terça-feira, 6 de setembro de 2011

EU, ROBOT

Autor: Isaac Asimov

Título original: I, Robot


As Três Leis:

1. Um robot não pode causar dano a um ser humano nem, por inacção, permitir que qualquer humano sofra danos.
2. Um robot deve cumprir as ordens que lhe forem dadas por seres humanos, excepto nos casos em que essas ordens colidam com a Primeira Lei.
3. Um robot deve proteger a própria existência desde que essa protecção não colida com a Primeira ou com a Segunda Lei.

Publicado em 1950, este é um dos grandes livros de Asimov, um dos grandes livros de um dos melhores autores de Ficção-Científica. Rapidamente tornado num clássico, as Três Leis criadas por Asimov (que por várias vezes admitiu não serem sua criação) revolucionaram a própria forma como outros autores olhavam para a Robótica e consequente Inteligência Artificial.
Este livro, composto por nove pequenas histórias, é completamente diferente do filme com Will Smith que saiu há uns anos. Pessoalmente gostei do filme, mas a realidade é que as similaridades são tão poucas, que se não fosse terem por base as mesmas Três Leis e eu diria que se tratava de um filme de outro qualquer livro.
Asimov cria um livro sem paralelo até então, numa fase em que o mundo tentava esquecer a Segunda Guerra Mundial, Asimov imagina uma brutal evolução tecnológica que levará as Máquinas a uma inteligência superior. No entanto onde Asimov revolucionou foi na mentalidade do próprio robot, visto sempre como o grande inimigo noutros contos até à data, neste livro a personalidade das máquinas é finalmente “observada” pelo leitor, dando-nos uma perspectiva nova, ajudando-nos a criar laços com estas estranhas personagens.
Asimov cria um futuro, uma mentalidade de uma sociedade bem diferente daquela em que agora nós vivemos, e nos seus nove contos viajamos pela evolução dos robots, mostrando-nos as suas utilidades, que começará por trabalhos básicos, chegando depois aos trabalhos que o Homem não pode executar, acabando no grande domínio intelectual das Máquinas, que têm sempre como base as Três Leis.
De realçar o quanto estas Três Leis estão sempre presentes na história, quer para bem quer para o mal, levando-nos a momentos caricatos, como por exemplo o de um robot doméstico que não pode cozinhar um alimento não muito saudável para o seu mestre, visto que o humano apresenta uma percentagem de gordura no seu corpo fora da "zona saudável". Percentagem essa quase irrelevante mas que choca com as inflexíveis Leis, criando uma negação como resposta à ordem do seu mestre.
Este livro, esta obra-prima, deixa-nos a pensar, pois nunca sendo frontal nas questões que levanta, a verdade é que elas estão lá. Não são poucas as vezes em que a personagem principal da maioria dos nove contos, a Dra Susan Calvin, tenta perceber como a própria humanidade responde ao avanço tecnológico. Terá o humano capacidade para perceber o que as máquinas poderão vir a sentir? Teremos nós a mentalidade necessária para escravizar as máquinas enquanto ganhamos afectos? Deveremos nós voltar à escravidão dos tempos passados tendo como objectivo uma sociedade mais evoluída em todos os aspectos? E por fim, como iremos nós reagir à ameaça de perdermos o papel de espécie dominante no planeta?
Não revelando nada da história, digo-vos que o final deste livro tem, na minha opinião, um dos grandes momentos da história literária deste género. Asimov deu um novo “aspecto” às máquinas neste livro, obriga-nos a tentar percebê-las e a criatividade necessária para criar a evolução das máquinas neste livro é de louvar. Uma obra que mesmo após 60 anos desde que foi publicado, não me parece distante das questões fundamentais que a humanidade irá enfrentar nos próximos tempos. A verdade é que nunca senti que o livro estivesse deslocado do que poderá vir a acontecer.
Um livro que nenhum fã do género deve perder. Se gostam de Ficção-Científica não deixem de ler este livro porque já viram o filme. Volto a avisar que muito pouco têm em comum. Aliás, a própria capa do livro com o Will Smith não pode ser mais do que uma questão de marketing. 
Como disse antes, gostei do filme, mas o livro tem a capacidade de levantar questões importantes e de dar uma imagem muito mais abrangente de uma sociedade em transformação. A não perder.

6 comentários:

  1. António Marquessetembro 06, 2011

    Sou fanático por FC e este foi dos poucos clássicos que nunca li neste género. Confesso que depois de ver o filme achei que não necessitaria de ler o livro. Desconhecia que as diferenças eram tão abissais. Obrigado pelo seu texto a este livro. Certamente irei lê-lo.
    Parabéns ainda por um texto muito bem estruturado e que nos elucida sobre alguns aspectos importantes.

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  2. Já vi o filme também achei que não havia necessidade de ler o livro. Já vi que é um livro barato, vou aproveitar para comprar.
    Boa crítica.

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  3. Apenas posso reforçar o que já foi dito, o livro é excelente e em comum com filme tem o nome e pouco mais, pois o livro é muito melhor que o filme, sem sombra para duvidas.

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  4. O incrivel é como pode um filme ser tão diferente do livro original.

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  5. Só vi o filme, do qual me lembro de ter gostado bastante. Ao ver que são assim tão grandes as diferenças e que gostaste assim tanto, também eu adquirirei o livro. :)

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  6. Então aproveita que a Europa-América esta com umas promoções muito boas.

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