domingo, 16 de fevereiro de 2014

A COMPANHIA DO DIABO


Autor: David Liss

Título original: The Devil's Company


Sinopse: 1722, Londres. Benjamin Weaver, judeu português, espadachim destemido, antigo pugilista e mestre do disfarce, vê-se aprisionado num jogo mortífero contra uma das figuras mais enigmáticas do seu tempo: Jerome Cobb. Chantageado a roubar documentos com segredos valiosos da poderosa Companhia Britânica das Índia Orientais, cedo Benjamin se apercebe que esse roubo é apenas o primeiro passo numa audaciosa conspiração. Para salvar os seus amigos das garras de Cobb, Benjamin terá de infiltrar a Companhia, manipular vários dos seus mais influentes membros e desvendar uma trama secreta que envolve rivais, espiões estrangeiros e oficiais do governo. Com milhões de libras e a segurança da nação em jogo, Benjamin enfrentará conspirações secretas, inimigos formidáveis e aliados inesperados. Numa pesquisa história escrupulosa de David Liss, A Companhia do Diabo retrata o nascimento das corporações modernas, numa narrativa de grande suspense.


Sendo o 3º livro desta saga, acreditei que sentisse uma falha de conhecimento por não ter lido os dois anteriores, no entanto, sendo todos eles livros independentes, não existe uma necessidade de ler os livros anteriores nem pela ordem cronológica. É claro que se tivesse lido os anteriores o meu conhecimento sobre as personagens seria maior, mas o autor, durante o enredo, revela o que é importante saber-se sobre o passado das personagens, principalmente de Weaver, personagem principal. 

Em primeiro lugar devo salientar o detalhe que o autor oferece com a sua escrita, sendo fácil perceber a investigação histórica feita para a criação deste livro. Existe detalhes a cada instante, quer seja sobre política, religião ou outros temas que o autor consegue encaixar muito bem na época do romance. É fácil visualizar alguns detalhes, quer seja uma simples rua de uma cidade ou a complexa rede política que move este livro.

Outro ponto de grande qualidade nesta obra é a forma como o autor se liga ao leitor. São várias as vezes em que Liss nos escreve como se fosse um amigo nosso a contar-nos a história, criando uma ligação entre o leitor e a personagem principal. Esta ligação é bastante importante neste livro, pois sendo um personagem que passa por momentos de perigo, preocupamo-nos com a mesma, apesar de ser quase óbvio que no fim se irá salvar. Todavia, não é neste suspense que a qualidade do livro se sustenta, mas sim na conspiração, complexa e imprevisível, que este enredo apresenta. Neste aspeto, e uma vez mais, nota-se o conhecimento histórico do autor para criar esta rede de conspirações, interesses e manipulação política, económica e religiosa. Dentro deste tema é preciso salientar a parte económica, com o autor a explorar o conceito de empresas/corporações usadas naquela época com um grande detalhe.   

Este é um dos melhores romances históricos que li nos últimos anos. É divertido, cheio de humor negro, com um enredo complexo, surpreendente, e que é, principalmente, inteligente. Este é um autor para voltar a ler, foi uma das maiores surpresas que tive nos últimos tempos, e aplaudo a forma como me surpreendeu no fim e misturou vários temas, tornando a história sólida e coerente. No fim fica a sensação que este enredo tornar-se-á ainda melhor quando ler os dois livros anteriores, e é o que vou fazer.

Luís Pinto


Podem ler mais sobre o livro no seu espaço no site da editora, aqui.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

A RAPARIGA QUE ROUBAVA LIVROS


Autor: Markus Zusak

Título original: The Book Thief


Um livro durante a 2ª Guerra Mundial onde o narrador é a Morte...tal ideia base foi o suficiente para me deixar curioso, no entanto apenas agora, com o lançar do filme, é que li este livro, um verdadeiro sucesso por onde quer que passe.

Ter um livro onde o enredo, passado na 2ª Guerra Mundial, é narrado pela Morte, é algo diferente, e neste caso, que vale a pena ser lido. Esta é uma obra, que apesar de não ser tão marcante quando "A Lista de Schindler" ou "O Pianista", a verdade é que estamos perante um excelente livro, que mesmo não tocando de forma tão brutal o que aconteceu neste momento da história da humanidade, consegue arrepiar o leitor e tornar a leitura emotiva.  

