sábado, 14 de setembro de 2019

SAKURA


Autor: Matilde Asensi


Sinopse: Em 1990 o Retrato do Doutor Gachet, de Van Gogh foi comprado pelo milionário japonês Ryoei Saito, pelo valor recorde de 82 milhões e 500 mil dólares. Descontente com o governo do seu país pelos impostos que lhe iriam ser cobrados pela compra do quadro, Saito anunciou numa conferência de imprensa que quando morresse a obra seria cremada consigo. Depois da sua morte, em 1996, não se voltou a saber do paradeiro do quadro. Um mistério que fez correr muita tinta e deu azo a todo o tipo de especulações. Sob o comando do japonês Ichiro Koga, a enfermeira Odette, o galerista Hubert, o artista urbano Oliver, a pintora e galerista online Gabriella e o faz-tudo John viajam pelo Japão, enfrentando perigos e decifrando enigmas que os levam em busca do quadro. Pelo caminho criam laços inquebráveis que mudarão as suas vidas para sempre. Em Sakura, romance baseado na história verídica da compra da obra de Van Gogh pelo milionário Ryoei Saito, as tradições da cultura nipónica entrelaçam-se com a pintura impressionista, as gravuras ukiyo-e e a arte urbana, as cores têm a força dos seus protagonistas e a extraordinária presença da cerejeira em flor, sakura, surge como uma metáfora da beleza e da fugacidade da vida.



A capa deste livro chamou-me de imediato a atenção e a sinopse também. O facto de ser um livro que tem por base uma história verídica e bastante misteriosa, levou-me a querer ler um pouco mais. 

Um dos grandes trunfos deste livro é a forma como explora a cultura japonesa, e que era um dos temas que eu mais queria explorar nestas páginas. A autora mostra o seu conhecimento sobre cultura, arte, e tradições, mas também explora muito bem a sociedade em si, o seu dia a dia, a forma de ver a vida e o mundo. Com isto, é constante a sensação de que estamos realmente envoltos desta sociedade asiática. No entanto, como o livro não se limita a viajar pelo Japão, é interessante ver os contrastes entre Japão e outras culturas. 

Contudo, este é um livro sobre as personagens e os laços que criam entre si. Sobre a amizade que criamos nos momentos mais difíceis, do que nos faz gostar de uma pessoa, de uma ideia, de um objeto, de companhia, seja ela qual for. É um livro sobre sentimentos, sobre ideais de vida e de sociedade que não devem ser esquecidos.

A história está bem conseguida durante quase todo o livro, com uma base interessante e verídica que dá maior impacto ao livro e que agarra facilmente. No entanto, o livro falha noutros momentos, falhando por vezes em alguns diálogos mais óbvios ou forçados, que pouco dão ao enredo. É por isso um livro de altos e baixos, que por vezes se perde, por vezes encontra-se, dependendo de alguns momentos mais forçados ou óbvios, não conseguindo transmitir a sensação de suspense ou thriller que por vezes tenta. É um livro mais focado nas personagens, e como tal não agradará tanto a quem queira algo mais enérgico, com mais ritmo feito de forma inteligente.

Mas, é um livro com qualidade, focado em certos aspetos que agradarão a alguns leitores. Se a sinopse vos pareceu interessante, se procuram algo mais focado nas personagens e menos na investigação em si, então este é um livro que vos irá agradar, principalmente se gostarem de cultura japonesa. No fim, foi um livro que apreciei, mas que sinto que podia ter sido melhor, porque a base é bastante interessante devido ao facto de ser verídica.

Luís Pinto






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