segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

GUIA PARA UM FINAL FELIZ


Autor: Matthew Quick

Título original: The Silver Linigs Playbook


Pat Peoples está de regresso ao mundo da normalidade da vida familiar em casa de seus pais após ter permanecido numa instituição psiquiátrica devido a um traumatismo grave. Da memória deste fervoroso adepto dos Eagles de Philadelphia desapareceu uma participação do clube no Super Bowl e a demolição do antigo estádio. Ninguém, lá em casa, lhe fala de Nikki, a sua mulher, e até o seu novo terapeuta parece incitá-lo ao adultério. Tudo assume um aspeto cada vez mais estranho. Como a pouco e pouco se vai revelando, anos da sua vida tinham-se pura e simplesmente apagado. Apesar disso, Pat não se deixa desviar daquela que acredita ser a missão de autoaperfeiçoamento.

No início, este livro pareceu-me apenas mais um dentro do seu género. Um livro sobre a vida de uma personagem, e essa vida não é nada do que ele imaginara, tendo agora de sofrer com o passado e enfrentar o futuro. No entanto, aos poucos o livro torna-se bastante melhor, devido a alguns pormenores que nem sempre encontramos neste género.

Sendo este um livro assente nas suas personagens, devo dizer que são credíveis por apresentarem tantas falhas. Pat, personagem principal, e que nos conta a história, é uma mente demasiado focada e que não consegue relaxar, Tiffany é o oposto, e de forma inesperada, Pat é ajudado pela pessoa menos indicada para o fazer, sendo também a pessoa que mais ajuda precisa.
No global, temos um livro em que cada personagem tenta encontrar um lugar no mundo, agarrando-se a algo (fé, superstições, amizade, família), num mundo quotidiano que nada atrai o leitor, levando-nos a captar os sentimentos e aquilo que Pat mais deseja.

Ao estarmos limitados pela visão de Pat, o livro apresenta uma imagem de otimismo constante, mesmo quando nada está a melhorar... aliás, aos poucos começamos a perceber que Pat não percebe a realidade que o rodeia, e nós, leitores, ficamos limitados pela sua incapacidade de ver o mundo, e este é um dos fatores que torna este livro melhor. Estamos na mente de um homem desequilibrado e que apagou da sua memória muito do que viveu, e que fará tudo para ter a mulher de volta. Para isso, ele terá a sua mente focada na forma física e em manter-se honesto, dizendo tudo o que pensa, sem as limitações que a sociedade nos impõe desde crianças.
Este detalhe também nos fará ver como o mundo olha para um "doente mental" (pois Pat também é totalmente honesto com o leitor), como as pessoas se comportam, como se afastam, e como a pessoa sente essa descriminação... mas Pat consegue, uma vez mais, enfrentar tudo isso com otimismo.

Sendo este um livro sobre relações, não podia deixar de falar sobre o pai de Pat: um homem com um humor dependente dos resultados da equipa que é adepto, acabando por desperdiçar a vida em função de jogadores que nunca conheceu, limitando assim a sua vida e da sua família.

Com um livro onde o enredo consegue funcionar quando menos se espera, Matthew Quick consegue oferecer um romance diferente do que já li. A forma como Pat nos conta a história está muito bem conseguida e facilmente ficamos a "torcer" por um homem que nos conquista com o seu otimismo, dedicação, e muitos desequilíbrios emocionais pelo meio. Uma história onde sentimos a perda, e a solidão, quer sentimental, quer social.

Preparem-se para um livro bem pensado, bem estruturado, com as revelações nos momentos certos e algumas surpresas. Se for o vosso género, este livro será, certamente, muito interessante.

Numa fase da nossa sociedade em que tanto se fala de depressão, problemas, crise, talvez todos devêssemos ter um pouco de Pat dentro de nós, para vermos que problemas, que podem parecer intransponíveis, talvez não o sejam, e talvez a grande maioria tenha solução, e o otimismo será sempre uma ajuda.


7 comentários:

  1. Gostei bastante do filme e nem sabia que estava com tantas nomeações. Estava a pensar dar o livro à minha mãe e a tua opinião ajudou bastante. Obrigada!

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    1. Também gostei do filme, apesar das diferenças.

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  2. Sou capaz de comprar o livro um dia destes e deixo o filme para depois. Gostei bastante da tua opinião. Beijinhos

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  3. Ois,

    Por vezes faz bem ler este tipo de livro, gostei de ler o teu comentário ;)

    Abraço

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    1. Olá Fiacha, realmente também gosto de ler este tipo de livro de vez em quando.

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  4. Olá Luís. :)

    Desde que esta obra foi lançada que estou curiosa com a mesma, pois parece ser do género de obras que costumo apreciar. Depois de ler a tua opinião, fiquei convencida. Parece ser interessante, juntando temas bastante actuais. :)

    Boas leituras.

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    1. Olá Rita,

      Para mim foi uma agradável surpresa. Fico à espera de saber a tua opinião!

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