso acontece como um balde de água fria para o leitor.
Estas surpresas ajudam a suavizar a revolta deste livro ser lento, mas também a vincar a outra sensação, de que este livro terá o seu valor aumentado no fim da saga. Este livro teve em mim a mesma sensação que teve Harry Potter e a Ordem da Fénix. Era um livro bom, mas estava ali no meio da saga e pouco desenvolvia, era mais o que consolidava, e eu queria mais. Agora com Martin também queria mais, mas talvez precise dos livros finais para conseguir enaltecer este. Afinal de contas, este travão no ritmo acontece em quase todas as longas sagas. A diferença está em saber se Martin conseguirá voltar a aumentar o ritmo e acabar em grande ou não. Eu pessoalmente acredito que Martin em A Dança dos Dragões irá voltar ao que nos habituou, pelo menos teve mais que tempo para o fazer. É com grande expectativa que conto os dias para começar o próximo livro.
Falta no entanto um grande fim a este livro, uma vez mais o problema de ser um livro a meio da saga, um fim que empolgue. O que empolga são as personagens, incrivelmente bem criadas e cheias de coerência. Eu pessoalmente adorei muito mais estes capítulos de Cersei do que todos os outros dos anteriores livros, onde a Rainha era o centro do capítulo, e claro que Jaime continua a ser aquela personagem que se mantém no mais elevado patamar de qualidade. Começo a acreditar que Martin nunca desiludirá na qualidade das personagens que cria. Uma pequena nota ainda para a nova personagem Doran Martell que achei fenomenal.  
Falta no entanto ainda dizer que Martin continua a mostrar um enorme trabalho de montagem para tornar este mundo coerente. Conseguir manipular as acções de tantas personagens, quer as que estão vivas, quer as histórias do que estão mortos há muito tempo, é um trabalho arriscado e árduo. Neste caso só temos de louvar, pois está continuamente bem feito.
Nos três primeiros livros (seis da versão portuguesa) Martin pegou nas suas peças de xadrez, apresentou-as, aproximou-as do leitor e movimentou-as, chegando a um poderoso ataque no fim do nosso 6º livro já com várias peças mortas. A seguir Martin recua as peças com que atacou, apresenta novas peças, cria alianças e prepara-se para voltar ao ataque depois de ter parado para pensar numa nova forma de surpreender o leitor do outro lado do tabuleiro. Pelo menos é o que todos esperamos.   
Resumindo, este livro mantém o ritmo mais lento, a própria escrita de Martin não parece tão boa, tão forte, mas também devido a acontecimentos menos marcantes. No entanto é um livro está a um nível muito alto dentro do seu género. Viciante, bem construído, Martin continua a avançar para a imortalidade da Fantasia como um dos melhores de sempre. Venha o próximo!

7 comentários:

  1. uma vez mais uma excelente crítica, para mim das melhores, mas isso é um gosto mais pessoal. apreciei bastante o que escreveste apesar de ainda não ter lido o livro.Continua com o teu blog, escreve e lê ainda mais!

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  2. a analogia que fizeste com o xadrez está muito fixe. percebi perfeitamente o que quiseste dizer.

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  3. Excelente crítica, uma vez mais. Quer no Festim quer no Mar de Ferro realmente há um certo abrandar de ritmo da história que penso não ser prejudicial para a saga, muito pelo contrário. Tal como num jogo de xadrez,como muito bem salientaste, por vezes é necessário ter calma para ver qual é a melhor próxima jogada e, a meu ver, Martin faz isso na perfeição. Apesar de gostar, como toda a gente, muito de personagens como o Tyrion ou Jon Snow, também comecei a apreciar outras como o Jaime e mesmo a família Martell. Nestes últimos dois livros (e depois também na Dança dos Dragões) o autor expandiu ainda mais este magnífico universo, tornando-o de tal forma complexo como só numa grande saga seria possível. Para mim não faz sentido julgar cada livro isoladamente, todos eles fazem parte de uma grande viagem, em que só o Martin sabe quando ou como irá acabar: o que provoca ao leitor aquela ansiedade de se saber se é neste ou naquele livro que teremos todas as respostas... e por vezes surgem desilusões compreensíveis... Esta saga é para mim um magnífico universo paralelo: em A Guerra dos Tronos tivemos um Big Bang fenomenal, ao longo de Fúria dos Reis e Tormenta das Espadas formaram-se com grande aparato planetas, estrelas e galáxias, em Festim dos Corvos o universo expandiu-se; em Dança dos Dragões ele continuará a expandir-se e quem sabe se nos livros seguintes não voltaremos a ter um novo Big Bang?...

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  4. olá aliena! Estou plenamente de acordo contigo. Ainda não li o Dança dos Dragões mas tentarei começar nos próximos dias. Se a qualidade se mantiver, então temos mais um grande livro e cada vez vamos desejar mais ver alguns segredos revelados. Só gostava era de não ter de esperar mais 5 anos pelo próximo livro. Esperemos que Martin trate disso com rapidez e qualidade.

    Obrigado pelo teu comentário!

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  5. Uma excelente crítica, sinceramente. Gosto da tua simplicidade e emoção. Para quando o próximo livro? eu ainda vou muito longe, só li o primeiro, mas estou tentada a continuar.

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  6. Não conhecia este blog e fiquei encantada. Também não conhecia esta saga apesar de a ter visto muitas vezes nas lojas. Já li algumas das tuas opiniões e fiquei espantada. Talvez leia em breve. Parabéns pelas escolhas literárias.

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  7. Olá Luki! obrigado pelos comentários. Estou neste momento no início do Dança dos Dragões. Assim que o acabar deixo uma opinião.

    Tessa, obrigado pelos elogios e pelas visitas!

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