A grande diferença esta no facto e a grande maioria dos grandes livros sobre esta época serem o ponto de vista de judeus ou de alemães que se transformam em pessoas melhores enquanto vêem as atrocidades que os rodeiam. Aqui temos o olhar de uma criança, criada na Alemanha, e à qual é incutida a mentalidade de Hitler, mas que a enfrenta, pensando por si. Este é um dos pontos que mais gostei nesta leitura: vermos como o povo era manipulado, desde pequenos, para acreditarem numa ideia base que empurrava o país para a guerra e inevitável glória, segundo a propaganda. Vemos como vizinhos, pais e professores explicam aos filhos o porquê do que está a acontecer e do orgulho que devem sentir, enquanto do outro lado temos a nossa personagem principal, uma rapariga ensinada a pensar por si, capaz de perceber o que a rodeia.

Os livros sempre foram fonte de cultura, e este romance é sobre essa singular capacidade que um livro tem de nos ensinar, de passar pensamentos, experiências de vida ou filosofias, ou então, e talvez o mais importante... um livro tem uma capacidade, deveras singular, de nos fazer sonhar. Leva-nos num mundo diferente, catalisa a nossa imaginação, leva-nos a acreditar em algo melhor. E num momento de guerra, todos devem sonhar com algo melhor, com a passagem daquele tempo sombrio em que homens esquecem os seus valores e desperdiçam as vidas que povoam os nossos países, retirando o valor ao que deveria ser essencial.

Este é um livro repleto de esperança, de sorrisos, e do olhar de uma criança na qual cresce uma bondade que o mundo esqueceu. É este contraste que marca o enredo tal como o queimar dos livros marca esta criança. Entre linhas, a Morte narra com subtileza, até com desilusão pelo que a humanidade está a fazer. A personalidade que o autor dá à Morte oferece qualidade ao livro e leva-nos a gostar daquela criança que rouba livro, mas que na realidade recolhe conhecimento e esperança em cada página.

No global, o que temos nestas palavras é um livro que tenta mostrar o brilho na mais negra das épocas, e com a dor e esperança nos comovemos e continuamos a ler, porque a esperança desta rapariga é a nossa esperança enquanto leitores. O final, marcante, demonstra uma das lições mais importantes que podemos aprender na vida, e que aqui não irei revelar. Cabe a cada leitor não deixar escapar este livro, porque aqui está o melhor e o pior que a humanidade é capaz de fazer, e todos nós devemos saber o que isso é.

Luís Pinto 

  Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A ÁGUIA E OS LOBOS


Autor: Simon Scarrow

Título original: The Eagle and the Wolves


Este é o 4º livro desta saga e é o melhor até agora por diversas razões. Começando pelo ritmo, o autor acelera em alguns momentos tornando o enredo mais objetivo. Scarrow é um autor que consegue criar bons diálogos, um bom enredo, mas o seu forte foi sempre as batalhas e a forma como as descreve, e por isso, muitas vezes o melhor do livro estava nos momentos mais lentos, em que o autor nos leva a visualizar os pormenores das batalhas e o medo ou coragem dos soldados.

Agora, Scarrow consegue dinamizar o enredo e torna-o no ponto mais alto do livro, talvez porque também foge um pouco à fórmula base usada nos livros anteriores, causando alguma surpresa em certos momentos, mas principalmente porque se afasta ligeiramente dos olhos de Macro e Cato par nos dar um ponto de vista mais global das conquistas romanas. Graças a este aspeto, o livro parece ser o ponto de viragem da saga. Se antes toda a narrativa nos dava a ideia que os romanos eram os bons, e o povo conquistado os maus, agora a narrativa leva-nos ao outro lado, e apesar de continuarmos a simpatizar com os dois romanos principais, a verdade é que se começa a adensar a imagem negra deste império e se começa a desvendar que o que está para lá de Roma não é tão bárbaro como a propaganda tenta transmitir. Claro está que esta imagem nós já a tínhamos enquanto leitores, mas agora recebemos essa noção porque os personagens também a recebem.

