quinta-feira, 23 de junho de 2011

A FÚRIA DOS REIS

Autor : George R. R. Martin

Título original: A Clash of Kings

A Fúria dos Reis, é como já devem saber, o terceiro livro desta saga. Depois de um primeiro livro que serviu de introdução a este vastíssimo mundo de Westeros e um segundo livro onde a acção cresce exponencialmente, acabando de forma frenética, comecei a ler este livro com um entusiasmo acima da média.
Contudo este livro revelou-se o mais “parado” dos três, com a acção a desenvolver-se menos que nos anteriores. Mas será este travar no desenvolvimento da história mau? Já lá vamos… primeiro devo explicar o porquê deste travão.
Este livro começa com a apresentação de uma nova personagem,  Davos e devo confessar que gostei da sua introdução por dois motivos: primeiro porque até então estávamos confinados aos olhos da família Stark, ao Duende e a Daenerys e foi bom ter uma nova perspectiva da história. Em segundo a personagem Davos mostrou-se uma surpresa com o desenrolar da história. Uma personagem diferente, com uma fidelidade fora do normal e que ele próprio chegará a questionar mas sem vacilar. Portanto gostei da personagem introduzida apesar de não ser uma personagem de grande relevo, servindo mais para vermos as movimentações e personalidade de Stannis.
Outra personagem que ganha estatuto de ser central no capítulo e vermos a história pelos seus olhos é Theon Greyjoy. Os seus capítulos são mornos e servem também de introdução a outras personagens e locais de Westeros. Nota-se que George Martin expande suavemente o seu mundo, travando a história e aumentando as intrigas.
É esta a razão que faz o livro ser mais lento, a introdução de algo que será necessário para o futuro da história. Aliás nota-se como Martin deseja que conheçamos as bases destas novas personagens para mais facilmente percebermos as suas decisões. Nesse aspecto Martin revela uma capacidade muito acima da média em construir personagens e não trair as suas próprias convicções a cada acção.
Uma nota ainda para Tyrion, o Duende, que começava a revelar um pouco de si nos livros anteriores para agora se tornar a personagem principal deste livro, e no meu caso terei apenas de lhe fazer uma vénia. Personagem deliciosa, desenvolve-se bastante, revela-nos lentamente os seus medos, os seus traumas e como isso o influencia a cada decisão. É para mim a personagem mais bem criada da história e o livro vale pelos seus capítulos.
Também devo salientar uma decisão por parte do autor que me agradou: a de não nos afundar em páginas e mais páginas de todas as batalhas que se desenrolam. Dando-nos os olhos de Tyrion, que permanece longe da guerra de espadas, George Martin dá-nos os resultados das batalhas dentro de cada capítulo sem nos saturar com pormenores excessivos. Que melhor maneira do que esta para nos divulgar o que se passou na batalha enquanto presenciamos as intrigas e movimentações de bastidores? Penso que este aspecto foi muito bem conseguido.
Enquanto umas personagens ganham projecção, outras perdem-no, caso de Robb pelo facto antes mencionado de a narrativa estar fora das batalhas, e também o caso de Catelyn, que apesar de ter alguns capítulos como figura central, perde o fulgor dos livros anteriores, deixando-se cair em medos e dúvidas acentuados pelos desenvolvimentos passados. Este facto parece de tal forma importante, que mesmo para os mais distraídos, Martin faz questão de nos dar os pensamentos mais impotentes de Catelyn, contrastando com a personagem que nos livros anteriores foi capaz de capturar Tyrion com um golpe de mestre.
Uma pequena menção ainda para o fim do livro, uma vez mais a editora “corta” o livro original em dois no momento em que mais queremos ler, porque quer tenhamos gostado ou não do final, queremos todos saber o que realmente se passou naquelas últimas linhas. O apetite por mais páginas aumenta ainda mais.
Em resumo, A Fúria dos Reis apresenta-se o mais lento dos livros até agora e aquele que poderá prender menos o leitor. Contudo este travão na história parece-me essencial para preparar o que está para vir e sei que o autor nos surpreenderá no futuro. É um livro que não se pode perder, não pelo que desenvolve mas pelo que nos dá a conhecer. No ar fica a vontade de ler mais e também a dúvida sobre Tyrion: até onde a genialidade deste anão e do próprio autor se poderão fundir?

7 comentários:

  1. Uma critica ao nivel do livro. gostei bastante tal como gostei do livro.

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  2. Ricardo Cardosojunho 26, 2011

    para quando a critica ao despertar da magia? ainda para esta semana? gostaria de a ler antes de comprar o livro.

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  3. Depois de ler estes textos ainda fico mais viciada nestes livros. este blog é dos melhores que já vi.
    Parabéns!

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  4. F.Guimarãesjulho 06, 2011

    Gosto da critica, sem "spoilers" mas fica-me uma questão, se este livro é a 1ª metade, cortada pela editora, do 2º livro original, não acha que não deveria relacionar a "lentidão" ou outra caracteristica desta metade com alguma intenção do autor?

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  5. Bom dia, F.Guimarães.
    Desde já obrigado pela sua visita e comentário. Percebo a sua dúvida e digo-lhe que apenas não relacionei essa "lentidão" de que fala porque como ainda só li dois livros (originais) não percebi se esta "lentidão" se deve ao gosto do autor em tornar o livro mais lento na primeira metade para depois "explodir" com a intriga, ou se se trata apenas de uma necessidade devido ao que o autor apresenta de novo, tanto no 1º como no 2º livro original. irei ler o 3º também na tentativa de perceber se este atrasar de ritmo se voltará a sentir.
    contudo devo frisar que este travar do ritmo não foi prejudicial à qualidade do livro.
    uma ve mais obrigado pelo seu comentário. Fico à espera da sua opinião mais vezes.

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  6. Estou lendo esse livro e pra mim é melhor primeiro porque tem , uma guerra mais sutil que é a guerra das palavras, da inteligência e também porque começa a criar um clima de tensão para lá da muralha.

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    1. Sim, na Fúria dos Reis começa lentamente a guerra de bastidores, onde impera a inteligência. E é algo que nos livros seguintes aumenta ainda mais. Boas leituras!

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