segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

ANJOS E DEMÓNIOS


Autor: Dan Brown

Título original: Angels and Demons

Quando um famoso cientista do CERN é encontrado brutalmente assassinado, o professor de simbologia Robert Langdon é chamado para identificar o estranho símbolo gravado no peito do cientista. A sua conclusão é avassaladora: a marca é de uma antiga Irmandade chamada Iluminatti, supostamente extinta há séculos e inimiga da Igreja Católica. Em Roma, o Colégio dos Cardeais está reunido para eleger um novo Papa quando se apercebe do rapto de quatro cardeais, ao mesmo tempo que a Guarda Suíça é informada de que uma perigosa arma está na Cidade do Vaticano com o propósito de a destruir. Robert Langdon - quem não o conhece? - ajudado desta vez por Victoria Vetra, cientista do CERN, procura desesperadamente a antimatéria no meio das intricadas pistas deixadas pelos Iluminati, lutando contra o tempo para salvar o Vaticano.

Anjos e Demónios é para mim o melhor livro de Dan Brown. Foi o primeiro que li do autor, marca o início das histórias de Robert Langdon e lê-se à velocidade da luz. Claro que este livro não é certamente uma obra prima, mas isso também nunca terá sido o objectivo do autor. Dan Brown escreve para entreter, para viciar, e olhando para as vendas, podemos dizer que o faz com enorme sucesso.
Tal como em O Código da Vinci, o grande impulsionador da fama de Brown, para o bem e para o mal, este livro tem a mesma fórmula, fórmula essa que muitos escritores têm vindo a copiar nos seus livros, e se em termos de vendas até tiveram sucesso, na qualidade nem por isso. Capítulos curtos onde nem tudo é revelado, pequenas pistas que nem sempre nos levam no caminho certo, um tema empolgante investigado pelo autor e revelado de forma a promover não só a espectacularidade mas também a veracidade das suas palavras. Personagens enigmáticas e sérias, onde nos é dado a entender que escondem algo, e uma tentativa, por vezes bem sucedida de nos fazer olhar para um lado à procura do culpado, quando ele está no lado oposto.
Outro grande ponto a favor dos livros de Dan Brown é a forma como o autor descreve os cenários. Não se limita a descrever os cenários, mas sim a explicar, a contar historias, e uma vez mais a introduzir o cenário na trama central do livro por forma a aumentar a veracidade das suas palavras, envolvendo ainda mais o autor. 
Uma vez um amigo (o Sabicho) disse-me que visitar Roma após ler este livro seria fantástico. E eu confirmo. Voltei a ler este livro antes de fazer um interrail no qual visitei Roma e  foi uma sensação fantástica. Só por isso já teria valido a pena ler o livro.

- A religião é como a linguagem, ou a maneira de vestir. Somos atraídos para as práticas em que fomos educados. No fim, porém, todos proclamamos a mesma coisa. Que a vida tem significado. Que estamos gratos ao poder que nos criou.
- O que está a dizer, então, é que sermos Cristãos ou Muçulmanos depende apenas do lugar onde nascemos?
- Não é óbvio? Veja a difusão da religião no mundo.
- A fé é então aleatória?
- De modo nenhum. A fé é universal. Os nossos métodos específicos de entendê-la é que são arbitrários. Alguns de nós rezam a Jesus, outros vão a Meca, outros estudam partículas subatómicas. No fundo, andamos todos simplesmente à procura da verdade, uma verdade maior do que nós.  