Este é, também, o livro mais sangrento da saga até agora, com as batalhas a ganharem outra dimensão e com o autor a ser mais duro nas suas descrições, tentando transmitir ao leitor a perda que existe em cada batalha. Pelo meio está o peso das decisões, muitas vezes tomadas por quem não participa nas batalhas, ficando a ver de longe, protegido, planeando os próximos passos independentemente das perdas.

E é essa a realidade da guerra: os soldados lutam muitas vezes por algo em que acreditam, mas nunca tomam as decisões. E no final, para quê? Pela glória? Pela riqueza de outros? Pela fé? Com um final inesperado, Simon Scarrow prepara o seu próximo livro e está construída uma base de sub-enredos que poderá dar muita qualidade à continuação da saga. Para tal, muito contribui o aprofundar de personagens fora do exército romano, que nos mostram tradições e diferentes formas de pensar, ajudando a que o livro não nos guie sempre na mesma linha de pensamento.

Tentando não revelar nada a quem ainda não tenha chegado a este livro, devo concluir esta crítica dizendo que este livro poderá não ser o favorito dos fãs, mas é o mais consistente, melhor estruturado e que abre um leque de possibilidades futuras. Os fãs irão gostar e de certeza que saltarão já para o próximo livro, tal como eu vou fazer.

Luís Pinto

Mais informação sobre o livro na sua página, aqui.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Passatempo: A rapariga que roubava livros - vencedor

PASSATEMPO

A rapariga que roubava livros

Vencedor!

Chegou ao fim mais um passatempo em parceria com a Editorial Presença. A todos os que participaram, agradecemos e desejamos melhor sorte para a próxima!


Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui.

E o vencedor é:

 Catarina Susana Gonçalves Pereira

Parabéns à vencedora! 

Estejam atentos aos próximos passatempos!


domingo, 2 de fevereiro de 2014

REGRESSO AO FUTURO III


Autor: Craig Shaw Gardner

Título original: Back to the Future III



O 3º e último livro desta saga continua rápido, divertido e simples. Novamente, tal como acontece nos livros anteriores, o livro consegue oferecer mais do que o filme, tanto no enredo como na construção das personagens, aproveitando a sua maior duração em relação ao filme que conhecemos. 

Marty viaja no tempo uma vez mais, e com a complexidade a aumentar, também os erros aumentam. Tal como indiquei no livro anterior, o facto de ter visto estes filmes há muitos anos dá-me a oportunidade de conhecer os seus erros e perceber que alguns foram suavizados nestes livros, mas claro que para não fugir ao enredo principal, os erros sobre as viagens no tempo estão presentes.

Todavia, a diversão que é este livro continua inalterada e quem nunca tiver visto os filmes tem aqui uma trilogia que se lê rapidamente e com grande facilidade. As personagens continuam bem conseguidas nesta adaptação, novamente com destaque para uma maior profundidade nas personagens secundárias que pouco aparecem no filme, e o ritmo continua alto, levando o leitor a continuar. No meu caso, mesmo conhecendo toda a história, a leitura nunca foi difícil. 

Em relação aos anteriores livros nota-se que o autor tenta explicar alguns motivos das ações das personagens, levando-nos a conhecê-las melhor, talvez para percebermos o que as levou até este fim desta saga onde muitas decisões são tomadas e algumas não são fáceis. Pelo meio o enredo leva as personagens a questionarem-se sobre temas do universo, as forças que conseguimos estudar e ainda aquela força que ninguém consegue decifrar: o amor. 

O que poderia dizer sobre esta saga está nas análises aos seus três livros. No meu caso a leitura foi feita com um sorriso nos lábios pois revivi grandes momentos, recordei cenas que vi na juventude e diverti-me bastante. Nenhum destes livros é uma obra prima mas aconselho a todos os que não conheçam os filmes ou que se queiram iniciar na ficção científica com livros mais leves. Para os fãs dos filmes será sempre uma leitura interessante se quiserem ver o enredo e personagens mais explorados. Dentro dos filmes que passaram a livro, esta saga é das melhores adaptações que já li e foi uma agradável surpresa.

Luís Pinto