Dan Brown, tenta, de forma a prender-nos ainda mais ao livro, levar-nos a acreditar que todos os seus factos são verdadeiros, e é esse o problema em que alguns leitores caiem. Os seus livros são livros de ficção, não documentários, como tal devo olhar para o livro como ficção que é. Claro que se todos olhassem para o livro desta forma, o Código da Vinci não teria tido metade da polémica, e consequentemente metade das vendas. Existe obviamente veracidade em muito da sua investigação, mas muito não é tudo e o leitor terá de ser capaz de perceber a diferença. porque o faz o aturo? Porque todos nós adoramos conspirações, mas se elas parecerem mesmo verdadeiras, ainda gostamos mais. Dan Brown escreve o verdadeiro blockbuster literário, é esta a sua especialidade. A capacidade de escrever quinhentas páginas que se passam no espaço temporal de um dia e nós não conseguimos parar de ler. Brown nunca irá ganhar o Nobel da Literatura, mas o objectivo dos seus livros também não é esse. O objectivo é o que realmente ele consegue: viciar qualquer leitor que não leia estas páginas já com o preconceito Dan Brown que se criou. Claro que nesta opinião falo sempre na generalidade dos leitores. 

Este é para mim o melhor de Dan Brown primeiro porque o tema está bem explorado: a rivalidade entre Religião e Ciência, onde podemos ver os dois pontos de vista, apesar de esses pontos de vista serem projectados consoante a própria historia e personagens, está bem conseguido. De realçar ainda a investigação sobre Roma, os seus monumentos e toda a arte (pinturas, esculturas, etc…) necessária ao desenrolar da intriga. Tal investigação é a grande base do livro e é este ponto em que Dan Brown é melhor do que outros autores que o tentam imitar. Brown consegue criar “factos” que encaixam no que realmente existe. Quem tenha visitado Roma após ler o livro perceberá que certamente não foi fácil “arranjar” todo um “caminho Illuminati”, simplesmente a partir de estátuas de alto e baixo-relevo e ainda escrever poemas que contêm todas as pistas para o desvendar dos segredos.

Espaço ainda para rapidamente dizer que as personagens são bem conseguidas, apesar de nenhuma ser extraordinária, mas a historia com a sua trama não necessita de uma grande personagem. A trama é boa e envolvente, falando de temas actuais enquanto nos explica algumas verdades que poderemos não ter conhecimento. O ritmo é rápido desde o início, terá momentos em que torcemos ligeiramente o nariz com alguns acontecimentos, mas não paramos de ler e vemos o ritmo aumentar cada vez mais até ao fim.

Como já disse antes, este é para mim o melhor livro de Dan Brown. Não só porque tem um tema que aprecio, mas também porque é o início da sua fórmula. Nos seus próximos livros, a fórmula começa a repetir-se, principalmente na tentativa de nos levar sempre a acreditar que o inocente é culpado e vice-versa, mas isso fica para as próximas opiniões. Para já devemos ter em mente que esta obra não é um clássico. É um livro para ler com descontracção, sem complexos, para momentos em que queremos leituras leves. Se conseguirem então esta leitura não será uma experiência única, mas será agradável e é muito provável que não consigam parar de ler. Um livro fácil de ler.

17 comentários:

  1. Concordo contigo em tudo. O melhor deste autor, e le-se num instante!

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  2. Estou há muito tempo para ler esta obra. Como sempre os seus comentários são de enorme importância para mim. Talvez seja agora que o leia.

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  3. Mais um para comprar! Obrigado pela opinião.

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  4. O único livro que não li deste autor. Se dizes que é o que gostas mais, estou tentada a lê-lo. Continua!

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  5. concordo contigo no que disseste. só li este e o código e vou ficar à espera que fales dos restantes.

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  6. Li este depois do "Código da Vinci" e de "Fortaleza Digital" e também considerei o melhor do autor, mas Dan Brown está na mesma lista do José Rodrigues do Santos. Ou seja, autores que já não consigo ler, por ter ficado saturada das suas aventuras.

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    1. Ola tonsdeazul. Percebo o que dizes em relação a esses dois autores. Pessoalmente acho que o Dan Brown consegue fundir melhor a realidade com a ficção que cria, mas quando a fórmula não muda começa a ser complicado desejar por um livro novo.

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  7. Rodrigues Lopesjaneiro 16, 2012

    O que lhe vou dizer agora não tem qualquer tipo de exagero. O seu blog é do melhor que tenho visto nos últimos anos. As suas opiniões a livros como O Principezinho, A estrada, O Pianista, Ratos e Homens, Expiação, Divina Comédia, entre outros, são de uma qualidade muito acima da média. Confesso que só lamento ter começado o blog há tão pouco tempo e de eu apenas o ter conhecido há uns dias.

    Em relação a este livro concordo consigo, trata-se de um livro que não é uma obra-prima, nem sequer de longe, mas lê-se com entusiasmo. No entanto basta ler outras das suas opiniões para se perceber que não é mais do que isso, um bom livro de férias.

    Continue a escrever. As suas palavras convencem-me a comprar livros. Deixe-me apenas aconselha-lo a escrever mais, mesmo que não sejam opiniões literárias, ou não fosse, o seu artigo O Senhor dos Anéis vs Guerra dos Tronos a sua publicação mais vista.

    Parabéns!

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    1. Olá Rodrigues Lopes. Só lhe posso agradecer o seu elogio. Espero vê-lo por aqui mais vezes!

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  8. Li todos os livros do Dan Brown. Alguns adorei, outros nem por isso, mas acho que a grande maioria das pessoas tem este como o melhor. O filme é que não gostei.

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  9. Também concordo que este é o livro mais cativante dos 4 livros que já li dele... e na minha opinião o filme é também bem melhor que o Codigo Da Vinci. Realmente a formula é que é sempre mais do mesmo, que é o que se passa com o Rodrigues dos Santos e o Tomás de Noronha. Mas confesso que aprecio mais o nosso autor do que o Dan Brown.
    Agora entusiasmada estou com o filme "The Girl with the Dragon Tattoo" que espero ver já esta semana. Devorei os 3 livros, mas principalmente o primeiro. Uma pena que este autor nos tenha deixado tão cedo. Boas leituras Clara

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    1. Olá Clara!

      Pessoalmente prefiro o Dan Brown, mas talvez se deva ao facto de ter primeiro lido o Brown e só depois o JRS.
      A trilogia Milénio ainda não li. Está na lista para o futuro. Em principio vou resistir e não ver o filme para depois conseguir ler os livros. O que ainda vai demorar porque terei de os comprar numa feira de Lisboa para ficar mais barato. Pelo que ouvi vale mesmo a pena ler mesmo tendo em conta que o autor uma vez disse que teria como plano escrever entre 7 a 10 livros. Boas leituras!

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  10. olá Luís ;)

    Sendo este o meu primeiro post, devo dizer que este é quanto a mim o melhor livro do escritor, penso que se acaba por aprender umas coisas, nomeadamente sobre o universo do Vaticano e acaba por ser uma leitura muito aliciante.

    No entanto e dado que o escritor acaba por aplicar quase sempre a mesma formula nos seus livros, não devo ler mais do escritor, mas do que li gostei sim senhor.

    Para mim este livro tem apenas uma pequena falha, a queda do helicóptero, foi exagerado ;)

    Abraço

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    1. olá Paulo! Tudo bem?

      Percebo o que dizes sobre perceber melhor o Vaticano. Eu já conhecia muito do que está escrito no livro, mas simplesmente porque sou um leitor que gosta desses temas. No entanto para uma pessoa que não leia tanto sobre a Igreja acho que o Dan Brown consegue mostrar detalhes e curiosidades muito interessantes sobre o Vaticano e que ajudam à história. Concordo totalmente contigo.
      A "queda" que falas realmente é a grande falha do livro. Foi o pisar do risco do autor para lá da aceitável ficção, mas torcemos um pouco o nariz e seguimos para a página seguinte.

      Abraço!

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  11. Olá :)
    Taste This Book está com novo visual. Após um tempo de ausência, deseja agora dedicar-se com mais assiduidade
    Dá uma espreitadela e deixa a tua opinião :b

    Beijo*

    http://www.tastethisbook.blogspot.com/

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  12. eu nem gosto muito de ler mas gosti bastante deste livro

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  13. Gostei deste livro muito devido ao tema no entanto, e dos que li de Dan Brown, considero o 2º melhor atrás d' "O Simbolo Perdido".

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